quarta-feira, 1 de agosto de 2007

As Garras do poder...

 


 




 


 



 



                                       AS GARRAS DO PODER


 


Uma revolução amadurecida e calma


floreceu com as angústias da guerra


que cinzelou homens capazes


de rescindir com a própria alma


repondo direitos e liberdades


para ajustar o homem às necessidades


 


Mas os cobardes uniram-se aos traidores


entraram no comboio da nossa alegria


deram abrigo aos compadres bajuladores


e conduziram a “nossa” revolução


para o inferno da ingratidão


 


Agora, olhamos pela janela


e nem queremos acreditar


na estreiteza da viela:


vemos um país a definhar


e os mentores da revolução


escondidos na escuridão


das guerras feitas sem normas


acomodados e sem impulso


desfrutam das boas reformas


e os cobardes encavalitados


nas cadeiras do poder avulso


bem falantes deputados-vilões


empertigados e duvidosos doutores


porfiam as administrações


que lhes oferecem favores.


 


As garras dos governantes soberanos


ditam leis que causam danos


na vida dos servos machos,


de tão arrogantes e sem vergonha


são uma praga de peçonha


agarrados aos melhores tachos


 


Ao suprimirem reais direitos


do futuro que é o nosso


ficar quieto não posso


nem ignorar a voz da razão


dos portugueses patriotas


que deram luz à libertação


 


Essa gentalha da política podre


engorda que nem um odre


e já arreganha os dentes


aos ingénuos combatentes


de espingardas feitas de cravos


trata-os como indigentes


e fazem dos cidadãos seus escravos.


 


Contra a injustiça medonha


que nos causa sofrimento


e sobressaltos na velhice


não aceito a ladainha enfadonha


da conjuntura da nação…


porque será grande tolice


dar tréguas a essa escumalha


sem pensarmos na insurreição.



 


 


                             


 


 


 





 

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