segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Madrinhas de Guerra

Texto revisitado em 2007




 




Por entendermos tratar de um assunto pouco divulgado, aqui fica um retalho da Memória do antigo combatente Furriel Miliciano Henrique Manuel Durão, que prestou serviço em Angola de Julho de 1973 a Outubro de 1975, na 2ª companhia do Batalhão de Caçadores 5017.


Madrinhas de Guerra

 

         Para falar de madrinhas de guerra será necessário eu recuar às minhas recordações dos anos 70 em que tomei contacto assumido com a realidade do mundo português, típico do estado novo, e apoiado pelo então MNF Movimento Nacional Feminino.

         Hoje ocorreu-me falar deste assunto com o distanciamento necessário de quem já lembra o passado com vontade de deixar algumas das suas memórias às gerações seguintes.

         Experiência do tempo em que cumpri o meu serviço militar, parte na metrópole, parte na então província ultramarina de Angola, e, embora não tivesse tido efectivamente o que se poderia chamar na época de madrinha de guerra, convivi bem de perto com essa realidade de ajuda psicológica aos nossos jovens que lutavam em Africa.

         Tive durante a comissão no ultramar um enorme apoio familiar e sobretudo uma grande cumplicidade com uma namorada que me aguardava serenamente em Lisboa trocando comigo muitas palavras de encorajamento e confiança num regresso libertador onde tudo acabaria em paz e amor.

         Embora, como acabo de afirmar, não tenha tido uma madrinha de guerra na acepção do termo (tal como era entendido na altura) mas posso dizer com toda a propriedade que sei bem do que falo pois fui enumeras vezes o leitor de variados aerogramas e cartas para os soldados da minha Compª transmitindo a eles toda a emoção contida nessa escrita de apoio ao militar.

         Fruto da grande carência, em termos de habilitações escolares, por parte dos nossos soldados, bastantes missivas eram assim lidas pelos graduados, onde me enquadrava, sendo confidentes e responsáveis pelas respostas apaixonadas às garotas da terra que porventura iriam ser as suas futuras namoradas e muitas vezes e em muitos casos as futuras esposas.

         Umas quantas linhas devoradas rapidamente assim que era distribuído o correio, tinham efeito “ecstasy” e serviam de muleta para ultrapassar a saudade proporcional à distância.

         Madrinhas de Guerra, raparigas apoiantes do regime, ou simplesmente moças de sonhos cor-de-rosa? Tinham a consciência de que se movimentavam no país onde as estatísticas afirmavam haver 7,5 mulheres para cada homem?

         Madrinhas de Guerra, instrumento da maquina de propaganda numa missão de retaguarda, ou mulheres construtoras de ilusões?

         Madrinhas de Guerra, nacionalidade portuguesa, maiores de 21 anos, moral idónea, espírito patriótico, coragem, capacidade de sacrifício, confiança na vitória e capacidade de transmissão dessa ideia.

         O que ficou para a história?

         Quem viveu essa época e esteve de um dos lados onde se fazia da saudade dos entes queridos, uma ajuda para passar o tempo, que decorria invariavelmente sem mudanças, deu valor ao contributo das Madrinhas de Guerra.

         Hoje lembradas em tom de pieguice saudosista por uns, e como recordação gratificante da juventude por outros, onde o amor despontava em cada letra caprichada nos celebres “bate-estradas”.

         Evidentemente que para a difusão do estatuto de Madrinhas de Guerra, no meu conceito, é necessário primeiro que tudo haver uma guerra a decorrer, e agora o nosso país não está em guerra declarada, contudo, Madrinhas (de acompanhamento psicológico) teem sempre lugar se quisermos participar e ajudar a todos aqueles que estão longe da pátria e com o coração em Portugal.

         Madrinha de Guerra uma figura de destaque em qualquer lugar e em qualquer época pois realça a condição humana da mulher enquanto companheira do homem e como complemento do seu equilíbrio de vida.

         Politicamente discutível ou não o meu bem-haja para todas quantos foram MADRINHAS de GUERRA durante o conflito do Ultramar.

 

Henrique Durão

Setembro 2007

 

 


paras-madrinhas559.jpg



 

Clik na Imagem para VEER:


paras-madrinhas558.jpg



A Pandemia contra a Constituição

Pandemia sem direitos


Joaquim Coelho no Facebook


5 de agosto 2020 - às 18:53 · 


Caros Amigos, à sombra da pandemia em declíneo, estamos a ser esbulhados dos nossos direitos básicos. Não há consultas médicas nos Centros de Saúde... não há atendimento nos balcões da Segurança Social nem nas Finanças (telefone e marque... mas ninguém atende)... não há informações nas Lojas do Cidadão! Mas que é isto? Até onde nos querem reféns do Covid-19, quando já morreram mais de 12 mil pessoas por falta de tratamento e cirurgias urgentes. Amigos nos Hospitais dizem que nunca houve tantas camas vagas... reservadas para doentes COVID, em que mais de 80% diagnosticados vão para casa e são quase abandonados à sua sorte! Estamos perante um criminoso atendado aos nossos direitos constitucionais! Serviço de Saúde em perda de qualidade.


Lamentavelmente, dezenas de Amigos e familiares me pedem para enviar mails aos "médicos de família" e "centros de saúde" para enviarem o receituário por mensagem, para doenças que não são conbtroladas há mais de oito meses, porque não são consultados pelos respectivos médicos... onde está o brio e o sentido de responsabilidade destes médicos? Será isto sensato e compatível com o Serviço Nacional de Saúde?


https://www.facebook.com/410493056021970/videos/214556349962316


..Poemas-O Mito da Pandemia.jpg