Viajando e Voando pelo Mundo
Na minha caminhada da vida, tive boas oportunidades de viajar e conhecer pessoas com outras maneiras de viver. Para além da vontade de viajar, tive a sorte de trabalhar em empresas que me destacavam para outros países com tecnologias mais avançadas, onde colhia formação com vista ao desenvolvimento participativo da sociedade, melhoria da produção e criação de riqueza em Portugal.
Comecei a gostar de viajar desde a juventude… depois de ser selecionado para um Curso de formação de guia turístico, em Londres, por conta do Senhor António Maria Lopes, dono do Grande Hotel do Porto, onde fui apadrinhado pelo Director Álvaro Machado, amigo do meu pai.

Terminado o curso, concorri ao lugar de “Guia Turístico” no SNI do Ministério respectivo, ficando entre os três primeiros e ser admitido. Trabalhei durante três anos com turistas na cidade do Porto e fiz acompanhamento de duas excursões, em autocarro, no circuito europeu. Desde aí, senti uma grande apetência para viajar e conhecer outras terras e outras gentes, tendo aproveitado as oportunidades que foram aparecendo, tanto na formação profissional como nas reuniões de colectividades e competições de Paraquedismo.
Quando destacado para a guerra ultramarina, em Angola, nos intervalos entre operações e descanso, viajava por diversas cidades angolanas, tanto em reportagens como em turismo. Parte das vezes, tive a companhia de amigas-namoradas com bons conhecimentos das terras de Angola, onde tinham familiares a trabalhar.

Enquanto repórter e militar operacional em terras de Moçambique, aproveitei o conhecimento com mais de uma dúzia de pilotos ex-militares, antigos camaradas da Força Aérea e, nos locais onde houvesse aeródromos militares ou civis, esperava a passagem de qualquer deles com seus táxis aéreos e lá seguia viagem, à boleia. Mesmo sem ser o destino pretendido, voei e aterei em cidades ou vilas por todos os países africanos a sul do deserto do Sahara, além de Madagáscar, ilhas Comores e Maldivas.
Durante o tempo de serviço em Moçambique, colaborei no desvio de um avião da Força Aérea da Zâmbia, carregado de militares e famílias, para Lourenço Marques. Acompanhei o Engº. Jorge Jardim, principal administrador das empresas de António Champalimaud e Manuel Bullosa em Moçambique, nas reuniões com Ian Smith, presidente da Rodésia do Sul, pedindo ajuda militar contra o bloqueio naval da Inglaterra ao porto da Beira – guerra do petróleo; do que resultou o enviou de quatro aviões de combate para a Beira, reforçando a Força Aérea Portuguesa de prevenção contra a frota inglesa (um porta-aviões de três fragatas) estacionada ao largo da costa moçambicana. Uma semana depois, chegaram à Base Aérea 10-Beira 4 aviões caças modernos e um bombardeiro Camberra.

Tive viagens com inesperados percalços, mas sempre com satisfação pelos conhecimentos adquiridos, como em aventurosa reportagem junto das tropas americanas no Vietname, para onde viajei com apoio de dois oficiais americanos que conheci na Rodésia do Sul como negociantes de mercenários desmobilizados da guerra do Vietname. Em colaboração com jornalistas do Paris Match, passei três dias em reportagem na guerra do Líbano com Israel, em 1982.

Anos antes de fazer reportagens das primeiras manifestações políticas no Kosovo e mais tarde na Bósnia e Croácia, viajei como turista num cruzeiro marítimo a partir de Barcelona para o Mar Adriático passando por Nápoles, Sicília, Bari, Dubrobnik e visita à antiga Jugoslávia até Belgrado.

Ainda nas missões de reportagem de guerra, a pedido e com o apoio logístico da família Ramchand, comerciantes paquistaneses que conheci em Moçambique e vieram para Portugal em 1975, desloquei-me a Caxemira, onde permaneci cinco dias ao abrigo de familiares desses comerciantes; não obtive os esperados resultados de reportagem porque a intensidade dos bombardeamentos da aviação indiana não dava margens para andarmos em segurança.
Enquanto repórter e Paraquedista desportivo, andei por diversos países da Europa, incluindo a Hungria e Israel. Nas diversas circunstâncias de viajante (turista, formação profissional e paraquedismo), estive em cerca de 70 países e convivi amigavelmente com as pessoas de mais de trinta, onde colhi bons conhecimentos de usos e costumes dessas populações.

Das variadas vivências nesses países e convívio com pessoas de outras culturas, religiões e tradições, colhi ensinamentos para uma natural adaptação às situações mais incríveis de convivência pacífica e salutar percepção das diferenças, bem como das igualdades que nos aproximam em qualquer parte do planeta, numa onda de solidariedade por um mundo melhor e mais acolhedor para todos.
Vila Nova de Gaia, Fevereiro de 2016
Joaquim Coelho



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