terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Recordações do Natal e o Pai

Neste Natal, Recordo o meu Querido Pai com Saudade

Porque o meu Pai faria 105 anos no dia de Natal, recordo alguns episódios marcantes da nossa vida em comum.

Nasci em terras de Termas de S. Vicente, precisamente quando as tropas alemãs se preparavam para invadir a Polónia, o que aconteceu em 1 de Setembro de 1939, dando início à Segunda guerra Mundial.

Em muitas fases da minha vida, perante situações mais complicadas, recordo sempre a força e determinação do meu Pai. Era um homem modesto, dedicado ao trabalho, muito apegado à vida, resiliente, criativo, artista no canto e na representação teatral, habilidoso na reparação de relógios e armas (que veio a especializar-se na Relojoaria Andrade Melo, no Porto).

Como mais velho de uma prole de dez filhos, estive sempre próximo do meu pai durante os primeiros aos de vida. Recordo as dificuldades que ia ultrapassando com empenho e mestria para tirar da terra o sustento para as necessidades da família que crescia de ano para ano, residindo numa casa de granito com bastante espaço, quinteiro, quintal com fruteiras e cortes do gado.

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Os tempos de guerra agravaram a miséria que se vivia, pelo que o meu Pai fez planos para conseguir alimentar a família, procurando trabalhar na Carris do Porto ou nos Serviços Municipalizados, mas precisou do apoio do tio e padrinho - Joaquim Pereira Cavadas, então regedor na freguesia de S. Vicente do Pinheiro, o que não conseguiu. Tendo comprado três terrenos de lavoura, tomou de arrendamento mais cinco do senhor Pinto Lopes (proprietário de quase metade da freguesia de Valpedre), de maneira a rentabilizar esses terrenos agrícolas de forma vantajosa. Para tal, comprou uma junta de bois, algumas ovelhas, a que juntou mais uma vaca e dois porcos.

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Para ter mais garantias de realizar dinheiro, vendia o leite da vaca à fábrica de Lacticínios que ficava a cem metros da nossa casa, na condição de receber semanalmente uns tantos pacotes de manteiga para a família barrar a broa e regueifa aos fins de semana, recebendo o resto em dinheiro; realizava mais dinheiro com a venda de um dos porcos mais gordinho e venda das ovelhas que iam sendo criadas, além do lucro pela troca da junta de bois anualmente, o que permitia viver razoavelmente bem, além de ajudar a minorar a fome de alguns vizinhos que não tinham terras de cultivo. Com o aumento de trabalho, contratou dois moços com idade entre os desoito e vinte anos.

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Assim geria o tempo na labuta da preparação das terras para a sementeira, convocava os amigos para ajuda nas colheitas dos cereais, do vinho, da apanha da azeitona, das "malhadas" do milho e do linho; ainda tinha tempo para reparar relógios e armas dos amigos, além de se divertir nas festas e romarias, dançando com a minha mãe e cantando ao desafio; de tempos a tempos participava na época de apresentação de peças teatrais no Salão Paroquial de Valpedre, perante os senhores da terra, o Padre e professores, sempre em papeis de destaque; ficou célebre pela interpretação da canção “Rancho Grande”, em voga nos filmes de Pedro Infante.

Homem resistente e forte, nutria especial carinho pela família, correndo riscos de ser preso quando se deslocava, de noite, ao encontro dos contrabandistas na tentativa de comprar açúcar, arroz e outros bens alimentícios que o sistema de racionamento por “senhas” não satisfazia as necessidades da família. Estávamos em tempo de guerra e as restrições eram muitas! Mas o meu Pai sempre conseguia manter a prole bem alimentada e com algumas guloseimas pelas festas de ano, como o Natal, Ano Novo, Páscoa e festas da freguesia.

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Perante uma tremenda baixa de rendimentos devido ao incêndio que matou a junta de bois e destruiu parte da casa, sem possibilidades financeiras para comprar outra junta de bois para trabalhar a terra, não esmoreceu. Obteve o apoio do grande proprietário das Quintas de Santa Maria, Pinto Lopes. Este comprou nova junta de bois, na condição de dividirem o lucro da venda anual (como era habitual nas feiras de gado). Sentindo os rendimentos depauperados com tal situação, incumbiu a minha mãe de assumir a gestão dos trabalhos agrícolas e foi empregar-se nas minas de carvão de São Pedro da Cova, onde trabalhou dois anos. Vinha a casa nos fins de semana. Fazia a viagem de regresso às minas, juntamente com outros conterrâneos, pelo percurso de Valpedre, atravessando os montes por Ordins, Sobreira e São Pedro da Cova. Tinha o cuidado de comprar e levar para casa uns quilos de broa de boa qualidade e mais barata nas minas.

Sempre fui curioso e mexilhão, embora levasse as reprimendas da ordem, mas tinha o perdão pelos estragos que fazia, especialmente quando mexia nas peças dos relógios que estavam em reparação. Desde os quatro anos que acompanhava o meu pai nas visitas que fazia aos amigos ou para ver relógios e armas para reparação.

Apesar da sua ocupação diária, a partir dos meus cinco anos, o meu Pai ensinou-me a escrever e a fazer contas. Tentou entusiasmar-me para a sua arte dos relógios e armas, mas era coisa que não me interessava. Muitos anos mais tarde, lamentava-se por não ter nenhum dos filhos a prosseguir naquela arte das máquinas do tempo!

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Recordo a paciência do meu Pai no apaziguamento de conflitos nas romarias, que se impunha acompanhado por um vistoso pau de marmeleiro. O senhor Américo era admirado e respeitado em todo o conselho de Penafiel e entre os relojoeiros do Porto, onde tinha bons amigos. Até porque, com um amigo da arte de relojoaria da Calçada, Oldrões, com pequenas maquinetas construídas por eles, faziam minúsculas peças para reparar os relógios.

Nas suas participações políticas, azedou-se com o Regedor de Valpedre por não o ter avisado das pretensões da Guarda Republicana em “roubar” os cereais dos agricultores: apareceram lá em casa com vários Jeeps, iam às caixas de cereais, enchiam os sacos e levavam, deixando a minha mãe a chorar; no segundo ano que isso aconteceu, vi a minha Mãe ajoelhada à frente do Regedor rogando que deixassem o suficiente para fazermos o pão que precisávamos, porque tínhamos passado fome durante o ano. O Regedor, que era seu tio, apenas lhe pôs uma mão sobre a cabeça e disse: minha filha, são ordens de Lisboa, não posso fazer nada! Perante aquela cena, agarrei-me à perna de um guarda que ia descer as escadas com um saco às costas e levei um biqueiro que me enraiveceu tanto que nem chorei.

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Ora, confraternizando com amigos do reviralho, acabou por aderir ao “movimento” da campanha presidencial do Humberto Delgado. Em diversos encontros com gente do Porto, participou na campanha orientada pelos Advogados Montalvão Machado e Eduardo Santos Silva. As reuniões realizavam-se no Café da Brasileira e no escritório da Rua de Santo António. Como o meu pai era amigo do Dr. Urgel Horta (União Nacional), chegou a ser admoestado para não se meter em sarilhos que o podiam prejudicar.

 No dia das eleições, fui com o meu Pai para a porta da escola de S. Vicente distribuir boletins de voto do Humberto Delgado. Ora, logo fomos incomodados pelo Regedor Joaquim Pereira Cavadas (nosso padrinho e tio do meu Pai). Não houve consequências, mas pioraram as nossas relações familiares. O meu Pai ficou órfão de mãe por esta ter morrido após o parto, e o seu pai foi para o Brasil com a filha mais velha, deixando o filho sob tutela e educação do tio e padrinho Cavadas, onde esteve até ao casamento com a minha Mãe. Por estas e por outras, embora sendo o herdeiro directo, por se ter afastado, nada recebeu da quinta, após a morte do tio e padrinho.

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Recordo a determinação do meu pai, quando foi à escola primária pagar os vidros das janelas que parti à pedrada, depois de ter levado meia dúzia de “bolos” de palmatória, injustamente, porque um aluno havia mijado na entrada da Escola; parece que ainda o estou a ver a pegar numa corda e zupar-me nas costas, por ter levado os vizinhos para o quintal para comerem frutas (tinham partido vários ramos das fruteiras); parece que o estou a ver tentando entrar na cozinha do Dr. Campos, onde eu estava sob o cuidado das empregadas que me tinham acabado de curar o pé furado com um tiro acidental de caçadeira; parece que o estou a ver subindo as escadas de casa, depois de ouvir os gritos da minha irmã Conceição, por lhe ter dado um murro na cabeça e terem ficado dois ou três pregos lá espetados; a pancada que levei deixou-me dorido e acamado, até que recebi a visita da minha tia Maria que me levou para a quinta da Vila e deu novo alento no estudo e melhorou o rumo da minha vida.

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Enfim, parece que estou a ver o meu Pai muito feliz, ao ouvir os comentários dos Amigos próximos, depois do meu sucesso no exame de admissão aos liceus: “senhor Américo, o rapaz pode ir longe, meta-o num colégio do Porto”; e assim foi. Gerente da Garagem dos Transporte Grijo, sendo amigo e vizinho do director do Grande Hotel do Porto, senhor Álvaro Machado, cuja filha era professora no Colégio João de Deus, conseguiu um contrato de internamento como trabalhador-estudante naquele Colégio, onde estudava, tocava o órgão na capela e trabalhava três horas diárias a fazer sandes para o lanche dos alunos.

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O meu Pai sempre foi especialmente cuidadoso nas iguarias para as festas anuais (Natal, Ano Novo e Páscoa), onde não faltava o bom bacalhau, vinho do Porto e doçaria.  

Finalmente, o meu Pai teve um fim lamentável e misterioso, tendo “aparecido” morto num café onde era habitual encontrar-se com clientes em negócios de relógios e armas de colecção. A autópsia foi inconcludente, o que nos deixou dúvidas sobre a causa da morte; porque o Procurador da República que liderou o processo era um dos colecionadores de relógios e tinha outros amigos com os mesmos interesses, os quais açambarcaram mais de oitocentos valiosos relógios de colecção durante os “trinta dias obrigatórios de publicação nos jornais”, avisando presumíveis clientes que tivessem entregue relógios para reparação. Ora, dois meses depois, viemos a perceber que nos tinham "roubado", sem dó nem respeito pelo triste acontecimento mortal, ao verificarmos, nas agendas guardadas no local da relojoaria, que apenas uns vinte e poucos relógios e armas pertenciam a clientes devidamente identificados nesses livros! Furiosos com a "fraude", fomos três irmãos tirar conclusões com o Procurador da República em Penafiel, dando-lhe um "amistoso abraço".

Bem, o nosso Pai sempre teve uma vida diversificada e modesta, sem grandes ambições materiais; viajava com frequência e ainda o acompanhei em algumas excursões pelo país. Saudoso Pai, descansa na paz do deuses, mas estás na nossa memória.

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Em todas as grandes encruzilhadas da minha vida, tive sempre o meu saudoso Pai no horizonte, porque foi corajoso, audaz, persistente e vencedor - apesar de ser benevolente e prestativo perante a sociedade que o atraiçoou.  

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Tempos de viajar com a Família e Amigos

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sábado, 24 de dezembro de 2022

O Natal em Tempos de Guerra

A Festa da Família, longe da Famíla

Nesta dia de consoada, que se pretende festejar com a Família, recordo outros tempos em que passamos o Natal bem longe dos nossos ente queridos. Por isso, jamais vamos esquecer aqueles que viveram esses dias de saudade entre matas e capinzais, em doloroso sofrimento e imprevistas atribulações.

No meu caso, passei os dias de Consoada em S. Salvador do Congo-Angola (1961), Luanda (1962), Nacala-Moçambique (1966) e Beira (1967).

Recordo todos aqueles que estiveram nas mesmas circunstâncias e desejo Boas Festas aos que ainda resistem ao desgaste do tempo, porque a caminhada da vida deve satisfazer os nossos desejos na partilha das boas recordações. Aos que partiram para o além, desejo que estejam na paz dos deuses.

Em Nacala, tivemos a sorte de terem chegado 12 helicopteros novos. Como voavam todos os dias para fazerem a "rodagem", o Capitão Piloto Campos cedeu um Alouette III para fazermos uma caçada antes do Natal. Caçamos uma impala, cuja carne tenra nos deliciou numa caldeirada na noite de consoada.

Clik nas Imagens abaixo para VER mais:


Sentinela Alerta


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Tempo de Festas e Alegria

Resistir é a razão que nos anima a Vida

Partilhar as emoções da vida é como arquivar momentos felizes nas memórias que nos confortam as gratas amizades.

Mesmo que as visões de tempos conturbados nos causem incómodos, devemos continuar a caminhada com afinco e alento para atingir os objectivos da nossa existência.

O respeito pela igualdade é perceber que todos os cidadãos são seres humanos imperfeitos, tão cheios de defeitos, que não devem exercer sobre os outros um poder que não lhes pertence. Eu não quero faltar ao respeito de quem mais gosto, porque seria o contra-senso da amizade. Por isso, é minha condição de vida continuar a fomentar a crença nos valores da vida para nunca perder a esperança de voar até ao infinito. 

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Memórias da Portugalidade no Mundo

    Dia de Timor-Leste

1 - O Dia de Timor-Leste celebra-se a 7 de dezembro.

Em Timor-Leste o dia 7 de dezembro é feriado e chama-se Dia dos Heróis Nacionais.

Foi a 7 de dezembro de 1975 que ocorreu a invasão e ocupação indonésia de Timor, com a operação “Komodo”. Portugal denunciou a invasão e cortou relações diplomáticas com a Indonésia no mesmo dia, abandonando a administração portuguesa o território a 8 de dezembro de 1975.

Timor-Leste, oficialmente República Democrática de Timor-Leste, conseguiu a sua independência de Portugal a 28 de novembro de 1975 e o fim da ocupação da Indonésia a 20 de maio de 2002.

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2 - Em Setembro de 1964, havia informações no Estado-Maior do Exército sobre perturbações rebeldes em Timor-Leste, para onde partiu um pequeno destacamento de tropas Paraquedistas (cerca de 40 elementos, com dois oficiais e cinco sargentos). Depois de viajarem de avião para Sydney (Austrália), seguiram de barco australiano até Dili. No segundo dia, após a chegada, por falta de condições de segurança e graves tumultos locais, captaram um barco pesqueiro e retiraram para a ilha de Ataúro. Sem quaisquer comunicações com as autoridades portuguesas e sem recursos logísticos para continuar a missão, o oficial e sargentos decidiram aproveitar um cargueiro de bandeira australiana para voltarem a Sydney e viajar para Portugal. Foi uma missão considerada secreta e sem utilidade, a qual nos deixou algumas dúvidas sobre quem a determinou. Talvez por ter questionado a hierarquia militar, o tenente Paraquedista Freitas de Oliveira foi mandado regressar à arma de origem.

3 - Em Abril de 1975, depois de confrontos entre tropas do Exército e elementos da Fretilin, por causa de divergências com representantes do MFA para a independência de Timor-Leste, foi enviado para Dili o Destacamento de Caçadores Paraquedistas N.º 1 , que ajudou a repor a ordem pública e acabou por se deslocar para a ilha de Ataúro, de onde regressou a Portugal em Dezembro de 1975.

Entretanto, tropas da Indonésia invadiram as principais localidades de Timor-Leste, com as quais a guerrilha da FRETILIN se bateu até à independência, mesmo tendo enfrentado dois movimentos hostis (Apodeti-pró-indonésio e UDT-União Democrática Timorense) que desencadearam a guerra civil.

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4 - Após 14 anos de conflitos, tendo passado pelo Massacre de Santa Cruz em Timor-Leste, com um tiroteio sobre manifestantes pró-independência no cemitério de Santa Cruz em Díli, a 12 de novembro de 1991, demoradas negociações e intervenção de tropas ao serviço da ONU, chegaram à independência em Maio de 2002.

O Contingente das tropas da ONU contou com duas companhias de Paraquedistas.

Fevereiro de 2000 - O Contingente Nacional para Timor integrou militares dos três ramos das Forças Armadas e começou a ser deslocado para Timor-Leste em meios aéreos fretados pelas Nações Unidas e por Portugal, em vagas sucessivas, desde 30 de Janeiro.

O CNT foi constituído por:


  • Comando do Sector Central – (Exército-Marinha-Força Aérea).

  • 1.° Batalhão de Infantaria Páraquedista – (Exército-Marinha).

  • Destacamento de Helicópteros Allouette III – (Força Aérea).

  • Destacamento de C-130, em Darwin – (Força Aérea).

  • Fragata ” Hermenegildo Capelo” – (Marinha).

Compõem-no 971 militares, sendo 579 do Exército, 340 da Marinha e 52 da Força Aérea. Com diversas secções de logística, transmissões, viaturas, tropas operacionais Paraquedistas e Fuzileiros, pilotos aviadores e operadores especialistas.

O Quartel-General português foi instalado em Díli e assumiu o seu comando o Coronel paraquedista Eduardo Lima Pinto, às ordens do qual serveiramm 12 militares do Exército, 5 da Marinha e 5 da Força Aérea.

5 - 03 Outubro 2000 - Dois militares portugueses morreram na queda de um helicóptero, junto da localidade de Same, em Timor Leste. O aparelho despenhou-se quando se preparava para aterrar.

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domingo, 2 de outubro de 2022

Lembrar para Melhorar

 A vida é curta para a desperdiçarmos com ninharias

 Porque há alguns membros dos Grupos do Facebook que não entendem as funções destas plataformas de informação e partilha de ideias e imagens, além de nos aproximar do mundo das comunicações com satisfação, a pedido de vários Amigos, aqui fica uma mensagem com sentido de esbatimento dos azedumes e incompreensões que andam por aí:

Movimento Cívico de Antigos Combatentes

22 de junho de 2020  ·


Grupos, Ratazanas e Gabirus

Mensagem de Joaquim Coelho, presidente do MAC e coordenador do “Grupo de Trabalho” das associações aderentes para o “Estatuto dos Antigos Combatentes”.

“Fico grato aos promotores da homenagem do dia 13 de Junho de 2020, mas devo lembrar que sem o apoio de um numeroso grupo de voluntariosos parceiros, não teríamos sucesso. Com esforço e persistência, os membros da Associação MAC, conseguiram obrigar os governantes e outras instituições a avançar com o “Estatuto dos Antigos Combatentes”. Em breve, será APROVADO na Assembleia da República. Pode não satisfazer todas as nossas pretensões, mas é um princípio do reconhecimento dos nossos préstimos à Pátria. Continuaremos a lutar para melhorar os benefícios para todos os Combatentes das guerras ultramarinas, especialmente para os mais carenciados. Mesmo que os acomodados nos tentem incomodar, “os cães ladram e a caravana passa!”

GRUPOS:

Por definição lógica e racional, os Grupos formam-se com a finalidade de estabelecerem laços de afinidade duradoiros entre pessoas que comungam de princípios e valores solidários e vantajosos para a comunidade, sem distinção de posições sociais ou ideológicas. O seu funcionamento passa por aglutinar meios e organizar eventos que satisfaçam os membros aderentes, para convívios salutares e apoios mútuos numa dinâmica de cumplicidade na alegria contagiante que traga mais felicidade à vida de cada um.

Ora, lamentavelmente, nem sempre os membros dos Grupos se comportam dentro desses princípios, o que causa instabilidade e aborrecimentos indesejáveis, quando não a própria destruição do grupo.

Por experiência social entre povos de diversas culturas e posições geográficas, habituei-me a conviver naturalmente e a respeitar as diferenças e os hábitos de cada um. Este propósito, exige o respeito mútuo, sem reparos ou manhas.

Vem este reparo a propósito das atoardas, lamechices, choradinhos, chorrilhos de queixinhas, patéticas ofensas pessoais e outras lamentáveis parvoíces que atiram por terra qualquer forma de cidadania no suporte da amizade que se apregoa.

Meus Amigos, vamos deixar de ser egocêntricos e perdulários do tempo que nos resta para viver. Saibamos aproveitar cada momento para sermos alegres e felizes, dando uma lufada de felicidade aos nossos familiares e amigos. Por brio ou por defeito, nunca vacilei perante as dificuldades em construir grupos de pessoas com afinidade para avançar com projectos de vida social e solidária de grande efeito na melhoria da qualidade de vida da minha comunidade; para tal, sempre tive excelentes colaboradores que se dispunham a intervir com determinação cívica, voluntariosa e com as suas capacidades de organização.

Ando na Net e redes sociais desde que apareceram; pelo que entendo isto como amplas janelas abertas ao mundo da comunicação com amizade. Colaboro em 8 Grupos, organizei 5 Sites e 8 Blogs, além da publicação de mais de 500 vídeos no Youtube e Sapo. Portanto, sirvo-me destes meios para divulgar conhecimento, memórias e diversão com natural prazer e incontida felicidade.

Caros Amigos, vamos serenar os ânimos, despir as camisolas incolores, fomentar encontros saudáveis e respeitar as diferenças sem azedumes.”

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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Tempos sem Tempo para a Educação

NOTA-Prévia:

Porque se trata de uma carreira de vida exemplar e relevante, aqui deixamos um texto que mereceu todo o nosso apoio e consideração.

HORIZONTES DA MINHA MEMÓRIA

Isidro Moreira Esteves Talaya 


27-08-2022

Este meu Diploma constitui o início de todas as minhas habilitações: profissionais, militares e sociais.

Sem dúvida que este diploma representa o alicerce fundamental, em cima do qual construí toda a minha vida pessoal e profissional. E que excelente "alicerce"!

Era um ensino denominado de "básico", mas bem estruturado e, na esmagadora maioria dos casos, bem ministrado. E dali se saía capacitado para ler bem (e entender bem o que se lê...), escrever com correcção ortográfica e sintática, fazer bem contas (e depressa...), conhecer a nossa história no essencial e no sentido de formar nos futuros cidadãos o orgulho de ser português, ter os conhecimentos básicos relativos às Ciências, conhecer muito bem a nossa geografia, nomeadamente os nomes das nossas cidades, montanhas, rios (e seus afluentes) e rede dos caminhos de ferro (decorando todas as estações e apeadeiros), saber localizar tudo isto no mapa de Portugal, incluindo tudo o que respeitava às ilhas adjacentes (arquipélagos dos Açores e da Madeira) e também as então colónias de além-mar, assimilar valores tradicionais, nomeadamente: respeito pelos mais velhos e pelos chefes, honestidade, lealdade, humildade, esforço pessoal, amor à família e amor pela Pátria herdada dos nossos antepassados. Tudo valores universais e intemporais, que se vão perdendo, infelizmente.

Claro que, em cima deste diploma, vários outros foram conquistados por mim, ao longo de uma vida pautada por todos esses valores que acima referi.

Mas este, este diploma da 4ª Classe do Ensino Primário (que guardo religiosamente) é o mais importante de todos, para mim!


Clikar na imagem para VER Escolas:


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Memórias dos Tempos


Isidro Moreira Esteves Talaya

11 de novembro de 2019  · 


23 de Maio de 2013, em Tancos, no Dia da Unidade.
Na foto, tenho à minha direita dois Coelhos: o mais novo, António Coelho, no meio e, na ponta, está o meu caríssimo amigo e camarada Sargento Joaquim Coelho.
(foto de Jorge Costa - Asas ao Peito Boinas Verdes)


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Aqui, onde todos os perigos espreitavam, tudo se dividia: segurança, esforço, riscos, alimentos, calor humano, amizade, entreajuda. Tudo.
Esta cena, repetiu-se vezes sem conta entre militares portugueses em missão nas matas africanas de Angola, Guiné e Moçambique.
Algures à volta de Mueda, Moçambique, em 1968, os sargentos pára-quedistas Fernando da Silveira Augusto (conhecido entre nós por "Lagosta") e eu próprio, dividem entre si a pouca comida restante.
Saudações Pára-quedistas, Aeronáuticas e Veteranas! 


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Cuidado com a Educação


Miguel Carvalho está com Sofia Azevedo.


21 de outubro de 2019  · 


Às vezes, paro e penso como é que gostaria de ter chegado até aqui, se os caminhos pelos quais segui foram os certos, se fui feliz até agora. Pergunto-me se as pessoas que passaram pela minha vida foram boas, marcantes e me fizeram crescer. Questiono-me o que aprendi, o que perdi e o que amadureci. E então tenho uma surpresa boa, um sorriso no canto da boca e a certeza de que tudo valeu a pena e que hoje sou quem sou graças a todos estes elementos, aos obstáculos e às aprendizagens. Tornei-me um alguém completo, que sabe dar valor às coisas simples e que aprendeu a confiar em si mesmo e nos outros.


Obrigado a todos os que caminham ao meu lado. Obrigado pelos votos ao longo do dia e pela noite que me proporcionaram.


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Com o que vai por aí, como seria se tivesse os meus 12 anos?


Dormem na cama dos pais até quando quiserem. Deixam o biberão e a chucha quando querem. Só comem o que querem.


- E depois? O que tem de mal?


Anti-sociais aos 11 anos.


Melhor telemóvel a cada Natal.


Surdos com os phones nos ouvidos.


Centenas de amigos virtuais.


Não pensam nos riscos.


Festa social? Se não for top não vou.


Alto grau de exigência. Conseguem tudo o que querem.


- E depois? O que tem de mal?


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Os pais não precisam brincar.


O telemóvel faz isso.


Os pais não precisam ir buscá-los às festas.


O Uber faz isso.


Os pais não precisam cozinhar.


O Ubereats faz isso.


- E depois? O que tem de mal?


Dar um puxão de orelhas? Nem pensar! Criar filhos está " mais fácil", mais cómodo, porque afinal, a criança resolve tudo com o telemóvel.


- E depois? O que tem de mal?


Ler histórias para o filho? cantar músicas e brincarem juntos? Luxo para poucos. Os pais estão desconectados. Precisam de ajuda, mas só aceitam quando a bomba explode.


Pais e filhos por baixo do mesmo tecto, mas diálogo zero. Nem um filme juntos. Mas sempre aparece aquela Selfie de família perfeita. Afinal , o que é importante é mostrar que é feliz e ter 300 likes na foto.


Mal sabem o que é um jogo de tabuleiro.


Pensar é coisa que dói. Fazer a criança pensar parece que é fazê-la sofrer.


- E o que queres ser quando cresceres?


Yutuber. Blooger, Vlogueira Digital Influencer


Estudar. entrar na Universidade, especializar-se...


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Nem pensar! Não sei esperar.


Não sei ouvir não.


Não sei o que é frustração e rejeição.


A culpa é de quem?


Ops... Não se pode falar nisso...


Não se pode e mais nada!


Não se pode dar uma palmada! Não se pode falar alto, não se pode castigar. Não se pode nem dizer não.


E o tempo a passar. Os filhos a crescer.


Drogas e suicídios a aumentar.


Querem tudo para já.


" Venha a nós o vosso reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu".


- E ai do adulto que não disser "amém".


Imagens do Tempo sem Tempo para a Família.


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