A DESENVOLVER...
TRATADOS DE ROMA
Nunca o imperador César Augusto
conseguiu dominar os lusitanos
nem a generosa protecção de Zeus
entusiasmou este povo da terra
que nos legaram valiosos feitos
nos descobrimentos sem causar dano
ensinaram o cultivo sem guerra.
Nem a eloquência dos cânticos de Ovídio
conjugados na prosa de Horácio
conseguiram enganar este povo
que sempre confiou no seu querer
evitando caminhar sem a penosidade
dos males que as estranhas divindades
prometidas pelos invasores romanos.
Nunca pensaram encontrar o inferno
dos subsídios que os tratados ofertaram
para desmantelarem as hortas e as searas
e deixarem os campos à míngua de verdura
perdido o esplendor da natureza
tudo está à mercê dos mecenas europeus
que aniquilam as últimas sementeiras
e traçam as incertezas do futuro
deste povo penhorado e sem jeiras
assombrado no perjúrio do escuro.
Ermesinde, Março de 1993
A MALDIÇÃO DO PÓ
Percorro algumas ruas de Lisboa
desde o Castelo até à Madragoa,
já alta vai a noite das incertezas;
encontro os ninhos de escorpiões
espalhando a novidade maldita
prenunciadora de terríveis males.
Arrastam-se como perigosos vilões,
na escuridão das vielas sombrias;
olham de soslaio, estes escabrosos
morcegos assassinos de todos os dias,
na sinistra missão de sugar o sangue
aos incoerentes e desgostosos
fáceis presas das garras negras!
Tanta desgraça que espalhais
na insaciável sociedade pardacenta;
tolheis os olhares sonolentos
de gente com existências apagadas,
perdida na penumbra da verdade.
Onde o medo não tem limites,
espalhais o pó ávido da desgraça
e já caídos na valeta, a voracidade
obriga à vileza astuta, imaginária
forma de desgraça tenebrosa
onde chafurdais, gente ordinária
da horrenda corja mafiosa.
Rende-te enquanto não toca o sino,
e deita fora tudo o que não presta,
passando droga, és um assassino
e da vida já pouco te resta!
Lisboa, Março de 1981
ARMA ASSASSINA
O perigo ensarilha a vida dos incautos
que se abeiram dos venenosos escorpiões;
ninguém se libra da dolorosa ressaca
nas horas negras cheirando a morte,
acreditar no êxtase da fantasia, é ver
o sol nas noites negras de cortar à faca!
Enquanto não te enredas nessa merda,
abandona a tese das horas sonolentas;
antes de entrares na estranha vereda
onde sugam o sangue de vidas cinzentas,
abre os olhos para o céu e grita... grita
um grito forte que te livre da desgraça!
Acredita na razão da verdade infinita
que te pode libertar da densa neblina;
faz um esforço para saíres da clausura
onde só vegetam vidas tenebrosas,
não tenhas medo da vida sem lisura,
saboreia as coisas mais gostosas!
Ermesinde, Maio de 1999
DIFERENÇAS!
"Todos os homens nascem livres e iguais; se depois,
decidem casar-se, a culpa é deles." Sophie Loeb
"A mulher preocupa-se com o futuro até encontrar marido;
o homem começa a preocupar-se com o futuro quando
encontra mulher." Albert Camus
"Basta uma mulher para destruir o paraíso.
O homem e a mulher nasceram para se amarem,
mas não para viverem juntos. Todos os amantes célebres
viveram separados." Noel Clarasó
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