segunda-feira, 29 de junho de 2009

Folclore de Portugal 18 - Minho


Cantares de Portugal, em homenagem ao grande impulsionador das tradições do folclore português, Doutor Pedro Homem de Melo, com o qual privei entre os anos 1956-1960 (tendo sido também meu professor) e 1972-1980, buscando novas danças e cantares para exibir no Canal de Televisão. Em 1983, participei numa homenagem pública que os amigos e admiradores lhe prestaram na Quinta de Cabanas, Afife. Embora com a saúde bastante débil, ainda me presenteou com o seu último livro autografado.Veio a falecer no ano seguinte. É considerado o último dos grandes poetas líricos portugueses.

CABRA-CEGA

Amizade? Cabra-cega

Que tens por bandeira o riso!

A alma quando se entrega,

Ri o corpo, ainda indeciso...

Ri como quem oferece

Pérolas, rosas e neve.

Mas a alma não se atreve...

E tudo, por fim, esquece!

E uns pelos outros passamos,

Felizes ou infelizes,

libertados pelos ramos,

Mas presos pelas raizes.

Pedro Homem de Mello

In: "EU HEI-DE VOLTAR UM DIA"-1966

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O VALOR DO VOTO

 




Em período de eleições para os representantes da Nação, o valor do VOTO é aquele que cada cidação esclarecido e ponderado lhe atribui. 


Pois, até já ouvi dizer que o voto é uma arma... Usem-no bem!


 . 


    EXTREMA-UNÇÃO


 


Quando fecho os olhos à idade


para ser feliz nos últimos dias


vejo o meu povo espezinhado


por uma cambada de glutões


que tratam bem o seu umbigo


em desfavor dos aflitos.


 


Vejo a juventude na sargeta


esbracejando o seu lugar


neste mundo de incerteza


sem rumo e sem esperança… 


 


Os movimentos subalternos


que esgrimem bons argumentos


logo perdem a razão


por esconderem a parcialidade


que lhes vai enchendo a mão.


 


O facilitismo é um erro fatal


no conceito da responsabilidade


vai trazer-nos grande mal:


faz do mundo um grande calhau


onde cada um atira a sua pedrada.


 


Persiste um egoísmo reinante


na destruição do homem solidário


onde o crime sai triunfante


na criação de mais indigentes.


 


O culto da santa ignorância


só interessa aos governantes


pois sabem que os estúpidos


são facilmente enganados


e muito pouco reclamantes.