Paris - CADEADOS DO AMOR!
Na décima passagem por Paris, não pude fugir à curiosidade de saber a razão porque a ponte des Arts de Paris corre sérios riscos de desabar, tal é o peso dos cadeados que os crentes no Amor eterno vão prendendo na estrutura da Ponte. Na verdade, a originalidade de tal crença causa alguma interrogação sobre as reais intenções dos casalinhos que por lá deixam as promessas da sua fidelidade a longo prazo, bem como a reflexão psicológica atenta às causas do amor aí convocado – as autoridades interessadas na segurança de todos, vão lançar uma campanha contra os sonhadores do amor eterno e planearam remover os cadeados que podem causar a derrocada da ponte.
Creio bem que, aqueles que vão deixar o sinal da sua promessa de Amor, nem se preocupam com a intervenção do tempo nas suas vidas. O que se passa naquela ponte é um incrível retorno ao romantismo entre o rio e a interminável bastidão de monumentos históricos que rodeiam a Ponte, todos eles apadrinhando a intenções dos amantes que acrescentam mais umas gramas de metal à estrutura da Ponte.

Divergindo deste lugar de emoções e sentimentos tão sensíveis ao mundo actual, temos acesso aos cafés típicos da marginal do rio Sena, onde a deambulação entre Porte Saint-Denis e o tempo das tabernas da promiscuidade permitia caldear os afectos escondidos entre as francesas e os ocupantes alemães. Fazendo uma meditação cultural do chamamento das memórias, podemos perceber os lugares com muitas histórias, boas e más, consoante os tempos e os ocupantes provenientes das invasões, das guerras e das revoluções; tempos de grandeza e humilhação para os franceses de gema. Sem esquecer os dramas por aqui vividos, podemos adivinhar, sem inventar nada, quantos amantes se despedaçaram contra as barricadas dos revoltosos; hoje, com a serenidade no olhar, podemos ver os locais por onde se divertiam e se amavam os carentes de afecto. Nas curvas suaves do rio Sena, posso deixar descansar o olhar e perceber o percurso e a sua relação com o abismo que separa a realidade do sonho.
É primavera e a bruma encobre levemente a Torre Eiffel e parte do Palais Royal. Já vai longe o tempo em que o povo invadiu a cidade e montou barricadas onde, com pistolas, espingardas e paus resistiram até ao derrube da monarquia. Eram os anos decisivos do final do século 18º, em que a tropa fiel ao regime estava a ser batida pela fúria dos oprimidos que repicavam os sinos para chamar mais gente para a zona das Tulherias. Ali não havia distinção entre assalariados e gente letrada, todos se batiam por uma França livre e fraterna. Houve muita luta, muito sangue correu pelas ruas e palácios destruídos pelos canhões e matanças à metralhadora. Mas as tropas do regime bateram em retirada e o povo venceu a monarquia. Como em todas as revoluções, ficam sempre figurões que escapam e acabam por enganar as boas intenções do povo. Apesar das grandes mudanças sociais, culturais e humanistas, até que fosse aplicado o sistema da fraternidade, igualdade e justiça, houve muita escaramuça, guerras e revoluções. Paris mantém o carisma dos românticos imortais, enquanto se cultivam os enigmas do Amor.
Paris, Junho de 2012
Joaquim Coelho


AMOR CONFIRMADO
O amor quando é Amor
Não pede licença a ninguém,
Manifesta-se sem temor
Porque é um amor de bem.
Proibir o amor é um pecado
Que maltrata dois corações,
Quando é amor confirmado
Não teme o escárnio dos vilões.
Se o amor tem dois sentidos
É resistente como os diamantes,
E não pode ser amor proibido
Quando dois seres são amantes.
A altivez do singelo amor
É uma corrente indomável,
Arrasta tudo em seu redor
Como um electrão imparável.
É proibido proibir o amor
Em toda a sua dimensão,
A liberdade de amar tem valor
E é dos humanos condição.
Amai-vos uns aos outros…
tendes a minha permissão.
Joaquim Coelho


VIVA O AMOR
Antes que matem o amor…
deixai viver os bons amantes
na inevitabilidade da vida…
sem fórmulas e sem angústias
castradoras dos gestos fascinantes.
É preciso acabar com o silêncio
que se abate sobre os solitários,
deixai frutificar os lampejos
do amor lembrança sentida
mesmo que chova no vazio
da alma que se eleva sonhadora
até ao encontro dos pássaros
na sementeira encantadora.
Antes que matem o amor…
alimentai o que ainda resta
dos laços quebrados à pressa,
preenchei o vazio do silêncio…
aconselhai-vos à luz das estrelas
que se movem no caminho…
imitai os pássaros da primavera
na elaboração do seu ninho!
Há sempre um tempo à espera
que a vida se afirme em segredo
na grandeza do fogo da paixão,
sem filosofias e sem medo,
aproveitai os sinais do coração
para construir a passagem
do amor crescente em cada dia
enquanto respirais esta aragem.
Joaquim Coelho


Sem comentários:
Enviar um comentário