sábado, 1 de setembro de 2007

AO VENTO QUE PASSA



 


   


        SERÁ ILUSÃO?


 


Não pudemos consentir a ilusão


de que a vida se exprime nas emoções,


mesmo comprimidos contra o tempo


que nos confunde a verdade da razão


e atrofia a fluidez do pensamento.


 


Eu não posso consentir este sufoco


que nos atrapalha os sentimentos


e atira para o oceano das tristezas


onde a bebedeira é mais um copo


para demolir as últimas certezas.


 


Não deixarei que baralhem a natureza


que os homens desdenham impunes


pois, estou certo que a luz do sol


há-de brilhar com mais firmeza


desde o amanhecer ao arrebol.


 


Este é o modo para quebrar a rotina


que faz definhar a minha pátria;


tal como na longínqua floresta


combato quem conspira em surdina


e envenena a sociedade que nos resta.


 


Eu hei-de libertar os pensamentos


acorrentados aos ideais do consumo


que estrangula a vida aos deprimidos;


pois, se não fogem desses tormentos


vão acabar doidos e falidos.


 





 


 


 


        PRETENSÃO


 


Sem renegar os caminhos


que outros me vão traçando


neste tempo de usuras,


vou cantando às estrelas


os versos sem pergaminhos


porque os homens às escuras


não vêm as coisas belas


 


vou dar liberdade ao vento


para abanar os egoístas…


talvez assim tenha mais paz


mais amor e menos ciladas


 


vou adocicar o sentimento


e transformar os imbecis


em bestas sofisticadas.



 


 





 


 





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