

O autor, Joaquim de Sousa Coelho
Natural das Termas de S. Vicente, Penafiel, cedo rumou à cidade do Porto, na condição de trabalhador-estudante no Colégio João de Deus.
Depois da formação em “Guia Turístico” no International Career Institute de Londres, mostrava a cidade do Porto aos turistas e frequentava os ensaios do Teatro Experimental do Porto, nas traseiras do Grande Hotel, no tempo em que era dirigido pelo grande António Pedro, entre 1955-60; aí conheceu os poetas Egito Gonçalves e Papiniano Carlos; colaborou com o poeta e professor Pedro Homem de Melo, na Escola do Infante D. Henrique e na apreciação dos Ranchos Folclóricos que apresentava na RTP do Monte da Virgem; a proximidade destes distintos poetas aprimoraram a sensibilidade do Joaquim Coelho para a poesia.
Tempos depois de regressar da tropa (1969), encontrou dois desses conhecidos poetas numa festa de homenagem ao Professor Óscar Lopes, realizada no Académico do Porto; teve a sorte de mostrar os escritos em tempo de Repórter de guerra e poemas dos “diários de guerra” em Angola e Moçambique, os quais mereceram uma boa crítica e logo se prestaram a colaborar na preparação de um livro com a finalidade de participar no concurso que a Editorial Inova estava a organizar. Decorria o ano de 1972. Escolhidos 178 poemas, formatou-se o livro que foi levado a concurso. Destacavam-se os poemas sobre o tempo da guerra do ultramar. Por decisão do Júri, ganhou o "Prémio de Poesia Inovação", com direito à publicação do livro. Dias antes da distribuição do livro, a Comissão de Censura interferiu e a PIDE apreendeu o molho dos poemas.
Mais tarde, o acervo de escritos dispersos (parte deles publicados em jornais e revistas) mereceu a atenção dos seus camaradas de armas, companheiros de trabalho e investigadores universitários e culturais, entre os quais o jovem médico e investigador de acção cívica, social e cultural João Semedo, que incentivaram e desafiaram o Joaquim Coelho a levar à estampa as narrativas com “estórias” dos tempos da guerra, das vidas comuns da sociedade e influentes nas vidas dos amigos e colaboradores profissionais. Com este novo impulso, nos anos 80 e 90, vindo dos camaradas Pára-quedistas, com insistência na publicação das reportagens de guerra, num tempo em que se procurava limpar as guerras coloniais da história de Portugal, a Clássica Editora publicou “O Despertar dos Combatentes” com grande sucesso, cá e além-fronteiras; pois, os críticos da Academia Francesa atribuíram-lhe o Prémio “Récit Homérique”, em 2006 – melhor narrativa.
A euforia livreira do autor, com tal distinção, foi brutalmente abafada pelos efeitos nefastos de dois tumores malignos, que conseguiu eliminar numa luta de três anos. E, os amigos investigadores universitários, encontrarm diversos artigos de relevante interesse social e cívico, publicados em jornais nos anos 80 e 90, contactaram o Joaquim Coelho e voltaram a mexer nos papéis para preparar novas publicações, com especial destaque nas interessantes narrativas de uma vida cheia de peripécias que causam inveja a muitos aventureiros de nomeada universal.
A condição de humildade e serenidade, na postura do autor Joaquim Coelho, causa espanto e respeito aos colaboradores das Edições Sentinela, os quais muito agradecem.

A MINHA POESIA
Os meus versos podem compor histórias de coisas simples, das coisas que amo, da vida dolorosa dos combatentes, do mundo em que eu amo imenso - o meu. Pode ser um amontoado de palavras, mas é o eco da vida em tons graves, em alegre paródia ou em deleitosos enlevos que fazem parte de mim e que tento conservar como prolongamento dos meus dias.
Assim, na minha poesia voa o meu pensamento tocado pela sensibilidade que me emociona e impõe alguma arte de transmitir as imagens de esperança, para retocar as memórias.
O rosto é um poema em formação… e a voz um sussurro delicioso que tento descodificar, porque vem de dentro como um chamamento que se vê nos generosos olhos anilados!



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SINGELO TRIBUTO AOS MESTRES
Gente importante no desvendar do meu percurso na escrita e no melhor entendimento da sociedade humanista e solidária.


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Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues foi um escritor português nascido em Moçambique e radicado no Porto desde a infância.

Caminhemos Serenos
Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.
De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade
caminhemos serenos.
Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.
O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.
No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
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Cântico
Belo é ver florir os galhos
das velhas árvores.
E ver chegar as aves
que voltam do Sul.
Belo é o sangue rubro
dum lanho fresco,
e o riso que nasce
das nossas palavras.
Belo é o vir da manhã
sobre os telhados nus
das cidades brancas.
E mais belo ainda
que este sol visível
enflorando, amor,
teus longos cabelos
de guizos dourados:
mais belos que os ventos
cavalgando as nuvens
e dizendo-nos: vinde!,
e que o meu gênio abrindo
suas asas nos céus:
Mais belo que o fluir
silente desta célula
fluindo nos cosmos:
Mais belo, amor,
que a tua própria beleza
é este sol inviolável,
rútilo, no fundo de nós.
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José EGITO de Oliveira GONÇALVES, poeta, tradutor, editor e ator.
Nasceu na freguesia de Matosinhos, foi preso pela PIDE na madrugada de 29 de Abril no ano letivo em que frequentava o 7.º ano de Letras no então Liceu Nacional D. Manoel II. De origem camponesa transmontana, pelo que teve um ambiente familiar com essa componente rural e com o marítimo urbano da vila em que nasceu junto da cidade do Porto.
Iniciou-se na crítica de cinema em Ponta Delgada, como crítico do ‘Cine-Jade’; o seu primeiro texto publicado, no ‘Correio dos Açores’ em 1943 (quando já tinha regressado a Matosinhos), foi o ‘Poema para os Companheiros da Ilha’.
Passou a residir no Porto desde 1948 até à sua morte, tendo vindo a casar nos anos 50 com Fernanda Gonçalves que foi atriz no Teatro Experimental do Porto (TEP).
Em termos profissionais, foi administrador duma Editora e chefe do Gabinete de Marketing duma Companhia de Seguros.
A sua intensa atividade de divulgação cultural e literária concretizou-se, a partir dos anos 50, na fundação e/ou direção de diversas revistas literárias que foram importantes para a divulgação da poesia portuguesa neorrealista e surrealista dos anos 50 e 60 do séc. XX:

O Fósforo na Palha
Aos meus olhos
a cidade organiza
a sua tristeza.
Uma cintura aperta
a asfixia.
Um furo mais.
Um riso eleva-se
e sou eu que rio
sou eu que amo.
Auxílio a cidade
a suportar.
Um furo menos.
Não há pedras bastantes
para o nosso túmulo.
Sitiados
Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
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João Pedro Furtado da Cunha Semedo
(Lisboa, 20 de junho de 1951 - Lisboa, 17 de julho de 2018) foi um médico, investigador cultural e político português.

João Semedo foi médico. Presidiu ao Conselho de Administração do Hospital Joaquim Urbano (SNS), especializado em doenças respiratórias e infeciosas. Autor de diversos projetos-lei na área da Saúde, entre os quais os que conduziram à aprovação das leis de prescrição de genéricos, do estatuto do dador de sangue, do acompanhamento nos serviços de urgência, da carta dos direitos dos utentes do SNS (tempos de espera), da dispensa gratuita de medicamentos após alta hospitalar e do testamento vital.

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