domingo, 17 de outubro de 2021

Amizade Partilhada

Amizade e Afectos


Todas as pessoas nascem com uma missão mal definida, mas que terá de se desenvolver e realizar na longa jornada da sua vida. Logo, bastará ir seguindo os trâmites normais com a racionalidade própria da natureza humana e o percurso até pode ser fácil. O difícil é saber encontrar a razão porque nascemos com um futuro determinado – quando tudo se acaba no paradoxo da morte. E se não encontramos o motivo da nossa existência física poderemos sentir grandes dificuldades de adaptação a uma comunidade, porque a harmonia dentro da sociedade comunitária depende de cada um saber e querer desempenhar o seu papel com serenidade e sentido de partilha.


É de boa conduta seguir um percurso de vida onde o bom senso esteja presente nas decisões que teremos de tomar com vista à nossa qualiadde de vida. Naturalmente que durante a adolescencia apenas nos devemos preocupar com o aproveitamento escolar e com os afectos tolerados; mas, chegados à idade adulta, começamos a fazer escolhas para o futuro, passando por um período de aperfeiçoamento das nossas capacidades e do rumo que devemos seguir. As escolhas podem ser fáceis ou difíceis conforme os objectivos que pretendemos alcançar no futuro próximo.


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Para uma vida ordenada e tranquila até aos últimos dias, há que investir em três princípios fundamentais: colher ensinamentos e boa formação profissional; fomentar a proximidade com os vizinhos e com pessoas que nos pareçam comungar de princípios e valores que nos são afins, dando importância aos afectos e ao sabor da vida partilhada; não descorar a aquisição de bens financeiros e poupanças para eventuais situações de acidentes ou doenças graves, paralelamente com uma carreira contributiva para garantia de uma confortável pensão de reforma na velhice. Para aqueles que se afastem destes princípios, geralmente com a ganância de acumular fortunas, correm graves riscos de se verem isolados e detestados, vivendo uma vida fantasiada e perdulária, chegando ao fim dos dias… sem amigos, sem afectos, desgraçadamente intolerantes. Com uma certeza! O dinheiro não compra afectos nem alegria… e deixam cá tudo! Como dizia o outro, no funeral do cunhado que morreu por causa dum diferendo judicial com os filhos: “olhem para esta desgraça, uma família desfeita, com nove milhões no banco e o desgraçado vai pra cova e não leva nem uma notinha”.


As incompatibilidades no trabalho ou na sociedade podem agravar os comportamentos e levar ao isolamento social, precursor da solidão doentia e da ansiedade que se pode acentuar até ao desespero da depressão. E não vale a pena o refúgio nas redes sociais ou a procura de amizades virtuais, porque nada é igual à presença física e ao calor dos que connosco partilham momentos de vida.


Num meio social sem laivos de cultura, diversão saudável e sem afectos das pessoas que nos são próximas, ficamos reféns das banalidades do que nos mostram na televisão e nas redes sociais e perdemos a oportunidade de ser felizes. O maior inimigo da felicidade é não termos um fio condutor de energia anímica partilhada e a desconfiança nas pessoas que nos rodeiam, tal como os vizinhos que nem cumprimentamos e até nos ignoram. Mas, se não interagirmos com os membros da nossa comunidade, corremos o risco de ficarmos infinitamente ignorados pela indiferença com que admitimos este nefasto distanciamento.  


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Então, por mais acertiva que seja a nossa participação nos projectos da comunidade, face aos insurgentes que podem existir entre os nossos vizinhos, a nossa missão poderá tornar-se num propósito dificil de ser realizado. Ai daqueles que estão nas comunidades sem se integrarem e interagirem com os demais, principalmente naquelas questões que dependem do apoio e do consenço comunitário. Normalmente, é aqui que aparecem as rupturas que conduzem a situações de incompatibilidade social e bloqueio de acções comuns.


Nada melhor do que abraçarmos uma causa comum e benéfica para a comunidade, para quebrar o gelo do isolamento e da indiferença. O trabalho em comunidade engrandece a nossa estima e traz felicidade aos que interagem connosco. Isso é muito importante para a estabilidade psíquica e para a felicidade colectiva. Além dos benefícios na nossa saúde ao interagirmos com pessoas diferentes de nós e com hábitos diferenciados enriquecemos os nossos conhecimentos e ficamos mais abertos a novas relações com pessoas reais que nos agradam e fortalecem.       


SEMPRE tive o cuidado de viver a vida com utilidade comunitária, pensando no bem-estar da família e no planeamento para ter um rendimento na reforma, compatível com o meu humilde padrão de vida, sem deixar de usufruir dos melhores momentos da vida para ser feliz em comunidade e na partilha dos afectos e solidário nos empreendimentos.


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Ao investirem cegamente no sucesso financeiro, há pessoas que diabolizam a vida e sofrem inqualificáveis tormentos. Tenho amigos a sofrerem de doenças degenerativas e outros com problemas judiciais por causa da partilha de bens e fortunas financeiras. De vez enquando, realizo “avaliações judiciais” de bens de heranças com as famílias desgraçadamente desabindas… por causa de intolerantes teimosias e pecaminosas ganâncias! Tudo isto devido à falta de humanidade e perda dos princípios da equidade e da lucidez do bom senso. Lamentavelmente, alguns acabam em assassinatos e perda de todos os bens. Este flagelo vai-se agravando à medida que as pessoas perdem a noção do valor dos afectos e enveredam pelos caminhos da competição pelo automóvel mais vistoso e da mansão mais luxuosa… situações que levaram ao encerramento de importantes empresas e despedimento de milhares de trabalhadores em tempos recentes. A hesteria do consumismo desenfreado causa dependência obsessiva, leva muita gente à depressão, com vidas infelizes, quando não à perda da liberdade e a anos de prisão.


Tudo deve ter peso e medida. Se investirmos apenas no sucesso financeiro, podemos ter alguns amigos de ocasião, mas corremos o risco de perdemos a noção da natureza humana onde existem os afectos da família e dos verdadeiros amigos. E, com o tempo, aparecerá a solidão na velhice, porque nos esquecemos de guardar pequenos detalhes da vida em comunidade, ainda mais sentidos quando estivermos doentes e sentirmos a ausência das pessoas que nos foram próximas. Então, num laivo da memória profunda, podemos questionar a razão deste doloroso abandono, quando nem pela doença nos visitam! 


As redes sociais são um perigoso remedeio porque, em doses viciantes, nos afastam da realidade e corremos o perigo de nos desligarmos do mundo real e esquercermos os beneficícios da diversão com pessoas reais, com as quais poderíamos partilhar emoções e entender o amor com a terapia dos afectos, num torvelinho de momentos de grande Felicidade.


Temas Actuais


Vila Nova de Gaia, 14 de Fevereiro de 2018


Joaquim Coelho   


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