CRÓNICA do CONFINAMENTO - QUIETUDE MARAVILHOSA
Mas que quietude maravilhosa bela e doce encontro junto à capela do Santuário da Senhora da Conceição, no Monte da Virgem. É um prazer reconfortante passear à volta da capela e sentar nos degraus que circundam o monumento à Santíssima Padroeira de Portugal, onde absorvo a vitamina D que o Sol me dá com a bondade de um astro rei.
Além de me recompor do desgaste nas missões que me são habituais, recarrego energias complementares para prosseguir nas minhas canseiras com os desprotegidos que nos gritam, desesperados, pedindo socorro para os seus males, agravados com as perdas de rendimentos, sedentos de comerem uma refeição decente; pois, os salários abruptamente cortados lhes trouxe a fome e o tormento desesperante de se verem à porta da pobreza. Muitos destes infelizes, perdidos nos labirintos duma administração pública tacanha e desumana, sentem o agravamento das suas doenças e padecimentos, porque deixaram de ter dinheiro para aquisição dos necessários medicamentos. Tenho a sorte de trazer comigo os Amigos voluntariosos, que se revezam no apoio aos mais carenciados, o que muito me conforta e fortalece.
Assim reconforto a mente para atenuar os terríveis efeitos da clausura forçada institucionalmente pelos poderes ocultos! A pretexto da propaganda da pandemia que o coronavirus espalha ardilosamente, as pessoas deste planeta único e inigualável, temporariamente paralisado e agradecido pela diminuição da poluição que tanto aflige os poderosos dominadores das nossas vidas, não se dão conta da tragédia que se aproxima.
Olhamos para as localidades que rodeiam este lindo monte e vislumbramos os dramas que se abatem sobre as famílias confinadas e desprotegidas, vivendo à míngua de escassas ajudas que ainda temos prestado na linha da solidariedade dos membros do MAC – Movimento Cívico de Antigos Combatentes. Com esforço particular de um escasso número de pessoas, conseguimos colmatar a falta de medicamentos em Farmácias locais, além do fornecimento de refeições a algumas famílias, com especial atenção aos Antigos Combatentes.
Do alto deste monte acolhedor vemos, a norte, a imponente Ponte de São João, obra grandiosa do polémico e determinado Engenheiro Edgar Cardoso, por onde não passam comboios por estarem confinados às estações de S. Bento e Campanhã. A determinação oficial confinou as pessoas, imobilizou os meios de transporte e deixa um previsível futuro de desgraça social e psíquica.
Chegado à Ponte do Infante, sinto receio de entrar na cidade do Porto, tal é a determinação das autoridades em nos manietarem e ameaçarem com represálias e multas. Aproveito para olhar as águas serenas do rio Douro, sem vislumbrar qualquer viatura ou pessoas por estas paragens com vistas para as cinco pontes que embelezam esta invicta cidade paralisada. A rigidez das regras deixou as pessoas reféns da paralisação dos transportes, isoladas nos seus aposentos, resilientes no consumismo desenfreado, com o futuro empenhado.

Ah, como sinto esta brisa suave que me purifica os pulmões e o sol a alimentar o sistema imunitário com esperança de nunca ter encontros indesejáveis com o tal coronavírus que tantos estragos está a provocar no nosso descanso e desconcertante modo de vida. Só que, o prolongamento do confinamento trará um rasto de fome e de miséria e muita gente com a mente gravemente perturbada, com sequelas mentais e físicas incalculáveis.
Custa-me aceitar que as mentes luminosas do poder não entendam o descalabro que estão a provocar na economia, na vida das empresas, nos empregos e na vida das pessoas. Por causa do confinamento e das restrições nos tratamentos de outras doenças, tenho médicos amigos a confirmar a multiplicação de mortes fora do mal do coronavírus. O medo apoderou-se das pessoas e muitos deixaram de recorrer aos meios de tratamento: uns porque estão com medo do vírus, outros porque os postos de Saúde não atendem ninguém.
Bem, o sol começa a entrar no crepúsculo e já desceu abaixo do horizonte do tabuleiro superior da Ponte D. Luís I. A brisa começa a esfriar e convida ao regresso a casa onde, mais uma vez, terei que preparar a agenda para continuar a prestação de ajudas nos próximos dias, especialmente em medicamentos e refeições que compramos com as nossas posses económicas ao serviço da Associação MAC, enquanto não se esgotem as reservas que angariamos, na venda de livros e ajudas de voluntários.
Cuidem-se e mantenham firme a esperança de que todas estas restrições, em modo ditatorial, terminarão e voltaremos a sentir os benefícios da liberdade e dos convívios de sã camaradagem.
Vila Nova de Gaia, 21 de Maio de 2020
Joaquim Coelho

NOTA de Apresentação de Vídeo improvisado no Monte da Virgem, em dia de Confinamento COVID-19, com a natureza fico mais aliviado das tarefas de apoio aos Amigos em dificuldades - Clik para VER:
https://www.facebook.com/joaquim.coelho1/videos/10221924484998247








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