segunda-feira, 27 de março de 2023

História de Amor na minha Escola

Amistosa Gratidão… 60 anos depois

Os tempos da vida escolar são um marco importante para a vida inteira. Sendo um tempo de mudança da juventude para a adolescência, nem nos damos conta das repercussões das nossas travessuras no percurso de vida dos nossos companheiros de turma.

Em 2011, fui convidado para o “encontro” de antigos alunos da Escola Primária do Pinheiro, Termas de S. Vicente, coisa interessante! Ora, quem era o principal organizador do evento? Precisamente um companheiro a quem um grupo de “matulões” havia pregado uma partida que deixou a freguesia em polvorosa, com toque de sinos a rebate e intervenção da Guarda Republicana. Mas, tal rebuliço deu em casamento, com grande festa e muitos anos de felicidade.

Vai daí, o dito casal, na comemoração dos 50 anos de casados “Bodas de Ouro”, resolveu convidar os antigos companheiros da escola para um memorável Convívio de “reconhecimento” e gratidão, especialmente, aos promotores do seu prematuro “casamento”!

Então, lá nos encontramos no Monte de Santo António, para um almoço e troca de prendas. Foi um dia festivo que muito nos agradou, pela importância de rever antigos companheiros, alguns vindos do estrangeiro, num CONVÍVIO de revisão de memórias inesquecíveis.

Curiosamente, tal maroteira consta no meu livro “Caminhando Indoooooo…”, espécie de diário que resume as principais peripécias do quotidiano da minha vida. Segue-se um “retalho” do livro onde consta o insólito episódio:  

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 7 - Rumo à escola, com devoção e vingança!

Voltei à escola com mais saber. Apesar de ter contrariado a vontade da professora Maria José, quando pretendeu que todos entrassem na Mocidade Portuguesa, aprendi o suficiente para fazer a 2ª e 3ª classe num ano, a 4ª classe e admissão aos liceus no ano seguinte. Havia turmas mistas, com rapazes e raparigas e, quando a professora ia conversar com a colega da outra sala, deixava-me como responsável pela turma. Ora, era ocasião para me vingar dos alunos com quem tinha contas a ajustar, por causa dos jogos do pião ou das mossas causadas pelas pedras nos “combates” de fim de tarde. Usando o meu saber, punha problemas mais complicados no quadro para todos fazerem; os rapazes, que pedissem para os ensinar, levavam com a cana-da-índia no lombo, mas ajudava as miúdas mais amigas.

Já no último ano escolar, senti os efeitos da inveja de alguns rufiões. Passava todo o ano sem uma reprimenda, o que era motivo de contentamento para o meu pai, mas também para a minha tia Maria e meu avô Manuel. Nas férias do Natal, como de costume, recebíamos panfletos para fazermos peditório para os tuberculosos. Logo no segundo dia à tarde, fui para as Termas de S. Vicente pedir nas lojas, farmácia, pensão Escondidinho e no hotel. Apressei-me a angariar algum dinheiro, com o fito de dar umas corridas com os patins que o meu pai me tinha oferecido quando passei de ano escolar. Calcei os patins e comecei a demonstração, correndo na estrada alcatroada, desde a farmácia até às “meninas do Germaninho” e volta. Como não conseguia subir a rampa até aos correios, levava os patins às costas… quando apareceram dois matulões numa bicicleta, convidando-me para seguir de patins atrás deles. Ainda estava a perguntar como podia ser, já um deles amarrava o cordel no meu braço direito e prendia na traseira da bicicleta. Desceram por ali abaixo, comigo atrás… no fim da recta da bomba de gasolina do Matias, viraram para trás. Lá me fui equilibrando, mas comecei a ficar atrapalhado com tanta velocidade… viraram para o parque dos balneários do hotel! Os patins não andam em piso de paralelos… catrapus, dois trambolhões e tinha a pele do calcanhar direito esgaçada. Os malandros fugiram, mas tive quem me levasse para a farmácia, onde me curaram cuidadosamente.

Passei o Natal acamado, pensando na desforra. Ora, descobri que os tratantes tinham 2 irmãos na escola. Às vezes, pediam para os deixar experimentar os patins… foram no engodo. No final das aulas, para fim-de-semana, um dos ditos calçou os patins e começou a andar, cai e não cai. Expliquei-lhe que se equilibrava melhor inclinando o corpo para a frente e com impulsos à medida que lançava o pé para a frente. Começou a correr… a correr… eu a ver o fundo do recreio sem vedação. À segunda avançada, com mais velocidade, chegou ao fundo, sem saber travar… catrapus, estatelou-se na estrada, duma altura de mais de três metros! Os amigos que assistiam à desastrosa demonstração, levaram-no para a farmácia. Há dias assim… para não rirem de mim!

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A miudagem frequentava a igreja e a catequese. Fiz a comunhão juntamente com a minha irmã Conceição; tivemos direito a roupas lindas. No decorrer da missa de Festa, o padre Adriano fez o sermão e falou que precisava de gente nova para ajudar nas missas; dava lições de latim para ter dois ou três ajudantes na missa – eu comecei a ajudar nas missas e recebia gorjetas quando eram pelos defuntos… que maravilha.

Gostava dos sons do órgão da igreja e dediquei-me a aprender a tocar; dava-lhe um jeito e passei a ser um dos preferidos no acompanhamento dos coros… mas também gostava de tocar os sinos – aquilo era uma festa, a puxar as cordas e vê-los a dar voltas sem controlo! Havia o perigo de levar uma pancada na cabeça e ficar mal… como era pequenote, a rotação do sino passava mais alto! 

A vida ia correndo com normalidade, com o ano escolar quase a acabar, até ao dia em que resolvemos fazer o “casamento” a um casalinho que arrulhava como dois pombinhos, que apanhamos aos beijinhos! Era o Loureiro e a Olinda…

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Juntaram-se meia dúzia de rufiões, alguns repetentes, para fazerem uma cabana na bouça das austrálias, localizada do outro lado da estrada, que ficou pronta em dois dias! No final das aulas, o António Vales, mais o António Barbosa e o Joaquim Bastos agarraram o casalinho e prenderam-nos na cabana, ficando os três matulões a guardar, enquanto eu e o António Moreira fomos até à igreja ver o ambiente.

Quando começou a escurecer, apareceram os pais dos “pombinhos” à procura dos "desaparecidos"... o padre Adriano mandou tocar os sinos a rebate e logo se juntou gente no adro da igreja… gerou-se grande confusão; apareceu uma patrulha da guarda republicana com um jeep… escapamos desta confusão e fomos ver como estava a “cabana”, enquanto a população procurava os desaparecidos e os presumíveis envolvidos na marosca; encontramos os “guardas da cabana” a fugirem bouça baixo e vimos o “casalinho” meio aturdido entre as austrálias… vendo-se livres… correram para a igreja. E tudo acabou na caça aos malfeitores que fugiram com medo dos guardas...

No dia seguinte, juntaram-se as professoras na minha sala de aula, onde o casalinho descobriu a “careca” aos “maus da fita”. As professoras obrigaram todos a acompanhá-las até à igreja… onde o padre Adriano atestou umas bofetadas nos cinco ousados meliantes, seguindo-se a reprimenda num sermão que nos envergonhou!

 Ora, oito anos mais tarde, em 1959, o António Loureiro e a Olinda casaram e foram felizes, sem nunca esquecerem a tramoia que lhes engendramos. Quando nos cruzavamos, nas festas e romarias, olhavam-nos com um sorriso amistoso... mas nunca falamos do caso da cabana.

 

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   O meu quotidiano misturava-se com horas de estudo, recados às mercearias e horas de brincadeiras atrevidas. Também ajudava nas mondas dos milheirais e na sacha. Como em casa do meu avô Manuel só havia refeição melhorada aos sábados e domingos, o tio António incumbia-me de ir até ao campo da Quebradinha, onde andavam as galinhas na apanha dos bichos da terra! Ora, o que ia fazer? Nada mais do que agarrar duas ou três pedras e atirá-las à cabeça das galinhas… se não acertava à primeira, não falhava na segunda! Cuidadosa como era, a tia Maria gestora da quinta, ao fim do dia pedia ajuda para escorraçar as galinhas até ao galinheiro e contar os bicos… “ai que faltam galinhas”… voltava ao campo e lá encontrava as faltosas, mas mortas. “Coitadinhas, o que terá acontecido?” Levava-as para casa e no dia seguinte tínhamos arrozada de galinha especial.

In Livro: “Caminhando Indoooo…” – Edições Sentinela-MAC

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Comparação - Escolas do nosso Tempo:

Do FACEBOOK

Favoritos  - 03-02-2023

Salazar...

Serei um GAJO NORMAL????

Antigamente na escola havia os... ‘burros’... ‘gordos’... ‘caixa de óculos’... ‘sem sal’... ‘pretos’... ‘chineses’... ‘indianos’... ‘artolas’... ‘maricas’... etc.

Os ‘burros’ chumbavam!

Não se tornavam doutores como hoje em dia.

Mas a fasquia era definida pelo “marrão” da turma!

Não era nivelada por baixo, como agora.

Somos todos iguais... diz-se!!!

Antes não parecia que fossemos!

Mas o ‘gordo’ também tinha notas brutais e ninguém sabia como!

Talvez porque não jogasse à bola!

O ‘caixa de óculos’ tinha um sentido de humor inigualável, mas não fazia corridas, pois tinha medo de cair!

O ‘preto’ jogava à bola como ninguém e fazia umas fintas inimagináveis!

Tinha um físico fora do comum!

O ‘chinês’ tinha vindo de outra escola, sabia à brava inglês, e tinha histórias que não lembravam a ninguém.

Cada um tinha um «defeito», até uma alcunha!

Mas tinha ou lutava por ter também outras qualidades.

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Hoje não.

Dizem que somos todos iguais.

Agora, tudo ou é bullying... ou racismo... ou xenofobia... ou opressão... ou assédio... ou violência!

Antigamente, quando se era mesmo racista, levava-se um "chapadão" na tromba e aprendia-se logo que o ‘preto’ era como nós outros!

Apenas tinha cor diferente.

E não era bullying!... Era ‘aprendizagem on job’.

Aprender assim era duro; pois, dói e não se esquece mais.

E às vezes, em casa, com os pais também se ‘aprendia’.

O menino ou menina ‘sem sal’ passava despercebido(a) e sentia-se sozinho(a).

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Ter uma alcunha diferente era fixe.

A diferença era vista com bons olhos.

E aprendia-se uma coisa importante:

- Rirmos de nós próprios.

E não "chorarmos" porque alguém nos chamou isto ou aquilo.

Assumia-se a gordura... o ‘esquelético’... a ‘caixa de óculos’... e tudo o mais que viesse.

Mas quando não se estava bem, quando não se gostava da alcunha, fazia-se uma coisa importante:

- mudava-se, lutava-se por acabar com ela.

Não se culpava os outros nem a sociedade.

Não se faziam ‘queixinhas’ !

E falhava-se... Muitas vezes!

Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte.

E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.

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Agora não.

Todos somos iguais, há mesmo a chamada igualdade de género!

Todos somos bons... todos merecemos... todos temos as mesmas oportunidades... todos devemos até ganhar o mesmo... todos somos vítimas... todos somos oprimidos... e todos somos parvos..…. porque aceitamos este ambiente do ‘politicamente correto’ sem dizer nada… e até devemos dizer que somos ‘normais’.

Segundo o novo paradigma social, devem ter muito cuidado comigo, porque:

- Sou velho ou quase... tenho mais de 50 anos... e quando chegar à reforma, se chegar a tê-la, o que vai fazer de mim um tolo... improdutivo... que gasta estupidamente os recursos do Estado, e:

- Nasci branco, o que me torna racista;

- Não voto na esquerda radical, o que me torna fascista;

- Sou hétero, o que me torna um homofóbico;

- Possuo casa própria, o que me torna um proprietário rico (ou talvez mesmo um latifundiário);

- Gosto de cordeiro de leite... o que me torna um abusador de animais;

- Sou cristão e, embora não praticante, sou um infiel aos olhos de milhões de muçulmanos;

- Não concordo com tudo o que o Governo faz, o que me torna um reacionário;

- Gosto de ver mulheres bonitas bem vestidas (ou despidas), ou super decotadas, o que me torna um tipo capaz de assediar;

- Valorizo a minha identidade portuguesa e a minha cultura europeia e ocidental, o que me torna um xenófobo;

- Gostaria de viver em segurança e ver os infractores na prisão, o que me torna um desrespeitador dos direitos "fundamentais" protegidos;

- Conduzo um carro a diesel, o que me torna um poluidor, contribuindo para o aumento de CO2;

Apesar destes defeitos todos, acho que ainda sou feliz… era mais antes da pandemia… mas, mesmo assim... considero-me um ‘gajo normal’!!

 Desconhece-se o autor, postado por:

José Casimiro Carvalho

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Jogavamos à bola, ao pião, à corda, tanto na escola como na estrada, e faziamos corridas de "motas" de rodas em madeira e rolamentos; quando havia batoteiros, dava porrada e corridas à pedrada - alguns iam com a cabeça a sangrar... no fim eramos todos amigos!

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Também eramos matreiros na malandrice...

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