segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

MEMÓRIAS DOS TEMPOS

 




 


 


  


  


 




 


 


  PARQUE  DAS  CAMÉLIAS


 


Nos dias de cinema a três escudos


vejo filmes da Cheta e do Tarzan,


do Pedro Infante e do Joselito;


toda a gente passa no parque


bebendo o ânimo com o pirolito.


 


No bolso levo alguns rebuçados


para pagar promessas de amor;


as raparigas são o meu primor


e não fogem aos folguedos...


gozam ao aperto suave dos dedos


e dão largas ao toque dos guizos


sentidos no deleite dos sorrisos.


 


A luta livre é um chamamento


que me anima nas noites frias.


Sento-me longe da pisa de luta


para não sentir o desconforto


do gemer atrevido da prostituta,


se lhe cair o lutador em cima.


 


Vejo o jogo na esteira do ringue


onde os lutadores vomitam seiva


e trocam o sangue por dinheiro;


estranhas manobras de morte


que confundem com a sorte


para o meu descontentamento


e gemem a imitar o sofrimento!


 


                                   Porto, Setembro de 1958