terça-feira, 23 de novembro de 2021

Um Forasteiro com o Tripeiro

Tertúlia de Poesia da Revista "O TRIPEIRO"


Nos meus tempos de vida prazenteira na cidade do Porto, onde frequentei cinemas, salões de jogos, tascas e bailes nas ruas típicas das Fontainhas, Anselmo Braancamp, Eirinhas, Monte Aventino, e acompanhei excursões de franceses e turístas de diversos países, nem sempre a caminhada foi uma linha recta e luminosa. Por ser interventivo e persistente, sofri os efeitos da inveja e da ingratidão; mas também fui apoiado por pessoas que apreciavam as minhas qualidades humanistas, apaziguadoras, livres de preconceitos e sedentas de aprendizagem.


Tudo começou por influência do Padre de Valpedre (onde vivi até aos 7 anos de idade) e do senhor Álvaro Machado, prestigiado director do Grande Hotel do Porto e pai de uma professora do Colégio João de Deus, (vizinho e amigo do meu pai na Rua do Heroísmo), fui estudar naquele colégio, como trabalhador-estudante. Ora, tudo correu bem e fui aparicado por ser um bom tocador de órgão na capela, até que comecei a construir "galenas" (rudimentares aparelhos de captação de ondas de rádio), que vendia aos alunos; por ser considerado indiciplinado, fui castigado e expulso, precisamente antes da semana das provas finais do 1º cíclo liceal (conclui exames no Liceu D. Manuel II).


Todos os amigos entenderam que fui vítima de inconcebível injustiça e logo o Director do Grande Hotel me admitiu como acensorista, com um pequeno salário, alimentação e fardamento de grumete. Fui aconselhado a frequentar cursos de inglês e francês, o que me facilitou entrada no concurso de guias turístricos promovido pelo SNI (Serviço Nacional de Informação). Bafejado pela sorte, fui proposto pelo Senhor director Álvaro Machado e aceite pelo proprietário do Grande Hotel do Porto, senhor António Maria Lopes, para frequentar a formação de guia-turístico.


Depois de ter concluído o curso de formação Turística em Londres, deambulava pelos locais típicos da cidade e deliciava-me com  os grandes bailes nos Salões do Ateneu Comercial do Porto e Fenianos, locais de encontros e paixões, onde predominavam os distintos logistas da Rua de Passos Manuel e Santa Catarina, conhecidos da minha actividade de  guia-turístico. Sabendo dos meus escritos contundentes de intervenção cívica e social, confrontaram-me com a hipótese de participação na Tertúlia de Poesia organizada por um dos grandes suportes da Revista "O TRIPEIRO", de nome António Sardinha. Casualmente, sabiam do prémio de Poesia que me foi atribúido em 1973, pela Editorial Inova, e da celeuma protestativa contra a Censura que apreendeu o livro premiado: "Tempo Presente, poemas da guerra e da paz".


Ora, eu que não tinha grande afinidade com a Poesia, vejo-me recordado com alma de poeta!


Apresentei meia dúzia de poemas, que foram aceites para participar e tiveram direito ao "Diploma de Honra", no 70º Aniversário da Revista. Por ser de grande referência pelas causas do Porto, aqui deixo algumas cópias de capas.


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