O Imaginário Premiado
Decorria o ano de 1977, na efervescência da revolução de Abril, quando fui desafiado pelo director de uma Revista (Século Ilustrado), conhecida da época, a escrever a crónica de uma viagem imaginária a um pais da “cortina de ferro”. Naturalmente, nos anos turbulentos que se seguiram a 25 de Abril de 1974, havia grande curiosidade em sabermos como seria a vida dos cidadãos do outro lado do muro.
Recolhi informações e dados que me permitiram imaginar a viagem nas proximidades de Moscovo, onde havia rios, prados e grandes parques, com restaurantes e clubes de diversão familiar, além de clubes desportivos e de lazer para a juventude.
Acontece que o Diário de Notícias teve a mesma oferta, mas para uma "estória" da vida em Portugal. No período de férias de 1977 fui para Trás-os-Montes, onde escrevi a estória com laivos de amores selvagens.
Ver a Histório de Amor campestre, Clik na Imagem:
A narrativa foi convincente, ao ponto de ter sido premiada com uma viagem real a um de três países à escolha: Áustria, Bulgária e Hungria. Ora, por exclusão de partes, já conhecia a Áustria desde 1967, a Bulgária parecia ser pouco atractiva… escolhi a Hungria, atendendo às informações positivas em três dimensões: capital dividida pelo rio Danúbio, clima aprazível e mulheres charmosas.
Em Julho de 1978, embarquei num moderno avião turbo hélice, da MALEV, com destino a Budapeste, Hungria. Durante as visitas a locais históricos, empresas de referência, cooperativas agrícolas, centros culturais, centros turísticos e conferências internacionais, relacionei-me com pessoas gestoras das actividades de diversas áreas sociais e culturais, onde encontrei um português, Engenheiro numa fábrica de computadores e praticante de paraquedismo no Clube Balaton, bem como uma intérprete turística com estágio no Brasil, que me ajudaram a entender melhor a vida naquele país.

Nos vinte dias do plano de visitas oficiais, consegui participar num Torneio de paraquedismo no Clube Balaton e demonstração com saltos para o rio Danúbio, em Budapeste e para a ilha Margarita, com equipas de França, Alemanha, Bélgica, Suissa, Checoslováquia, Áustria e Soviéticos (o Eng. Mário Borges, algarvio e refractário militar, forneceu-me equipamento, muito mais avançado do que o nosso, apresentou-me praticantes meus conhecidos de torneios e campeonatos internacionais de França e Bélgica, com os quais confraternizei alegremente); ainda, fui convidado pelo Centro Recreativo da Juventude de Budapeste para um grande festival de música em três locais: num grande parque com anfiteatro para mais de 3.000 pessoas, onde apresentavam música clássica da parte de tarde e música variada, incluindo dança e pop, à noite; música de baile num dos centros turísticos do Lago Balaton e no centro de repouso da Associação de Jornalistas Húngaros, com palestras, centros de convívio internacional, refeições e dormidas.

Em CONCLUSÃO:
Em combóio, autocarro e bus eléctrico, viajei por seis cidades importantes: Budapeste (capital), Esztergon (cultura) e Pécs (histórica), integrado no Grupo de 16 jornalistas de 14 países (alguns africanos); fora do controlo oficial do grupo, visitei Eger e Thany (agricultura); participei num torneio de paraquedismo em Siófok; procurei integrar-me na vida quotidiana local, onde verifiquei diversas formas de vida na Hungria:

1 – Toda a gente trabalhava, mesmo os mais endinheirados (descendentes dos antigos imperadores e governantes); se alguém ficasse sem emprego por iniciativa própria ou patronal, era contactado pelo Ministério do Trabalho que lhe indicava novo local de trabalho.
2 – As pessoas tinham um nível de vida bastante estável, onde o Estado garantia assistência médica gratuita, gestão da vida das crianças desde a nascença até ao ensino superior; as escolas e empresas organizavam os períodos de férias de modo a que todos usufruíssem de lazer e planos ocupacionais para a juventude: os planos compreendiam tempo de férias gratuitas, tempo de prestação de serviço a meio tempo nas estâncias turísticas (trabalhos de serventia nos hotéis, restaurantes e limpezas), serviços de colheitas nas cooperativas agrícolas (com centros de alojamento, alimentação, recreio e jogos); os zíngaros estavam integrados como músicos nos conjuntos que tocavam em restaurantes e nos serviços de apoio à restauração. Enfim, uma sociedade muito bem organizada e harmoniosa.
3 – Privilégios pouco comuns nos países de leste: os trabalhadores podiam ter uma habitação do estado a baixos custos, mas também podiam construir uma moradia, em parceria com outros, como casa de campo ou férias, cujos terrenos eram fornecidos pelo Estado. Podiam ter dois automóveis: um modesto e outro de mais luxo, desde que tivessem posses para tal. Encontrei jornalistas, descendentes dos antigos imperadores, com fortunas na Suissa, usufruindo alegremente das benesses dadas pelo Estado aos cidadãos comuns. Os salários permitiam viver razoavelmente bem com 80% dos ganhos; no entanto, os bens de consumo importados do ocidente eram tremendamente caros, porque havia produção dos países de leste semelhante e muito baratos. Só podiam passar férias fora do país, de dois em dois anos, para evitar saída de divisas para o ocidente.
- Durante a visita ao complexo siderúrgico Dunaújváros (cidade com mais de 50 mil habitantes construída para apoio ao complexo industrial que empregava cerca de 16 mil trabalhadores), aproveitei a presença do Eng. Mário Borges, português, para solicitar ao Director da Siderurgia permissão para um “estágio de formação”, uma vez que fabricavam uma qualidade de aço bastante lucrativa e que interessava ao meu trabalho na Siderurgia Nacional E.P.; o sujeito aceitou apresentar o assunto ao Ministro da Indústria… seis meses depois, recebi autorização e desloquei-me lá para um “estágio de 15 dias” , realizado em Julho de 1979; pois, esta nova gama de aço passou a fabricar-se na Fábrica da Maia, da Siderurgia Nacional E.P.
Viagens imprevistas, mas vantajosas para conhecimento e lazer.
Vila Nova de Gaia, 1 Maio de 1980
Joaquim Coelho














Engenheiro Informático português e Paraquedista na Hungria,
que me ajudou a conhecer o país e participar num torneio de Pq.
A moça era atleta de basquetebol.























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