segunda-feira, 27 de março de 2023

História de Amor na minha Escola

Amistosa Gratidão… 60 anos depois

Os tempos da vida escolar são um marco importante para a vida inteira. Sendo um tempo de mudança da juventude para a adolescência, nem nos damos conta das repercussões das nossas travessuras no percurso de vida dos nossos companheiros de turma.

Em 2011, fui convidado para o “encontro” de antigos alunos da Escola Primária do Pinheiro, Termas de S. Vicente, coisa interessante! Ora, quem era o principal organizador do evento? Precisamente um companheiro a quem um grupo de “matulões” havia pregado uma partida que deixou a freguesia em polvorosa, com toque de sinos a rebate e intervenção da Guarda Republicana. Mas, tal rebuliço deu em casamento, com grande festa e muitos anos de felicidade.

Vai daí, o dito casal, na comemoração dos 50 anos de casados “Bodas de Ouro”, resolveu convidar os antigos companheiros da escola para um memorável Convívio de “reconhecimento” e gratidão, especialmente, aos promotores do seu prematuro “casamento”!

Então, lá nos encontramos no Monte de Santo António, para um almoço e troca de prendas. Foi um dia festivo que muito nos agradou, pela importância de rever antigos companheiros, alguns vindos do estrangeiro, num CONVÍVIO de revisão de memórias inesquecíveis.

Curiosamente, tal maroteira consta no meu livro “Caminhando Indoooooo…”, espécie de diário que resume as principais peripécias do quotidiano da minha vida. Segue-se um “retalho” do livro onde consta o insólito episódio:  

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 7 - Rumo à escola, com devoção e vingança!

Voltei à escola com mais saber. Apesar de ter contrariado a vontade da professora Maria José, quando pretendeu que todos entrassem na Mocidade Portuguesa, aprendi o suficiente para fazer a 2ª e 3ª classe num ano, a 4ª classe e admissão aos liceus no ano seguinte. Havia turmas mistas, com rapazes e raparigas e, quando a professora ia conversar com a colega da outra sala, deixava-me como responsável pela turma. Ora, era ocasião para me vingar dos alunos com quem tinha contas a ajustar, por causa dos jogos do pião ou das mossas causadas pelas pedras nos “combates” de fim de tarde. Usando o meu saber, punha problemas mais complicados no quadro para todos fazerem; os rapazes, que pedissem para os ensinar, levavam com a cana-da-índia no lombo, mas ajudava as miúdas mais amigas.

Já no último ano escolar, senti os efeitos da inveja de alguns rufiões. Passava todo o ano sem uma reprimenda, o que era motivo de contentamento para o meu pai, mas também para a minha tia Maria e meu avô Manuel. Nas férias do Natal, como de costume, recebíamos panfletos para fazermos peditório para os tuberculosos. Logo no segundo dia à tarde, fui para as Termas de S. Vicente pedir nas lojas, farmácia, pensão Escondidinho e no hotel. Apressei-me a angariar algum dinheiro, com o fito de dar umas corridas com os patins que o meu pai me tinha oferecido quando passei de ano escolar. Calcei os patins e comecei a demonstração, correndo na estrada alcatroada, desde a farmácia até às “meninas do Germaninho” e volta. Como não conseguia subir a rampa até aos correios, levava os patins às costas… quando apareceram dois matulões numa bicicleta, convidando-me para seguir de patins atrás deles. Ainda estava a perguntar como podia ser, já um deles amarrava o cordel no meu braço direito e prendia na traseira da bicicleta. Desceram por ali abaixo, comigo atrás… no fim da recta da bomba de gasolina do Matias, viraram para trás. Lá me fui equilibrando, mas comecei a ficar atrapalhado com tanta velocidade… viraram para o parque dos balneários do hotel! Os patins não andam em piso de paralelos… catrapus, dois trambolhões e tinha a pele do calcanhar direito esgaçada. Os malandros fugiram, mas tive quem me levasse para a farmácia, onde me curaram cuidadosamente.

Passei o Natal acamado, pensando na desforra. Ora, descobri que os tratantes tinham 2 irmãos na escola. Às vezes, pediam para os deixar experimentar os patins… foram no engodo. No final das aulas, para fim-de-semana, um dos ditos calçou os patins e começou a andar, cai e não cai. Expliquei-lhe que se equilibrava melhor inclinando o corpo para a frente e com impulsos à medida que lançava o pé para a frente. Começou a correr… a correr… eu a ver o fundo do recreio sem vedação. À segunda avançada, com mais velocidade, chegou ao fundo, sem saber travar… catrapus, estatelou-se na estrada, duma altura de mais de três metros! Os amigos que assistiam à desastrosa demonstração, levaram-no para a farmácia. Há dias assim… para não rirem de mim!

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A miudagem frequentava a igreja e a catequese. Fiz a comunhão juntamente com a minha irmã Conceição; tivemos direito a roupas lindas. No decorrer da missa de Festa, o padre Adriano fez o sermão e falou que precisava de gente nova para ajudar nas missas; dava lições de latim para ter dois ou três ajudantes na missa – eu comecei a ajudar nas missas e recebia gorjetas quando eram pelos defuntos… que maravilha.

Gostava dos sons do órgão da igreja e dediquei-me a aprender a tocar; dava-lhe um jeito e passei a ser um dos preferidos no acompanhamento dos coros… mas também gostava de tocar os sinos – aquilo era uma festa, a puxar as cordas e vê-los a dar voltas sem controlo! Havia o perigo de levar uma pancada na cabeça e ficar mal… como era pequenote, a rotação do sino passava mais alto! 

A vida ia correndo com normalidade, com o ano escolar quase a acabar, até ao dia em que resolvemos fazer o “casamento” a um casalinho que arrulhava como dois pombinhos, que apanhamos aos beijinhos! Era o Loureiro e a Olinda…

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Juntaram-se meia dúzia de rufiões, alguns repetentes, para fazerem uma cabana na bouça das austrálias, localizada do outro lado da estrada, que ficou pronta em dois dias! No final das aulas, o António Vales, mais o António Barbosa e o Joaquim Bastos agarraram o casalinho e prenderam-nos na cabana, ficando os três matulões a guardar, enquanto eu e o António Moreira fomos até à igreja ver o ambiente.

Quando começou a escurecer, apareceram os pais dos “pombinhos” à procura dos "desaparecidos"... o padre Adriano mandou tocar os sinos a rebate e logo se juntou gente no adro da igreja… gerou-se grande confusão; apareceu uma patrulha da guarda republicana com um jeep… escapamos desta confusão e fomos ver como estava a “cabana”, enquanto a população procurava os desaparecidos e os presumíveis envolvidos na marosca; encontramos os “guardas da cabana” a fugirem bouça baixo e vimos o “casalinho” meio aturdido entre as austrálias… vendo-se livres… correram para a igreja. E tudo acabou na caça aos malfeitores que fugiram com medo dos guardas...

No dia seguinte, juntaram-se as professoras na minha sala de aula, onde o casalinho descobriu a “careca” aos “maus da fita”. As professoras obrigaram todos a acompanhá-las até à igreja… onde o padre Adriano atestou umas bofetadas nos cinco ousados meliantes, seguindo-se a reprimenda num sermão que nos envergonhou!

 Ora, oito anos mais tarde, em 1959, o António Loureiro e a Olinda casaram e foram felizes, sem nunca esquecerem a tramoia que lhes engendramos. Quando nos cruzavamos, nas festas e romarias, olhavam-nos com um sorriso amistoso... mas nunca falamos do caso da cabana.

 

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   O meu quotidiano misturava-se com horas de estudo, recados às mercearias e horas de brincadeiras atrevidas. Também ajudava nas mondas dos milheirais e na sacha. Como em casa do meu avô Manuel só havia refeição melhorada aos sábados e domingos, o tio António incumbia-me de ir até ao campo da Quebradinha, onde andavam as galinhas na apanha dos bichos da terra! Ora, o que ia fazer? Nada mais do que agarrar duas ou três pedras e atirá-las à cabeça das galinhas… se não acertava à primeira, não falhava na segunda! Cuidadosa como era, a tia Maria gestora da quinta, ao fim do dia pedia ajuda para escorraçar as galinhas até ao galinheiro e contar os bicos… “ai que faltam galinhas”… voltava ao campo e lá encontrava as faltosas, mas mortas. “Coitadinhas, o que terá acontecido?” Levava-as para casa e no dia seguinte tínhamos arrozada de galinha especial.

In Livro: “Caminhando Indoooo…” – Edições Sentinela-MAC

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Comparação - Escolas do nosso Tempo:

Do FACEBOOK

Favoritos  - 03-02-2023

Salazar...

Serei um GAJO NORMAL????

Antigamente na escola havia os... ‘burros’... ‘gordos’... ‘caixa de óculos’... ‘sem sal’... ‘pretos’... ‘chineses’... ‘indianos’... ‘artolas’... ‘maricas’... etc.

Os ‘burros’ chumbavam!

Não se tornavam doutores como hoje em dia.

Mas a fasquia era definida pelo “marrão” da turma!

Não era nivelada por baixo, como agora.

Somos todos iguais... diz-se!!!

Antes não parecia que fossemos!

Mas o ‘gordo’ também tinha notas brutais e ninguém sabia como!

Talvez porque não jogasse à bola!

O ‘caixa de óculos’ tinha um sentido de humor inigualável, mas não fazia corridas, pois tinha medo de cair!

O ‘preto’ jogava à bola como ninguém e fazia umas fintas inimagináveis!

Tinha um físico fora do comum!

O ‘chinês’ tinha vindo de outra escola, sabia à brava inglês, e tinha histórias que não lembravam a ninguém.

Cada um tinha um «defeito», até uma alcunha!

Mas tinha ou lutava por ter também outras qualidades.

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Hoje não.

Dizem que somos todos iguais.

Agora, tudo ou é bullying... ou racismo... ou xenofobia... ou opressão... ou assédio... ou violência!

Antigamente, quando se era mesmo racista, levava-se um "chapadão" na tromba e aprendia-se logo que o ‘preto’ era como nós outros!

Apenas tinha cor diferente.

E não era bullying!... Era ‘aprendizagem on job’.

Aprender assim era duro; pois, dói e não se esquece mais.

E às vezes, em casa, com os pais também se ‘aprendia’.

O menino ou menina ‘sem sal’ passava despercebido(a) e sentia-se sozinho(a).

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Ter uma alcunha diferente era fixe.

A diferença era vista com bons olhos.

E aprendia-se uma coisa importante:

- Rirmos de nós próprios.

E não "chorarmos" porque alguém nos chamou isto ou aquilo.

Assumia-se a gordura... o ‘esquelético’... a ‘caixa de óculos’... e tudo o mais que viesse.

Mas quando não se estava bem, quando não se gostava da alcunha, fazia-se uma coisa importante:

- mudava-se, lutava-se por acabar com ela.

Não se culpava os outros nem a sociedade.

Não se faziam ‘queixinhas’ !

E falhava-se... Muitas vezes!

Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte.

E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.

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Agora não.

Todos somos iguais, há mesmo a chamada igualdade de género!

Todos somos bons... todos merecemos... todos temos as mesmas oportunidades... todos devemos até ganhar o mesmo... todos somos vítimas... todos somos oprimidos... e todos somos parvos..…. porque aceitamos este ambiente do ‘politicamente correto’ sem dizer nada… e até devemos dizer que somos ‘normais’.

Segundo o novo paradigma social, devem ter muito cuidado comigo, porque:

- Sou velho ou quase... tenho mais de 50 anos... e quando chegar à reforma, se chegar a tê-la, o que vai fazer de mim um tolo... improdutivo... que gasta estupidamente os recursos do Estado, e:

- Nasci branco, o que me torna racista;

- Não voto na esquerda radical, o que me torna fascista;

- Sou hétero, o que me torna um homofóbico;

- Possuo casa própria, o que me torna um proprietário rico (ou talvez mesmo um latifundiário);

- Gosto de cordeiro de leite... o que me torna um abusador de animais;

- Sou cristão e, embora não praticante, sou um infiel aos olhos de milhões de muçulmanos;

- Não concordo com tudo o que o Governo faz, o que me torna um reacionário;

- Gosto de ver mulheres bonitas bem vestidas (ou despidas), ou super decotadas, o que me torna um tipo capaz de assediar;

- Valorizo a minha identidade portuguesa e a minha cultura europeia e ocidental, o que me torna um xenófobo;

- Gostaria de viver em segurança e ver os infractores na prisão, o que me torna um desrespeitador dos direitos "fundamentais" protegidos;

- Conduzo um carro a diesel, o que me torna um poluidor, contribuindo para o aumento de CO2;

Apesar destes defeitos todos, acho que ainda sou feliz… era mais antes da pandemia… mas, mesmo assim... considero-me um ‘gajo normal’!!

 Desconhece-se o autor, postado por:

José Casimiro Carvalho

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Jogavamos à bola, ao pião, à corda, tanto na escola como na estrada, e faziamos corridas de "motas" de rodas em madeira e rolamentos; quando havia batoteiros, dava porrada e corridas à pedrada - alguns iam com a cabeça a sangrar... no fim eramos todos amigos!

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Também eramos matreiros na malandrice...

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sábado, 18 de março de 2023

Estória de Amor Campestre

Estória de Amor selvagem deu “viagem à Jugoslávia”

   Pois, nos primeiros tempos de Liberdade resultante da revolução de Abril de 1974, começamos a sentir vontade de viajar e conhecer outros mundos e gentes nesta Europa que nos desprezava. As férias eram passadas com casais amigos que tinham filhos como na minha prole. A vida corria de feição para novos conhecimentos e melhorias de relacionamentos mais alargados.

   Comecei a escrever nos jornais uns artigos de intervenção cívica e social que chamaram a atenção de alguns jornalistas como o José Saraiva do JN e o Afonso Praça do “Jornal”, em Lisboa. Logo me desafiaram a colaborar em artigos de opinião sobre as guerras ultramarinas, das quais eu tinha grande espólio por ter andado por lá como combatente operacional Paraquedista e como repórter de guerra. Nessas condições, acompanhei colunas de reabastecimento às tropas aquarteladas no Norte de Angola, região dos Dembos, onde convivi com muitas guarnições de tropas do Exército.

Nem tudo correu como o esperado, porque uma onda de repúdio contra os combatentes que foram desmobilizados e abandonados pelos poderes governamentais criou um ambiente intolerável na sociedade muito perigoso na demagogia dos partidos mais apoiados nos “retornados” que insultaram e acusaram os militares desmobilizados pela desgraça que atingiu muitos milhares de pessoas que tinham as suas vidas bem acomodadas nas colónias.

   Ora, os artigos sobre as guerras ultramarinas foram interrompidos, mas, o director do “Jornal”, Afonso Praça, lançou um concurso literário para um tema “VIDA”, cujo prémio era uma viagem à Jugoslávia. Resolvi concorrer e acabei por ser premiado, com uma “estória” recolhida em tempo de férias campestres.

   Como era habitual, passava parte das férias com a família em casa dos familiares da minha mulher em Bragança. Na procura de Amigos do tempo das guerras ultramarinas, fui parar a Vale da Porca – Macedo de Cavaleiros. Quando me deliciava no passeio junto da ribeira de Vale da Porca, apreciava a natureza paradisíaca e vislumbrei as andanças de um jovem casalinho no meio da vegetação, em modos de descontraído acasalamento, crentes de serem os únicos seres humanos usufruindo daquele ambiente campestre.

   Na procura de Amigos do tempo das guerras ultramarinas, fui parar a Vale da Porca – Macedo de Cavaleiros. Quando me deliciava no passeio junto da ribeira de Vale da Porca, apreciava a natureza paradisíaca e vislumbrei as andanças de um jovem casalinho no meio da vegetação, em modos de descontraído acasalamento, crentes de serem os únicos seres humanos usufruindo daquele ambiente campestre.

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   Subi ao penhasco com vista para a ribeira e por ali fiquei a magicar como aproveitar a ocasião para escrever uma estória com a qual pretendia concorrer ao “Concurso do Jornal” que prometia uma viagem a um de dois países da “cortina de ferro”. Depois de acertar as condições com o jornalista Afonso Praça, dei início à escrita que entreguei em tempo útil para o dito concurso. E, vai daí, cinco meses passados recebi a notícia de ter sido o premiado no tema “VIDA”, tendo possibilidade de fazer a viagem premiada no ano seguinte; o que veio a acontecer para minha grata satisfação em 1978.

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   Então, vamos à estória recolhida no Vale da Porca, terra natal do cantor luso-brasileiro Roberto Leal.     

DONS DA NATUREZA – Vida

   Estamos nos fins da Primavera em que todas as plantas expelem a sua seiva viçosa. As árvores impregnadas de verdores mostram os rebentos e os frutos no ciclo eterno da renovação; nas searas, as espigas de tons doirados são acariciadas pela brisa suave; no céu cor de turquesa aparecem indícios de nuvens pesadas e a atmosfera asfixiante neste vale da Porca vai-se dissipando.

   A languidez desta paisagem banhada de sol e sacudida pelo vento vai-se desvanecendo, e o ar das montanhas morenas vai sendo respirado, com delícia, pelas gentes dos escarpados dos montes. Satisfazendo a solicitude do ambiente bucólico e sensual, apetece fazer coisas divertidas, exaltar a natureza com laivos de loucura em busca da felicidade.

   Os riachos, adormecidos na serenidade das águas, acariciam as folhas que deslizam lentamente no seu insípido silêncio; de vez em quando, são despertados pela presença do calor humano em cânticos graciosos de louvor à colheita dos frutos. Até os frutos maduros se deixam cair, quando uma jovem aproveita a hora da sesta para se banhar, desnuda, nas águas límpidas da represa solitária que serve para regar as hortas!

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   A beleza das flores que contornam as águas rejuvenesce a atmosfera propícia à acumulação das indispensáveis energias para alimentar a chama da vida ciosa de paixões – curiosa fantasia da reconfortante exaltação das delícias do amor casto.

Noé, depois de ter mugido as ovelhas, lava as mãos e a cara enegrecida pelo rigor da labuta entre a poeira resultante do movimento dos animais; enfeita a cabeça com ramagens e põe o cinto de peles já desgastadas. Assim solitário e prenhe de felicidade, caminha até à frescura do riacho… onde encontra a bela jovem na represa.

- Oh! como é bela a natureza, exclama.

   Que surpresa nos seus olhos espectados. Nem as flores dos cactos com figos da índia exalam tanta beleza… deliciosa. Aproxima-se e tenta agarrar aquele fruto doce e sensual, ainda selvagem, e não se atreve a beijar o corpo fresco; de repente, a jovem salta-lhe para os braços… gesto tão inesperado que o deixou estonteado. Ele sente uma picada no coração e treme, quase enlouquece com tantas carícias.

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   Achei por bem afastar-me do ponto de observação, porque entendi, naquele momento tão voluptuoso, que haveria uma ligação amorosa entre aquele par. Fiquei a sós com os lagartos que buscavam mosquitos para seu alimento, ali mesmo junto às rochas onde tinham os seus esconderijos. Não perturbei o silêncio que envolvia a natureza onde aqueles dois jovens se entregavam à poderosa atracção dos corpos sedentos de prazer. Apenas se ouvia o balbuciar feliz de algumas palavras perceptíveis de candura e felicidade… sem alucinações.

- Oh! Como os rouxinóis cantam alegres seus gorjeios flébeis e melodiosos que a minha flauta tenta reproduzir, mas parece amuada… nem só as flores estão com viço, lamenta-se Noé, que continua a divagar: - como eu queria fazer ramos de grinaldas com teus cabelos fulvos que me tocam o corpo num êxtase inebriante!

   Correram para o beiral. A Clarisse parecia iluminada por uma estranha auréola que lhe põe o olhar em chamas. Ainda cheia de lubricidade, cai sobre Noé, numa sofreguidão estonteante, passeia o corpo fresco e viçoso que se retorce sobre o de Noé, excitando-o fortemente. Todo o corpo treme em delirante exaltação… caindo em lascivas posições e lúbricos prazeres; foi-se tornando flácido e imóvel. Adormeceram…

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   Acordaram despidos e entrelaçados, sem se darem conta da hora tardia. Perante tanta formosura, Noé lança-se sobre o corpo da jovem Clarisse, como um animal insaciável! Ela mal teve tempo de despertar do susto e logo sente o seu corpo flexível e delicado ser penetrado numa agitação constante e imparável. Cruzam as línguas ardentes e molhadas… suas naturezas fundem-se numa só! Que devastação. Aniquilados pelas forças puras das montanhas, como que perdidos nos braços dum longo sonho, sentiram seus corpos vibrantes e abrasados em prazeres devoradores dos sentidos ser envolvidos no perfume da brisa leve e criadora da seiva que vertiginosamente penetrou no corpo impúbere da Clarisse.

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   Eram oito da tarde e já as ovelhas baliam…

   Há grande agitação no curral. Perante tanta inquietação, Noé abre o cancelo onde se acomoda o gado…. E fica a tremer!  À frente dos seus olhos, ali mesmo no meio da gravanha, duas ovelhas sofrem as agruras do parto. Parecia uma profecia. Logo no dia em que Clarisse se foi banhar na ribeira, ainda arfando com excitação, longe da maldade do mundo, as ovelhas haviam de parir!

   Limpando o rosto com a camisola esburacada, acudiu ao balir das rezes. Passados alguns momentos de natural atrapalhação, Noé aparece diante da jovem com um lindo anho. Clarisse, surpreendida com aquele rebento da vida, agarra-o com ternura, enquanto o rapaz, alagado em suor, continua a sua inesperada tarefa de parteiro.

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   A singeleza da comoção causada nos dois jovens é fonte de deslumbramento, perante dois seres que se libertaram para a vida num dia de canícula e abundância de momentos felizes – maravilhoso gesto da natureza em reprodução.

Lisboa, Abril de 1977

Joaquim Coelho

Trabalho premiado no Concurso do Semanário, “O JORNAL”, no tema VIDA.

Viagem e estadia de 22 dias num de dois países: Áustria ou Jugoslávia.

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Em 1976 realizei a viagem à Jugoslávia, com bom proveito:

             Aproveitando o prémio do "Jornal", embarquei em Barcelona num cruzeiro passando por Nice, Nápoles, Secília, Bari, Dubrobnik e viajando pela Jugoslávia com lindas cidades e naruteza.

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sábado, 11 de março de 2023

As Mudanças no Tempo

Transição de Gerações

26-01-2023, Patrícia Barnabé

        Nunca pertenci a lado nenhum, e não é feitio, apesar dos pontapés da vida continuo a adorar pessoas, mas nasci numa geração sortuda com uma ingrata herança de país. Na travessia para a democracia, os filhos dos anos 70 em Portugal são uma espécie de saco de boxe existencial numa leeeeenta mudança de mentalidades. Alguns de nós até somos filhos dos pais politizados que fizeram a revolução, devolvendo-nos a liberdade fundamental, os meus heróis, mas a maioria estava noutra ou a tentar sobreviver à miséria. Por isso, as entrelinhas mantiveram-se até há pouco tempo, por isso algumas de nós passaram a vida a tentar encaixar num país novo sem cultura de modernidade. Ou de cidade sequer. Abrimo-nos ao mundo – vimos Portugal entrar na CEE, a chegada dos computadores e dos telemóveis, sem saber que um dia mandariam em nós – mas as cabeças eram quase todas rurais à procura de melhor vida. Com tudo o que tem de esperança e vontade, e o que herda de antiquado e paralisador. Mas o que esperar de um país tantos anos descalço? Podes sair da aldeia, mas ela não sai de dentro de ti.

Lisboa foi sempre uma grande aldeia. Para o bem, quando é comunidade, generosidade, bairrismo castiço e partilha, e para o mal quando espreita a vida alheia pelos cortinados e desconfia do novo e do diferente porque quer que tudo permaneça na mesma. Assim, as raparigas nascidas nos anos 70 tiveram de fazer o caminho todo – com a ajuda da Madonna, nos anos 80 e do rock 'n'roll nos 90 – enredadas em injustos mal-entendidos. A maioria nem sequer reparava nos desníveis sociais, tirando os ricos e os pobres que ainda hoje obcecam a maioria, ninguém pensava nos costumes nem mexia no machismo vigente que, de tão repetido, se tornou confortável. Fora muito bem montado numa subtileza de padrões, tão bem treinados pela igreja e pela ditadura, que pareciam naturais. Até as mulheres jogaram as regras deste jogo viciado, e até o defenderam, não queriam perder o poder da domesticidade e da família, sem reparar que lhe faltavam todos os outros.

Assim, vivemos a duas velocidades. Por um lado, a pasmaceira do mundo real, que também nos deu a qualidade de vida e o silêncio que hoje os estrangeiros velhos e ricos da Europa cobiçam (e sufocam aos poucos); por outro, a velocidade das nossas jovens cabeças, que cedo perceberam que muito permanecia injusto e errado nos costumes. Neste caso, diz-me quem é a tua mãe e dir-te-ei quem és, ainda fomos uma geração de pais distantes. Mas se tinhas a sorte de ter uma mãe moderna, a sorte era afinal um azar porque fazias o caminho das pedras. Nunca fui ensinada a agradar e a seguir, a ser prendada, clássica e mãe de todos, como se usava antigamente, plasmado na Nossa Senhora. Cresci no meio de uma maioria de rapariguinhas amorosas, silenciosas e sacrificiais, que não levantavam ondas, nem expressavam opiniões (que é como "estar morta por dentro" como diz a comediante americana Ali Wong). Mesmo as modernas da minha geração, são quem cozinha lá em casa e trata dos filhos, como dita a velha cartilha, e ainda fazem de conta que gostam, ou encolhem os ombros.

Nós fomos as primeiras a comprar, sozinhas, as nossas casas, carros, férias e vontades, sem pais e sem maridos. Nunca quis ser sustentada. Mas as miúdas independentes eram tão poucas que foram aves raras, invejadas e temidas em doses iguais. Se fosse hoje, éramos incrivelmente sexy, mas fomos só tramadas. Tramadas pelo sistema e pelas outras raparigas. Uma geração depois e esta já parece uma conversa ancestral. Mas se hoje as miúdas badalam a urgência da igualdade de género, e até se dão ao luxo de ser escandalosas, nós crescemos a ser o elefante na sala. Como é natural, o que esta geração apregoa, nós tivemos de sussurrar. Sou do tempo em que ser livre, vegetariana e yogui - e lutar pelas causas da igualdade - era coisa de malucas e de freaks. Hoje é mato. Como usar um piercing ou uma tatuagem, que tinham um forte simbolismo, hoje é banal, até bimbo (para os filhos dos anos 70, o bimbo é mesmo bimbo, agora é moda, o que até pode ter alguma piada); tudo é sistema e todos reclamam a sua fatia de rebeldia, que é cada vez menor.  

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Crescemos na rua, com muitas férias e poucas regras. Os nossos pais largavam-nos tardes a fio ao sol, não pairava ainda o medo da pedofilia, nem do cancro da pele. E como não se sabia quase nada, também perdemos alguns para a aventura das drogas, do álcool e das faixas de aceleração. Talvez por estarmos tão próximos dos elementos, e apesar de alguém nos ter chamado de rascas, somos muito pouco medricas e muito sem merdas. Os nossos valores eram invioláveis. Por exemplo, era regra tratar os mais velhos, os professores, com respeito e alguma deferência por tudo o que ainda não sabíamos. O que nos salvou da arrogância autocentrada da juventude que vemos hoje nas redes sociais. E é claro que respondíamos sempre a um bom dia no elevador. Também fomos a geração que leu livros, porque eram tempo ganho, e ouviu discos do princípio ao fim, cada canção da banda de quem envergávamos uma t-shirt – este era um assunto sério. Qual playlists, só nas festas de garagem, com bolas de espelhos e momento de slows. Crescemos sem ecrãs, o que hoje parece um sonho.

Também arrebatámos os primeiros empregos modernos em áreas que ninguém queria, eram consideradas menores, entretanto tornaram-se cool: do cabeleireiro ao cozinheiro, do stylist ao carpinteiro, do ceramista ao místico. Em terra de cegos, a meia dúzia que tinha olho, conseguiu ser rei, estava tudo por fazer. Tivemos o crédito bonificado e só partilhávamos casa se quiséssemos ou morássemos longe. A grande maioria saiu de casa dos pais aos 20 anos ou tinham problemas. O que faltou? O mundo Erasmus, esse foi o presente da geração seguinte, por isso quero muito testemunhar as pequenas revoluções silenciosas da nova geração, nela revejo o meu amor à ironia e ao sarcasmo e ao poder da individualidade. São muito mais espertos e individualistas, mais preparados e sobreviventes, herdaram um capitalismo selvagem e um planeta a rebentar pelas costuras.

Por isso são desmarcados e cínicos, mais ansiosos e perdidos, nós sabíamos sempre o caminho de casa, como na aldeia, lá está. Fizeram tudo certo, mas sacudiram a melhor qualidade da geração de transição: a ingenuidade. Que não é mais do que um sinal de vida boa e saudável, protegida e até alienada, como a das aldeias, mais uma vez. Fomos muito mimados, porque fomos os primogénitos da liberdade. Tudo era especial e assustador porque era raro e novo. Por isso, às vezes, apetece-me ir viver para o campo.

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Conquistar o AMOR

O FIM DO ROMANTISMO OU

ALGUMAS VERDADES (DESCONFORTÁVEIS) SOBRE O AMOR

"Resumindo: eles já não nos escolhem para dançar no baile, não fazem serenatas debaixo da nossa janela ou escrevem cartas ou canções de amor - o trabalho todo parece sobrar, mais uma vez, para nós."

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Julia Roberts e Richard Gere na comédia romântica 'Pretty Woman', 1990. Foto: Getty Images

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15 DE FEVEREIRO DE 2021 - Patrícia Barnabé

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A vida põe-nos constantemente perante perplexidades e o amor é a maior de todas. Os psicólogos dizem ser o mais desafiante objecto de estudo, mas a observação social é um manancial interminável. As relações espelham muito da evolução de mentalidades, ou o seu contrário. E se o Dia nos Namorados o pinta de cor de rosa e enche de corações, a verdade é que nem tudo são rosas.

Para quem cresceu entre contos de fadas, romances e os clichés das comédias românticas americanas,     alguns moralistas, outros apenas ingénuos, muito teve de desbravar. Fomos afunilados na imagem da família como o reduto único e último do amor. Quando, como escreve Tolstoi em Anna Karenina: "As famílias felizes são todas iguais". A família é adorável, a começar pela minha, mas a pressão social do modelo único esmagou os sonhos de muitas meninas - hoje sabemos que a família pode ser tantas, muitas, outras coisas. Claro que foi uma decepção perceber que não existem príncipes encantados, estava-se mesmo a ver, ou que os finais nem sempre são felizes. E agora que perdemos Christopher Plummer, o capitão Von Trapp de Música no Coração, o melhor é assumir que o romantismo foi vencido pela evidência.

Outra mentira que nos contaram foi que o amor tudo supera. O capitão Von Trapp ficou com a noviça Maria, mas não só ela era consideravelmente mais nova do que ele (um clássico quando eles chegam aos 40) como era muito prendada e sacrificial (outro clássico). E se ela fosse mais velha e escritora, por exemplo? E as suas origens humildes não pesaram na escolha porque é um filme; na vida real, os remediados casam com remediados e só ascendem socialmente se forem talentosos o suficiente para ganhar um status que compense. Um exemplo? Um bom actor casa com uma menina de família. De uma maneira geral, mais do que a inteligência, o carisma ou até a química, o nome e a fazenda valem sempre. Na verdade, só se começou a casar por amor no século XX, o que lançou a confusão numa instituição que, como todas, se quer à prova de bala. Mas foi quando se tornou interessante.

A magia primordial do encontro inescapável é para adolescentes? Sim e não. Mas é verdade que vamos desistindo pelo caminho: embrulhamos o amor num plano de vida, tornando-o funcional. A maioria faz uma lista mental de requisitos para encaixar um par – principalmente as raparigas que, como diz um amigo meu, "têm um plano" – que por sua vez tem de encaixar no modelo social vigente. O mesmo que se emoldura e pousa no móvel da sala sobre o naperon. Como fizeram os pais, e os pais antes deles. Tirando os raros, os que provam que o amor existe, os casais sobrevivem à custa de trabalho e cedência mútua, o que também é bonito, mas pode tornar-se muito pouco sexy. Sou só eu que detesta a expressão: "Este é o meu companheiro"?

A boa notícia é que as novas gerações estão a sacudir isto tudo. A má é que o boy meets girl é, afinal, um girl meets boy. Elas parecem esforçar-se muito mais do que eles, e são as que mais aturam, aguentam e perdoam. Como sempre, como dantes. Para as mulheres, disse-me uma psicóloga de casais em entrevista, o amor é mais central e definidor, por questões históricas e sociais. Não há muito tempo, elas definiam-se pelo homem que ‘conseguiam’ arranjar - e pela urgência de construir um lar. Ser solteirona é diferente de ser solteirão. Depois há a urgência dos filhos que leva a estratagemas ancestrais de sedução e enganos de que não vamos falar aqui agora. Mas quando o amor falha, são mais mulheres a considerar que a sua vida falhou. Eles são menos exigentes na escolha do par e mais preguiçosos nas relações, crianças mimadas pelo patriarcado, muitas vezes deixam-se amar e acomodam-se. E se tiverem um palmo de cara ou algum status depressa têm a seu lado um atento cão de guarda ou uma alcateia de pretendentes que não largam o osso. A mesma psicóloga diz que as mulheres são mais capazes de ‘loucuras’ por amor do que os homens; assim como eles são os primeiros a desistir se uma relação lhes parece dar trabalho - mesmo que ela seja do caraças.

Foram os rapazes que me ensinaram isto tudo: os amigos, porque cresci maria-rapaz, e os namorados mais ou menos consequentes. Felizmente existem os que fogem a sete pés da banalidade, o mundo evolui - mas a maioria não topa da missa a metade. São séculos e séculos a relaxarem um músculo que elas treinaram exemplarmente: se eles mandavam na rua, elas mandavam em casa. Uma vez um amigo meu, que até calha ser giro, disse-me: "Pat, já nem consigo seduzir, para qualquer lado que me vire há sempre uma miúda disponível!" Rimo-nos muito, mas não tem graça nenhuma para as poucas que nunca quiseram jogar esse jogo.

Resumindo: eles já não nos escolhem para dançar no baile, já nem existem bailes, não fazem serenatas debaixo da nossa janela ou escrevem cartas ou canções de amor - o trabalho todo parece sobrar, mais uma vez, para nós. Não paramos de acumular funções desde que começámos a votar e, sem dar por isso, tornámo-nos nas nossas piores inimigas. Vêem-se mais mulheres a competir pelo macho, do que homens a competir pela fêmea como sempre foi costume no reino animal.

Outra coisa que aprendi, a mais importante e sensacional, é que não existe um amor da vida ou para a vida, embora existam pessoas maiores ou que mexem mais connosco - valha-nos essa verdade.

A austríaca Marie von Ebner-Eschenbach diz existirem "mais mentes educáveis que corações educáveis" – e há os que escapam às malhas do socialmente correcto. Assim, os amores sucedem-se com a cadência da sorte e do desencontro e trazem-nos camadas diferentes de magia e quotidiano. É a experiência humana que mais nos devolve o que somos, as nossas forças e as nossas fragilidades, as grandezas e as manias – faz-nos crescer. Se sobrevivermos à pandemia, que tem sido um bom exercício de humildade e geografia emocional, será que a ideia de Apocalipse nos devolverá o romantismo depois da era descartável das redes sociais? Se o mundo precisa de heróis, o AMOR precisa ainda mais – e merece mais liberdade, dedicação, respeito, ombro a ombro como deve de ser. Merece que o tratemos melhor.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Dia dos Namorados em Memória

 

Caminhando ou voando como as andorinhas…

   A serenidade e o respeito são as bases para despertar a admiração ou interesse de pessoas em encontros casuísticos e espontâneos, em qualquer lugar e circunstâncias.

   A tendência para o enamoramento ousado e franco acontecia nas escolas, nas romarias, nos ranchos folclóricos, nos bailes festivos, nas viagens, nos festivais desportivos, nos cinemas. Tudo passava por um olhar atento, um sorriso, umas palavras melodiosas e intensas, um papelinho escrito, um toque atrevido e quando havia afinidade… uma promessa de beijos doces. Foi neste registo que sempre me contentei com o essencial, deixando que tudo acontecesse naturalmente e aprendi que a ambição desmedida pode prejudicar as naturais oportunidades de sermos felizes.

   A obrigação do serviço militar ilibou-me de compromissos sérios, embora os relacionamentos tivessem sempre uma boa dose de respeito, cortesia e afinidade sincera, que se interromperam com desgosto. A ida para a guerra em Angola causou uma mudança drástica de responsabilidades e perigos; em conversa dolorosa com a namorada, descartei a continuação do compromisso para não deixar ninguém à espera do meu  regresso ou não da guerra!

   Nos namoricos anteriores, tive algumas desilusões e aprendi a apreciar com serenidade os comportamentos indecifráveis da juventude. Os primeiros lamentos surgiram por causas externas e mudanças de região, como partida para a emigração ou o Brasil; outros por incumprimento das regras, deslealdade ou comportamentos desviantes, mais evidentes em algumas miúdas de Luanda. Nunca fiquei refém de nada nem faltei à verdade. Parte das minhas namoradas continuam minhas amigas; quando a vida nos aproximou, em circunstâncias apropriadas, retomamos as relações antigas. Cada um com suas vidas, convivemos sem sinais de desagravo ou repulsa, mas com cortesia e respeito.  

    Em homenagem a todos os casais que continuam a privilegiar os dons do namoro, publico algumas memórias com sentido de partilha dos momentos de grande felicidade, os quais fermentaram os condimentos especiais para fortalecer laços de amizade com a profundidade dos amores eternos. O enamoramento permanente é um poderoso elixir da felicidade e faz fluir o que de melhor pode ter o ser humano. O facto de mantermos acesa a chama do amor, evitamos doenças e o desgaste prematuro dos corpos. Os relatos que se seguem podem causar perplexidade pela forma desprendida, ou até leviana, como trato as questões dos relacionamentos, mas demonstram a experiência de vida em movimento concentrado nos valores do respeito e da interpelação amistosa e prestativa em função das oportunidades casuais.  

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CARTAS – Imagem Maravilhosa

    A distância é uma barreira que se opõe ao nosso olhar, mas recordo a magia absorvente do teu corpo e os teus olhos sorrindo ternamente com lampejos de ternura que me animam e ajudam a suportar as adversidades desta guerra. És a imagem maravilhosa, tão límpida e fresca, fixada no meu cérebro para ajudar a combater o meu desalento até à renovação do encontro que teremos um dia... que não será tarde. Isso, meu amor, é um ingrediente que estimula o desejo de puder estar sempre a teu lado; é um gosto como uma embriagues que se apodera de mim, sentimento que enaltece os ditames do destino enobrecendo as emoções que me iluminam o espírito nas horas mais tristes.

   O tempo que alonga esta ausência de nós, pode encurtar o meu grito mas prolonga esta nuvem invisível que torna opacos os nossos olhares, enquanto a magia absorvente do teu corpo me faz acreditar que não há barreiras que travem a expansão do nosso amor. Olhando o céu azul, vejo na transparência da claridade alguns lampejos de ternura que fazem vibrar meu coração e fortificar esta razão de ser feliz. Isto também ajuda a estimular o desejo de terminar este desassossego em que vivo, regressar aos teus carinhos que contagiaram a minha imaginação, de tal modo que os ingredientes harmonizam as emoções que fazem enfrentar as adversidades até encontrar a luz que alumia o nosso destino.

   Também espero que este esforço que vou fazendo na divulgação das palavras certas para combater as injustiças e os atropelas à verdade, mereça a condição de fazer pensar positivamente muitos compatriotas que vivem estes infortúnios na mesma dimensão que me tocam. Pelo menos que ajudem a combater a obscuridade que empobrece a humanidade. Espero ser compreendido com inteligência e sem conotações fanáticas contra as maldades dos adversários. Procura seguir sempre dentro dos parâmetros da razão e da justiça. 

   O mundo está em acelerada transformação e desliza perigosamente para o confronto. Vejo as pessoas cada vez mais egoístas e desumanas, espalhando a maldade e perversidade que vai minando os raciocínios menos prevenidos, levando à perda da delicadeza e da sensibilidade. Assim as ideias perdem força e as inteligências são incapazes de raciocinarem com pensamentos positivos e dignos de acções benéficas para o bem comum.

   Ando em contramão nesta  guerra que me atormenta e causa desalento. Nada é certo em cada saída para o norte, zona de guerra onde o perigo espreita em cada momento; depois de um ano de guerra, começamos a descrer da nossa razão. Sem alarido e sem desgosto, acredita que um dia posso não voltar... mas saberás que foste o meu amparo nos dias difíceis de desânimo e este amor esvoaça sem se perder. Um dia terei com mais alegria os teus carinhos para nos animar o futuro.

Luanda, Março de 1962

Joaquim Coelho

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      ADOLESCENTES

 

Era linda aquela tarde

em que o sol espreitava

por entre as nuvens soltas

como o teu cabelo ondulante

a rabiscar teu rosto airoso

no arraial de santo António,

os foguetes estoiravam no ar

tal como a nossa juventude

esplendor do tempo p’ra amar

estavas envolta na blusa bege

que te cobria os finos ombros

e eu olhei-te… sem rodeios

pus a mão nos laços verdes

que desciam até aos seios.

 

Deixaste sair um sorriso

tão aberto e desprendido…

ansioso, perdi o juízo

ao controlar os movimentos

das mais próximas amigas;

com o olhar esboçavas

curiosidade na minha acção,

mas não quero que me digas

se era a mim que procuravas

um lugar dentro do coração.

 

Discreto, segui teus passos

porque estava no meu dia

sem exílios do coração

e por estares ali presente

na tarde da minha solidão;

 

Eu nunca tinha imaginado

viver os mesmos sonhos

em momento apaixonado

com amor chegando aos pares;

naquela tarde percebemos

o que é a invasão dos corpos

na ternura dos olhares…

envoltos na fantasia da noite

ficamos embriagados de amor

e descobrimos a sensualidade

estimulando com fervor

os sinais vivos da felicidade.

S. Vicente, 17 de Junho de 1956

Joaquim Coelho

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    5 - Clandestino para o Brasil!

    Foi na cidade do Porto que tive relacionamentos de amizade e luxúria com as mulheres que conheci nas festas da cidade, nos hotéis e nas escolas. Os namoros nunca foram arrebatadores, salvo com uma jovem brasileira que veio conhecer os avôs de Sanfins do Douro, permanecendo, com os pais e um irmão mais novo, entre o Porto e as terras do Douro, durante dois meses. Acontece que, dois meses antes da sua chegada ao Grande Hotel do Porto, tive oportunidade de ir para o Brasil jogar hoquei em patins, com a equipa do Vasco da Gama do Rio de Janeiro; mas não tive a necessária autorização do meu pai.

    A Rosa Maria era um encanto de menina da minha idade que, ao fim da tarde, parava pelo segundo andar do hotel a ver as empregadas da camisaria Confiança na arte de confecção. Sempre que tinha vaga no meu trabalho de ascensorista, ia falar com ela, numa perspectiva de namoro. Ela falou com a família e deu conta da minha intenção de jogar hóquei em patins no Brasil. Fui bem aceite e levaram-me a Sanfins do Douro, para conhecer a restante família dos Bolonhas. Quando se aproximava o dia do seu embarque para o Brasil, falei ao meu pai, mas ele não autorizava que eu fosse. Com apoio da Rosa Maria e de um dos seus empregados, preparamos o meu embarque “clandestino” no paquete que partia de Leixões. Enchi uma mala com alguns pertences e utensílios de higiene, escrevi num papel, que afixei na porta do meu roupeiro do hotel, “parto clandestinamente para o Brasil. Rosa Maria no coração”.

    Entrei no paquete pelas dez da manhã, protegido pela Ana Maria e pelos seus empregados, instalando-me nos seus aposentos. Ao princípio da noite, saímos para um dos varandins para ver o mar, sabendo que o paquete saia de madrugada. Pouco mais de uma hora passamos ali - chegou a polícia para me prender! Abraçados e chorosos, os pais da Ana Maria ficaram espantados com a nossa aventura. Acabou ali o sonho do Brasil.

Joaquim Coelho

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    Chegado ao hotel, sofri a chacota dos meus colegas de trabalho, por ter escrito o papel que me traiu! Recuperei desta ingénua desilusão… dedicando-me mais aos estudos de línguas e turismo, com vista a ser Guia-turístico internacional, que muito me fascinava.

 

  VIAJANTES DO AMOR

 

Viajei nas asas do sonho

com o fascínio do enlevo

em terras imaginadas

na lonjura dos afectos

sem horas programadas

para os desejos directos.

 

Praias lindas… um amor

que desponta indeciso…

a menina é um primor

a contornar o meu juízo

natureza viajante

dentro dos neurónios

arquitectando uma cabana

onde se confortam os corpos

carentes toda a semana.

 

Horizontes de terra e mar

praias lindas e caminhos…

sonhos que o acaso criou

na cabana à beira-mar

amor e muitos carinhos

que o tempo fustigou

a vontade de quem ama

no torvelinho da vida

esperança consentida

deitada na mesma cama.

 

          Porto, Setembro de 1957

Joaquim Coelho

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6 – Abandonos Dolorosos

    Depois do curso de Turismo em Londres, fui admitido no SNI e entrei nas actividades de guia-turístico com muita devoção. Era um trabalho empolgante, com bom relacionamento e abundantes situações de visões oníricas. As excursões de francesas dos correios ou das empresas públicas tinham o condão de trazer jovens modernas, com mais sensualidade do que a nossa sociedade. Não namorava mas divertia-me com as moças nos bailes e paródias nos clubes e festas nos Fenianos, Ateneu Comercial, nas Fontainhas, Monte Aventino, Desportivo de Portugal e outros na cidade do Porto.

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    Como o salário do meu trabalho no turismo era modesto, aceitei a sugestão da Dona Ema, virtuosa madrinha do Rancho Folclórico onde eu dançava, para ir trabalhar nos laboratórios da Fábrica Oliveira Sá, propriedade do marido Senhor Eduardo Sá. Para uma melhor prestação no trabalho, entrei para Escola Industrial do Infante D. Henrique; poucos dias depois, comecei a simpatizar com a Mary Fere Muñoz, companheira de turma, espanhola de Pamplona, cujo o pai era delegado de uma empresa espanhola no Porto. Linda como o sol, trejeitos muito mais sensuais do que as portuguesas; durante ano e meio, tivemos um realcionamento de grande cumplicidade e foi o meu encanto até ir para a tropa.

    Ao saber da minha nomeação para a guerra de Angola, fiquei desolado e resolvi despedir-me de todas as amigas e da namorada. Precisamente nos dias que vagueei pelo Porto, sem coragem para ir a casa despedir-me da família, quando almoçava na adega do Quim, na Rua da Madeira, uma sobrinha dele prontificou-se a ser “madrinha de guerra”! Levei a direcção e escrevi duas vezes, deixando de escrever a todas as outras amigas e namorada.

  SOY ADORMECIDO

                     a la  Mary Fere Muñoz

Como la flor muerta

   que vive sola

yo tengo en mi corazón

   como una piedra suelta

la vida y tu razón…

 

En las noches de plata

  soño con tu amor,

el sueño es vida no vivida

e tu no te dás cuenta

deste que no te olvida!

 

Yo soy adormecido…

la vibración de mi alma

es el recuerdo de ti.

 

Mientras, pido a Dios

con sentida devoción

 amor por nosotros

e que la vibración

    de mi alma

no seya ilusión…

  Porto, Março de 1959

Joaquim Conejo

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    Em Angola, havia demasiada oferta de miúdas para namorar, gozar e viver a vida. Entre períiodos nas zonas de guerra, dias em reportagens e tempo para descanso em Luanda, a vida era um desafio intermitente com o sofrimento entre capinzais e as delicias lúbricas nos recantos aconhedores dos jardins. Como escrevia para os jornais e revistas, comecei a ver endereços de mulheres do Brasil, França, Canadá, Itália…  com as quais me correspondia e era informado do modo de vida daqueles países.

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    Ao regressar a Portugal, soube que a “madrinha de guerra” Laurinda, sobrinha do Quim da adega,  havia casado com o José Carvalho, meu camarada de armas! Numa conversa amistosa que tivemos, entreguei-lhe uma fotografia da Laurinda e desejei-lhes boa sorte.

    Escrevi à Mary Fere e recebi resposta da irmã Felícia dizendo que a Mary Fere tinha casado, por nunca mais saber de mim! Que aa família vivia em Pamplona e que gostava de corresponder-se comigo até à Festa Internacional da Juventude marcada para o Verão de 1963. Uma vez que nos conheciamos do tempo em que esteve com a família no Porto, trocamos cartas e fui encontra-la em Lisboa, onde combinamos outro encontro nas Festas de S. Fermin de Pamplona. Para lá fui, tendo passado dias maravilhoso com a Felícia, ao ponto de sairmos do meio da algazarra das largadas de toiros e irmos espairecer para o meio de um canavial que ficava perto da antiga praça de toiros… belíssima ideia, momentos de afagos delirantes.

Mas, no decorrer dos três dias da Festa Internacional da Juventude, conheci a Paola, uma italiana esbelta de Brescia, que estudava em Milão; combinamos e fui passar uma semana com ela, que correu calorosamente. Enviou-me desenhos de cenas de circo eróticas, muito sugestivas. Mas a distância e dificuldade de entendimento interrompeu a ligação…

Ainda na Festa de Lisboa, conheci a Maria Olívia, de Bragança, amiga da namorada do meu amigo e camarada de armas Humberto Nogueira. Poucas semanas depois, viajei com o Nogueira, na moto dele, até Bragança. A Livinha era muito jovem e irreverente; passeamos e divertimo-nos na Feira das Cantarinhas e na praia do rio Sabor. Trocamos correspondência e ficamos bons amigos… nada mais, porque tinha namoradas perto do quartel de Tancos.

Enquanto andava na guerra em Moçambique, fui presenteado com umas férias na metrópole e em cinco paises da Europa e reatei o namoro com a Maria Olívia, que já trabalhava em Lisboa. Depois de regressar da guerra em Moçambique, casamos e fomos felizes, compensados com três filhos encantadores. Coitada, não resistiu a tumores malignos e metástases, morreu cedo.

Joaquim Coelho

In Livro: "Apologia do Romântico" - Edições Sentinela-MAC

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domingo, 12 de fevereiro de 2023

O Combatente em Apuros

EU não Fui por aí! Tal como o José Régio…


A minha incorporação no Serviço Militar obrigatório, em 1960, causou-me diversas perturbações na vida profissional, mas nunca imaginei as atribulações que estavam para acontecer com o início da guerra em Angola e as contingências com as dificuldades que tive de ultrapassar e que me fortaleceram a “coragem de vencer”.

A passagem da Força Aérea para as Tropas Pára-quedistas teve um efeito semelhante a um renascer para a vida activa: ao integrar uma unidade militar de alta performance especializada na preparação de homens para combate e apurados valores humanísticos e patrióticos, com a disciplina bem aprumada e o aperfeiçoamento dos saberes para decisões mais acertadas, melhorei mais a auto-estima; uma grande quantidade de aparelhos e formas de preparação física bem equilibrada para resistir ao esforço e vencer as caminhadas, com mais sentido de ajuda e camaradagem no entendimento dos interesses de grupos antagónicos ajuda na percepção das contradições dos incompetentes e contribui para melhorar a percepção da democracia dentro da comunidade castrense.

Tive a sorte de encontrar um oficial conhecido do tempo no Colégio João de Deus, que me induziu a escolher a nobre especialidade de Pára-quedista militar, em vez da desertar para França (por estar mobilizado para Angola sem a necessária preparação para a guerra), dei o passo mais importante da minha vida no sentido da afirmação que o meu avô materno me incutiu entre os oito e doze anos de idade, fazendo jus à sua ponderação e sabedoria – “a cidadania plena está no saber enfrentar as realidades com sentido de responsabilidade e seguir o rumo sem arrependimentos; olhar demasiado tempo para trás só nos atrapalha a visão do futuro”. 


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Tenho que pedir desculpa aos meus Instrutores e mestres, que se esmeraram na preparação de homens para avançarem com determinação contra as hostes inimigas e cumprirem as regras da disciplina sem vacilarem; porquanto, nem sempre aceitei a imposição de princípios arcaicos de alguns chefes bacocos e, às vezes, recusei andar ao toque do clarim.

 Por essas e por outras, sofri as consequências nefastas do confronto de ideias e represálias disciplinares, incluindo quando recusei mudar de curso na Academia Militar, o que levou o Director do serviço do Estado-Maior da Força Aérea a determinar a minha ida para Moçambique, por imposição! E, já em Moçambique, fui incomodado pelos tenentes Castro Gonçalves e Ramos Lousada, por desentendimentos na conduta operacional e conceito da disciplina militar.

As aparentes condições desfavoráveis da minha vida militar, em Moçambique, tiveram algum efeito positivo na articulação com os demais companheiros de jornada, onde dei mais importância à correcção das debilidades e ao incutir sabedoria aos soldados, contrariando as tendências da bajulação aos oficiais que me presentearam com processos disciplinares sem fundamento.

Ora, por ter contrariado as ordens do comandante de grupo, quando estávamos debaixo de fogo inimigo numa emboscada complicada, e ter assumido o comando e impedido o oficial de qualquer poder, meses mais tarde sofri represálias e fui detido. Escrevi ao Chefe do Estado-Maior da Força Aérea pedindo um “Inquérito”, que foi deferido e, ao fim de oito meses fui ilibou de culpas num processo disciplinar absurdo, onde me acusaram de contribuir para o fracasso do assalto a um acampamento inimigo, por ter contrariado as ordens de “abater tudo que mexer”, incluindo crianças.

Na sequência do dito “Inquérito” disciplinar, o comandante Argentino Seixas tomou a absurda decisão de  me proibir de usar armas militares por um longo período (andei pelo mato na missão de vague-mestre, fornecendo a melhor alimentação possível), enquanto continuei chefe do armamento do batalhão!!! Para afrontar o “sistema”, requeri à PSP autorização para comprar uma pistola civil (tendo o comandante do batalhão assinado a certidão de aptidão, necessária), a qual usei no cinturão durante seis meses!!!

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Por estas e por outras! Eu não fui por ali.

Com base nos conhecimentos recolhidos através das notícias transmitidas para os “telex” nas redacções dos Jornais onde escrevia, tinha um entendimento mais abrangente dos contornos internacionais das guerras ultramarinas, como demonstro nos textos publicados e a publicar em Blogs e Livros.

Antes de mais, junto dos soldados que me acompanharam, sempre salientei três premissas fulcrais para vencer: seguir para o objectivo com todas as cautelas, aplicando os ensinamentos recebidos; atacar com precisão e regressar sem baixas; perceber se houve fuga de inimigos, regressando por caminhos dispersos para evitar emboscadas: “Em qualquer operação, se tivermos baixas, por mais quantidade de armas apreendidas ou inimigos abatidos, saímos sempre diminuídos e frustrados”.

Desta forma, fui ultrapassando barreiras inconcebíveis, amenizava os confrontos e continuava o meu caminho.

Nem a censura, nem os bajuladores me travaram a caminhada que prossegui com determinação, de quando em vez, torpedeado cobardemente, como a tentativa de me humilharem com a “curta” detenção no fortim da ilha do Ivo (a mais de 1.500 km do quartel!)

Se tivesse ido por onde queriam que fosse, não teria chegado aqui, teria sucumbido à trama dos maldosos e dos bajuladores incompetentes!

Desculpem o desabafo; mas, há situações que jamais esqueceremos, tal foi o impacto do tormento de ser detido e levado “secretamente” para bem longe dos meus camaradas de armas.

NOTA: Para compensar os que me perdoarem… público uma receita de vitalidade no final do livro, que devem ter em conta para melhorar a saúde.

Publicado in: “Coragem de Vencer”, pelas Edições Sentinela-MAC


Clik no Link para VER:  


https://vaidinamite.blogspot.com/2023/01/atribulacoes-do-combatente.html


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   VIVER COM SAÚDE



 


Nascemos da Natureza, pelo que devemos viver o mais perto da sua essência. Os cuidados com a alimentação são fundamentais para vivermos mais e melhor.

Aos Amigos e Amigas deixo SUGESTÕES capazes de melhorar:


1 – A vitalidade física e mental;


2 – O estado imunitário, prevenindo as doenças mais comuns;


3 – O metabolismo celular, Sistema Linfático e funcionamento do organismo.


MISTURA REVITALIZANTE – Normal


Para pessoas com baixa vitalidade e dificuldade em dormir.


O consumo de bebidas alcoólicas deve ser moderado.


- Comprar um frasco de Mokambo, TOFINA ou BRASA (misturas com café).


Retira 3/4 para outro frasco de reserva e guarda bem fechado.


No restante 1/4 junta


- 140gr de Linhaça moída


- 80gr de Aveia integral


- 20gr de Sésamo, em grãozinhos


- 30gr de Canela moída, em pó


- 3 colheres de sopa cheias de Cacau. Para DIABÉTICOS, só uma colher.


O frasco não deve ficar cheio, para poder misturar muito bem.


A linhaça e os outros produtos vendem-se em lojas tipo biológicas.


Misturar 1 colher de sopa no leite, chã ou cevada quente, juntando 2 colheres de chã cheias de mel para pequeno-almoço.


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Cuidados com a ALIMENTAÇÃO, tal como consta nos ANEXOS:


- ALIMENTOS Saudáveis;  FRUTAS e Legumes; DIETA – DIABÉTICOS


ATENÇÃO AO COLESTEROL:


- O LDL-C desejável é de até 130 mg/dl. Os pacientes nesse grupo devem receber informação geral sobre dieta e factores de risco, e os níveis de colesterol total e de HDL-C devem ser reavaliados em 2 anos. O limite de alto risco do LDL-C é de 130 a 150 mg/dl. A presença de factores de risco determina o tratamento.


Alimentos sem restrições: Cereais, legumes e verduras, frutas, iogurte desnatado, aveia, gelatina, pão integral, queijo branco, mel.


Alimentos com moderação: Sementes oleaginosas (nozes e amendoim), óleos (soja, milho, girassol), farinhas em geral, ovos, carne de porco fresca.


Alimentos com alto risco: Carnes gordas, pele de frango, camarão, lagosta, miúdos embutidos, chocolate, leite integral, creme de leite, bacon, empanados, frituras, presunto, mortadela, salame, queijos amarelos, margarina.


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MELHORAR  A VITALIDADE,


Compromissos a adoptar na alimentação saudável:
1. Tomar o pequeno-almoço todos os dias;
2. Comer 4 porções de fruta ou legumes por dia;
3. Não estar mais de 4h00 sem comer;
4. Fazer exercício físico três vezes por semana;
5. Manter o organismo hidratado, bebendo água e moderar bebidas alcoólicas;
6. Confeccionar alimentos com menos sal, gordura e açúcar;



  1. Na toma de comprimidos, espaçar pelo menos 30 minutos entre cada um.

  2. Não tomar analgésicos ou antipiréticos com estômago vazio.


Para manter o organismo mais protegido contra a doença, melhorando o Sistema Imunitário, especialmente nos 20 dias antes de intervenções cirúrgicas severas, tratamentos com quimioterapia e fisioterapia, gripes ou pneumonias, tomar:


- BECOZYM C plus – em dias alternados com o Viterra Classic, dia sim dia não.


- Para boa circulação sanguínea e imunidade, tomar, duas vezes por semana, Fisiogen ferro, Stugeron, Magnésium OK, Vitamina C e Vitamina D3; para o cérebro, tomar Fosfoglutina B6.


- ALKA-SELTZER, efervescente, 1 comp. 2 horas antes de dormir.


NOTA: O Alka-Seltzer pode ser tomado de 2 em 2 dias como meio de desintoxicação do organismo, ajuda a melhorar o sistema cardiovascular e melhora disposição. Pode ser substituído por 1 colher de chã de ENO azul.


EXERCÍCIOS FÍSICOS Simples:


- Com os braços distendidos para a frente, fazer a tesoura cruzando os braços e abrindo para os lados do tronco com energia, em 2 insistências - até 10 repetições;


- Com os braços distendidos para a frente, em paralelo, levantar acima da cabeça


e baixar forçando para trás, em duas insistências cada – até 10 repetições;


- Deitado na cama, de costas, braços distendidos ao longo da cabeça, levantar as pernas e pedalar como se fosse em bicicleta - até 20 repetições.


Fazendo estes exercícios todos os dias, melhora o equilíbrio, a oxigenação do corpo e a circulação sanguínea.


NOTAS IMPORTANTES: ÁGUA – como a água é ligeiramente ácida, deve adicionar 1 colher de chã de sal marinho em cada garrafa de 1,5lt, para alcalinizar e proteger contra tumores cancerígenos. Aplicando os cuidados e sugestões acima referidas, é possível melhorar a vitalidade do corpo em cerca de 20 a 30%. Temos sugestões para prevenção e vitalidade.


- Vivamos com saúde, desfrutando cada momento da Vida com alegria e fulgor.


Alimentos Saudáveis: Alho, abacate, ameixas, abacaxi, azeite, salmão, atum, sardinha,


brócolos, frutos vermelhos, vegetais de folha verde, tomate, beterraba, beringela, repolho roxo, couve-flor, banana, papaia, iogurte, frutos secos, chá verde, uva, vinho tinto. Usar chãs de Alecrim, Hortelã, Salsa, Cidreira, casca de Laranja e chã Verde.


Composto por Joaquim Coelho – bioquímica aplicada     - e-mail: jotasousa39@gmail.com

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Preparar os Caminhos

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Porque Auto-estima é muito importante para nos mantermos firmes e lúcidos, transcrevo as seguintes afirmações da Psicóloga Joana Gentil Martins:

A autoestima é hereditária?

A autoestima não é hereditária, mas sim aprendida, o que significa que as interações são muito importantes e podem moldar a nossa percepção sobre nós mesmas! A ligação do bebé com a mãe ou com os cuidadores, as primeiras interações com a família, com a escola, com os colegas e professores, experiências que vamos tendo ao longo da vida, a própria sociedade e época em que vivemos têm impacto no desenvolvimento da nossa autoestima. Se tivermos tido experiências negativas ao longo da nossa vida, como por exemplo sofrer de bullying na escola ou no trabalho, ter tido uma educação rígida e fria, ter pais muito autocríticos e que não elogiam, recebermos constantes críticas destrutivas, educação ou trabalhos muito exigentes, relações disfuncionais, traições, traumas, abusos sexuais e/ou emocionais, temos uma maior probabilidade de ter desenvolvido até agora uma autoestima baixa e de ter desenvolvido crenças negativas sobre nós mesmas, sobre os outros e sobre o mundo. Todos estes são fatores comuns em pessoas com baixa auto-estima.


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Penso que as pessoas devem parar e refletir sobre si mesmas. Trabalharem, o que nós chamamos de autoconhecimento. Questionarem-se sobre como se sentem em relação a si mesmas, como é o seu diálogo interno, se tem ajudado ou se prejudicado, como são os comportamentos que têm tido, têm ajudado a viver uma vida com qualidade ou por outro lado uma vida mais angustiada? Começar pelo autoconhecimento é fundamental. E para isso, no meu livro, Torna-te o Amor da tua Vida, têm vários exercícios que são um bom ponto de partida.


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É importante termos o nosso momento de auto-reflexão e avaliarmo-nos a nós próprios, conhecendo-nos primeiro. Porque o que os outros dizem sobre nós é com base nas suas lentes, nas suas experiências e crenças. Gosto muito de uma frase, que até cito no livro que diz "é muito mais importante o que pensamos de nós próprios do que aquilo que opinam sobre nós"(Séneca). Quanto às redes sociais é importante que tenhamos um olhar mais atento e saibamos que nem tudo o que está nas redes sociais é exatamente assim ou, pelo menos, que não representa a realidade total das pessoas. Temos a tendência de publicar a melhor foto, a melhor edição e está tudo bem nesse aspeto, devemos mostrar o que nos sentimos confortáveis de mostrar. No entanto, para quem consome, deve lembrar-se que há uma seleção do que é posto online, que não é a realidade completa. Para além disso é importante que se entenda que o número de gostos e seguidores não define o valor de cada pessoa.

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