quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Tempos sem Tempo para a Educação

NOTA-Prévia:

Porque se trata de uma carreira de vida exemplar e relevante, aqui deixamos um texto que mereceu todo o nosso apoio e consideração.

HORIZONTES DA MINHA MEMÓRIA

Isidro Moreira Esteves Talaya 


27-08-2022

Este meu Diploma constitui o início de todas as minhas habilitações: profissionais, militares e sociais.

Sem dúvida que este diploma representa o alicerce fundamental, em cima do qual construí toda a minha vida pessoal e profissional. E que excelente "alicerce"!

Era um ensino denominado de "básico", mas bem estruturado e, na esmagadora maioria dos casos, bem ministrado. E dali se saía capacitado para ler bem (e entender bem o que se lê...), escrever com correcção ortográfica e sintática, fazer bem contas (e depressa...), conhecer a nossa história no essencial e no sentido de formar nos futuros cidadãos o orgulho de ser português, ter os conhecimentos básicos relativos às Ciências, conhecer muito bem a nossa geografia, nomeadamente os nomes das nossas cidades, montanhas, rios (e seus afluentes) e rede dos caminhos de ferro (decorando todas as estações e apeadeiros), saber localizar tudo isto no mapa de Portugal, incluindo tudo o que respeitava às ilhas adjacentes (arquipélagos dos Açores e da Madeira) e também as então colónias de além-mar, assimilar valores tradicionais, nomeadamente: respeito pelos mais velhos e pelos chefes, honestidade, lealdade, humildade, esforço pessoal, amor à família e amor pela Pátria herdada dos nossos antepassados. Tudo valores universais e intemporais, que se vão perdendo, infelizmente.

Claro que, em cima deste diploma, vários outros foram conquistados por mim, ao longo de uma vida pautada por todos esses valores que acima referi.

Mas este, este diploma da 4ª Classe do Ensino Primário (que guardo religiosamente) é o mais importante de todos, para mim!


Clikar na imagem para VER Escolas:


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Memórias dos Tempos


Isidro Moreira Esteves Talaya

11 de novembro de 2019  · 


23 de Maio de 2013, em Tancos, no Dia da Unidade.
Na foto, tenho à minha direita dois Coelhos: o mais novo, António Coelho, no meio e, na ponta, está o meu caríssimo amigo e camarada Sargento Joaquim Coelho.
(foto de Jorge Costa - Asas ao Peito Boinas Verdes)


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Aqui, onde todos os perigos espreitavam, tudo se dividia: segurança, esforço, riscos, alimentos, calor humano, amizade, entreajuda. Tudo.
Esta cena, repetiu-se vezes sem conta entre militares portugueses em missão nas matas africanas de Angola, Guiné e Moçambique.
Algures à volta de Mueda, Moçambique, em 1968, os sargentos pára-quedistas Fernando da Silveira Augusto (conhecido entre nós por "Lagosta") e eu próprio, dividem entre si a pouca comida restante.
Saudações Pára-quedistas, Aeronáuticas e Veteranas! 


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Cuidado com a Educação


Miguel Carvalho está com Sofia Azevedo.


21 de outubro de 2019  · 


Às vezes, paro e penso como é que gostaria de ter chegado até aqui, se os caminhos pelos quais segui foram os certos, se fui feliz até agora. Pergunto-me se as pessoas que passaram pela minha vida foram boas, marcantes e me fizeram crescer. Questiono-me o que aprendi, o que perdi e o que amadureci. E então tenho uma surpresa boa, um sorriso no canto da boca e a certeza de que tudo valeu a pena e que hoje sou quem sou graças a todos estes elementos, aos obstáculos e às aprendizagens. Tornei-me um alguém completo, que sabe dar valor às coisas simples e que aprendeu a confiar em si mesmo e nos outros.


Obrigado a todos os que caminham ao meu lado. Obrigado pelos votos ao longo do dia e pela noite que me proporcionaram.


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Com o que vai por aí, como seria se tivesse os meus 12 anos?


Dormem na cama dos pais até quando quiserem. Deixam o biberão e a chucha quando querem. Só comem o que querem.


- E depois? O que tem de mal?


Anti-sociais aos 11 anos.


Melhor telemóvel a cada Natal.


Surdos com os phones nos ouvidos.


Centenas de amigos virtuais.


Não pensam nos riscos.


Festa social? Se não for top não vou.


Alto grau de exigência. Conseguem tudo o que querem.


- E depois? O que tem de mal?


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Os pais não precisam brincar.


O telemóvel faz isso.


Os pais não precisam ir buscá-los às festas.


O Uber faz isso.


Os pais não precisam cozinhar.


O Ubereats faz isso.


- E depois? O que tem de mal?


Dar um puxão de orelhas? Nem pensar! Criar filhos está " mais fácil", mais cómodo, porque afinal, a criança resolve tudo com o telemóvel.


- E depois? O que tem de mal?


Ler histórias para o filho? cantar músicas e brincarem juntos? Luxo para poucos. Os pais estão desconectados. Precisam de ajuda, mas só aceitam quando a bomba explode.


Pais e filhos por baixo do mesmo tecto, mas diálogo zero. Nem um filme juntos. Mas sempre aparece aquela Selfie de família perfeita. Afinal , o que é importante é mostrar que é feliz e ter 300 likes na foto.


Mal sabem o que é um jogo de tabuleiro.


Pensar é coisa que dói. Fazer a criança pensar parece que é fazê-la sofrer.


- E o que queres ser quando cresceres?


Yutuber. Blooger, Vlogueira Digital Influencer


Estudar. entrar na Universidade, especializar-se...


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Nem pensar! Não sei esperar.


Não sei ouvir não.


Não sei o que é frustração e rejeição.


A culpa é de quem?


Ops... Não se pode falar nisso...


Não se pode e mais nada!


Não se pode dar uma palmada! Não se pode falar alto, não se pode castigar. Não se pode nem dizer não.


E o tempo a passar. Os filhos a crescer.


Drogas e suicídios a aumentar.


Querem tudo para já.


" Venha a nós o vosso reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu".


- E ai do adulto que não disser "amém".


Imagens do Tempo sem Tempo para a Família.


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terça-feira, 6 de setembro de 2022

Centenário do Professor Doutor Adriano Moreira

Professor Adriano Moreira - Ministro do Ultramar


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Na primeira viagem a Angola, Setembro de 1961, percorreu parte do território, durante mais de uma semana, deixando boas espectativas de mudanças na administração do território com abertura política. Os sinais não agradaram a Salazar, pelo que foi demitido depois da segunda viagem em 1962. Como grande impulsionador da educação e cultura universitária, criou os "Estudos Gerais Universitários" em Angola e Moçambique.

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José Ribeiro e Castro no OBSERVADOR:

O transmontano

"Também a começar, agradeço à Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro o convite que, através do seu Presidente, Hirondino Isaías, me fez para usar da palavra sobre o festejado. É um grande desafio e uma honra ainda maior, que aceitei com genuíno prazer.

É natural este brio da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em querer abrir as celebrações dos 100 anos de Adriano Moreira. Não é precipitação; é amor, alegria e orgulho. No fundo, é o eco do orgulho que todos os transmontanos nutrem pela sua região de origem, pela sua história e tradições, pela sua comum pertença e pelos seus maiores.

"Tanto reformismo em tão curto tempo custou-lhe a continuação do mandato. Não é difícil imaginar que houvesse interesses obscuros que se vissem abalados ou visões estreitas que se sentissem desconfortáveis. Tudo manobrado no silêncio, como é próprio desses interesses e visões, em qualquer tempo e qualquer regime. É que não há conhecimento de críticas públicas à acção do governante Adriano Moreira. Pelo contrário, olhando ao estado em que as coisas estavam quando tomou posse, só podemos supor que lhe pedissem para continuar e, caso pudesse, ir mais depressa e mais fundo. O certo, porém, é que, num episódio que, no essencial, é bem conhecido do público, o Presidente do Conselho chamou o seu ministro, já no final de 1962, para lhe dizer que era preciso mudar de política, ao que Adriano Moreira respondeu: “Vossa Excelência acaba de mudar de ministro.” Saiu na remodelação ministerial em preparação. In Observador.

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Guerra em Angola - Outubro de 1961 – CONTRADIÇÕES

 Por determinação do comando-geral das forças armadas de Angola, é proibido aos militares dizerem que há guerra em Angola. “Há apenas acções militares para manter a segurança pública.”

Na sua visita ao sul de Angola, passando por Sá da Bandeira, o general Venâncio Deslandes, governador-geral de Angola, no seu discurso disse: “Sofrem-se, aqui em Angola, as consequências de uma guerra que o Mundo quase inteiro nos faz, apesar da obra gigantesca que tem sido realizada pelos portugueses, aqui mesmo, nesta província, e da qual nos podemos orgulhar. Essa guerra obriga-nos a um grande esforço e a termos ilimitada fé para provarmos que o sistema português é o único honesto e capaz de fazer progredir os povos deste grande continente africano, onde fomos os primeiros a chegar.” 


Poucas semanas após o regresso a Luanda, o governador-geral formalizou normas legislativas com vista a dar aos povos autóctones mais liberdade de posse e cultivo das terras. Este princípio vai de encontro às ideias expressas por influentes angolanos no sentido de resolver o problema da guerra com negociações políticas.  

Na visita do Ministro do Ultramar, Professor Adriano Moreira, a Angola, os contactos com as populações de diversos locais e as conversações com o Governador-Geral abriram as portas a um melhor entendimento do fenómeno da guerra no sentido de abertura a negociações com naturais de Angola. O Ministro do Ultramar deu a entender que o futuro passaria por dar mais oportunidades aos angolanos e, consequentemente, abrir portas que outras facções mais radicais jamais consentiriam.

Houve movimentos de pessoas dentro das próprias organizações militares, com reuniões mais ou menos secretas. Todas as tentativas falharam e, com a demissão do Ministro do Ultramar, que entendemos devida a oposição a certos princípios de Salazar, todos os objectivos no sentido de acabar com a guerra, através de entendimentos com representantes de Angola ficaram pelo caminho… da guerra.”

In Livro “Estilhaços”, Edições Sentinela, 2ª Edição de 2020


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“ Á PROCURA DA CORRENTE...

        Discretamente e sem alaridos, como convém, encontraram-se na Maianga, em casa dos amigos do Orlando. Mais de meia dúzia de pessoas, com mais ou menos convicções de que alguma coisa tem de mudar em favor dos intervenientes na guerra, puseram à consideração do colectivo o melhor das suas ideias. Entre oficiais, sargentos e praças, além de pára-quedistas, estiveram presentes dois representantes do Exército e um da Força Aérea. Salienta-se a intervenção do cabo Alves:

– Como facilmente se pode constatar, as iniciativas da guerra estão do lado inimigo. As nossas tropas perderam poder de fogo, enquanto a guerrilha se organizou e adquiriu melhores armas, que são um perigo permanente para as colunas que se deslocam nas picadas do Norte. As palavras do Governador-geral, declarando que “as operações das nossas Forças Armadas terminaram e deram lugar à actividade de policiamento militar” e que “não há guerra” merecem a reprovação de todos aqueles que sofrem os efeitos da guerra, além de insultarem a memória dos que vão caindo trespassados pelas balas ou pelos estilhaços dos rebentamentos.


      Era visível o nervosismo do Valentim quando olhava para os presentes, parecendo perceber o que ia na mente de cada um. Com um gesto largo, o Alves limpou o suor que escorria pela testa e incitou o Valentim a falar:


– Oh pá, parece que está tudo maluco! A Índia fez aquilo que há anos vinha avisando: desde os ataques a Pangim e Dadrá, em 1957, era de esperar a invasão. Mas os governantes, enfiados no Terreiro do Paço, deixaram os militares à mercê daquele poderoso exército. Numa situação de hostilidade, o navio Afonso de Albuquerque foi afundado, naturalmente. Agora choram pelos desgraçados que por lá morreram! O que dizer da campanha ridícula para comprar outro navio de guerra? Será que alguém tem a noção do custo de tal peça? E dos países que desprezaram os apelos de Portugal, mas atacam a política ultramarina portuguesa?


     Ninguém quer tomar notas, para evitar a difusão das ideias que podem comprometer o fundamental destes encontros. E o Orlando também apresentou os seus pontos de vista:


– Com mais de dez meses de guerra, o pessoal começa a esquivar-se às missões, e com razão. Sabemos que muitos camionistas e colonos se esforçam para ajudar a tropa. Vão nas colunas e sofrem com as emboscadas, tal como os militares; mas há por aí muito sacana que só quer ver a malta enfiada nas matas ou no isolamento dos acantonamentos cercados de arame farpado. Se andamos pela cidade desprevenidos, estamos sujeitos ao insulto ou ao desprezo; das janelas de algumas casas, os nojentos também nos tentam cuspir. Por isso, temos de tomar medidas e tentar dar um novo rumo aos conflitos. Sei que o Alves ainda não disse tudo o que sabe…


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– Bem. Merecem destaque as conversas que já tivemos com algumas entidades locais com interesse em ajudar numa solução política negociada. Entre essas pessoas estão advogados, professores, empresários e funcionários públicos que, embora mantenham o anonimato, são conhecidos. Desde que o Governador-geral General Piloto-Aviador Venâncio Deslandes deu a entender que o próprio Ministro do Ultramar, Professor Adriano Moreira, não põe de parte uma solução política, os vários interessados concordam com um sistema de autonomia administrativa e económica para os próximos cinco anos, dependente de Lisboa. “  


IN Livro: “O Despertar dos Combatentes”, Clássica Editora, 2005


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32 - Prontos... para saltar em Sacandica!.jpg


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33 BCP21 - pesoal da 2ªCCP e material apreendido.


Ponte sobre o rio Lucunga-Mucaba.jpg


Grupo do Srg Gonçalves em S. Salvador do Congo.jp


 


REPORTAGEM IMPREVISTA


Imagens da minha Reportagem da visita a Angola, do Ministro do Ultramar, Professor Adriano Moreira, em Setembro de 1961. Embora fizesse parte da segurança que o acompanhou desde Lisboa, por nomeação do Comandante do BCP21, Tenente Coronel Pára-quedisdta Alcínio Ribeiro, fiz a reportagem oficial:


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45 - Setembro de 61 - Ministro do Ultramar em Luan


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A- Ministro do Ultramar, desfila em Luanda.jpg


..46A - Luanda - visita do Ministro do Ultramar..j


 


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