Apologia do Romântico:
O livro "Apologia do Romântico" é a expressão da poesia fundamentada nos momentos românticos com que a vida nos conforta. Os meus versos são a expressão das coisas que amo, da vida dolorosa dos combatentes, do mundo em que eu amo imenso. Pode ser um amontoado de palavras, mas é o eco da vida em tons graves, em alegre paródia ou em deleitosos enlevos que fazem parte de mim e que tento conservar como prolongamento dos meus dias.
Assim, na poesia, voa o meu pensamento tocado pela sensibilidade que me emociona e impõe alguma arte de transmitir as imagens de esperança, para retocar as memórias.
O rosto é um poema em formação… e a voz um sussurro delicioso que tento descodificar nos olhos cor de medronho!
Com o passar dos anos, sinto vontade de desafiar as confrangedoras regras do mundo e gritar bem alto contra toda a forma de opressão e limitação da liberdade, afrontando tudo o que nos possa fazer infelizes. Os meus versos e textos tocam situações e realidade em vários cenários da vida em movimento. Este livro tem narrativas de namorados em germinação do amor partilhado com devoção e dedicação.
Com serenidade e a humildade de saber entender os outros, soube cultivar uma forma de comportamento perante as mulheres, que resultou nas mais diversas maneiras de viver com harmonia o amor que brotava naturalmente dos nossos corações. Em todas as condições dos relacionamentos, na amizade com pinceladas lúbricas, como na entreajuda para resolução de problemas emocionais ou, mesmo, de saúde, a lealdade dos propósitos e a partilha mereceram o respeito e consideração que, em muitos casos, perdurou ao longo dos tempos. Em nenhum dos relacionamentos terminamos zangados!
Num mundo dominado pela exclusão dos bons princípios e dos valores universais da convivência pacífica, é conveniente procurar formas de viver em conformidade com a nossa consciência, preservando o que de melhor nos convém. Os desafios são imensos… mas vale a pena, antes que entremos numa espécie de alienação colectiva, com graves prejuízos para a saúde. Quando vem à memória a trágica condição da guerra, as lembranças estão vivas e as imagens são reais. Naqueles tempos de Angola e Moçambique, encontrei boas pessoas, com desempenho e sentimento, com as quais convivi agradavelmente, sempre com elevado sentido de camaradagem e companheirismo.
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Encontrei algumas mulheres… sensuais e atrevidas, que me animaram nos dias de tédio e fazem parte do meu percurso de vida com sonhos de liberdade, entre amor e aventura. Delas ficaram os momentos de desprendimento nas coisas boas da vida. Muitas verdades escondidas por transgredirem os costumes coloniais, por estarmos em tempo de guerra e podermos ser traídos pelos sabores do prazer nas camas clandestinas.
Daqueles tempos com largos horizontes, muita energia e desejo de aventura, restam as boas recordações, muitas lágrimas e suor, muitas vidas destroçadas, muitos cadáveres por resgatar, muitas lutas e a embriaguez do cumprimento do dever. Ajudei a colmatar insuficiências logísticas, a sarar muitas feridas emocionais, confortei muitos camaradas de armas, promovi aulas de formação académica, ajustei as ilusões à realidade dos mais eufóricos; tive prazenteiros amores, a servir de musas ardentes a espevitar a inspiração na criatividade poética; escrevi páginas de diários onde descarreguei as minhas dores, em forma de desabafo tenso.

De todos os meus tempos de vida, não tenho saudades porque vivi com intensidade as emoções que o tempo permitia desfrutar sem reservas ou temores. Apenas sinto alguma nostalgia dos momentos de Luanda e dos afagos das namoradas que comigo deambularam em círculos visionários de gozo. De tudo isso ficaram os meus versos escritos com sentida resignação da vida limitada pelas contingências da condição de um combatente desnaturado pelas incertezas em tempo de guerra. Parte desses arrepios deram origem aos escritos agora publicados em livro. Este livro que vos deixo, com exemplos práticos de entreajuda e partilha de momentos decisivos para a recuperação de estados depressivos latentes, resolvidos ou atenuados com a natural empatia entre pessoas com necessidade de manter a esperança e viver.
Fica como um recado para bem viverem as vossas vidas.
Joaquim Coelho







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