Por gentileza do Manuel Gonçalves, divulga-se o seguinte:

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INTROSPECÇÃO DA CRISE
Estou metido demais na minha vida!
Estou menos modesto do que outrora
porque aceito as coisas sem as apalpar…
estou a ficar sem o ouvido original
porque ouço as palavras sem meditar
sobre o seu sentido de vida pessoal.
Ando pela rua sem ver as pessoas
na intimidade dos pormenores
que davam graça aos beijos sensuais
e provo a fruta sem sentir os sabores
que cativavam os lábios originais.
Estou muito dentro da minha vida!
Não critico a facilidade das coisas
que perderam a sua simplicidade...
porque tudo nos vem cair à mão
sem que nos esforcemos por elas…
são os programas da nova inovação
que nos abrem outras janelas
sem à aprendizagem darem atenção
quando o saber anda desconexado
com o entusiasmo da vocação…
Faço parte desta vida desencantada
precisamente, porque é chato aprender
aquilo que a experiência nos ensina…
a vida não nos é dada de graça
tal como nos fazem acreditar na sina;
a vida sem esforço é uma chalaça
para quem quer satisfazer um desejo
que não mobilize a força da vontade
como se fora para saborear um beijo.
Começo a olhar demais para a vida.
Aquela que vivi com experiência…
procuro as coisas simples para entender
as dificuldades neste tempo de crise.
Detesto que chamem crise financeira!
O que há é crise de valores humanos.
É por causa da crise do dinheiro fácil
que muitos perderam a esperança
e temem contornar a encruzilhada
porque desprezam a nova caminhada.
Manifesto algum receio pela vida
que poderei viver noutra dimensão.
Acredito mais na crise dos princípios
que estimula a preguiça e o marasmo
em vez de preocupar-me com a vida
que determinaram para eu viver
nesta encruzilhada consentida
que atestou a raça do meu saber.
Joaquim Coelho


CABRA-CEGA
Amizade? Cabra-cega
Que tens por bandeira o riso!
A alma quando se entrega,
Ri o corpo, ainda indeciso...
Ri como quem oferece
Pérolas, rosas e neve.
Mas a alma não se atreve...
E tudo, por fim, esquece!
E uns pelos outros passamos,
Felizes ou infelizes,
libertados pelos ramos,
Mas presos pelas raizes.
Pedro Homem de Mello
In: "EU HEI-DE VOLTAR UM DIA"-1966
Em período de eleições para os representantes da Nação, o valor do VOTO é aquele que cada cidação esclarecido e ponderado lhe atribui.
Pois, até já ouvi dizer que o voto é uma arma... Usem-no bem!
.
EXTREMA-UNÇÃO
Quando fecho os olhos à idade
para ser feliz nos últimos dias
vejo o meu povo espezinhado
por uma cambada de glutões
que tratam bem o seu umbigo
em desfavor dos aflitos.
Vejo a juventude na sargeta
esbracejando o seu lugar
neste mundo de incerteza
sem rumo e sem esperança…
Os movimentos subalternos
que esgrimem bons argumentos
logo perdem a razão
por esconderem a parcialidade
que lhes vai enchendo a mão.
O facilitismo é um erro fatal
no conceito da responsabilidade
vai trazer-nos grande mal:
faz do mundo um grande calhau
onde cada um atira a sua pedrada.
Persiste um egoísmo reinante
na destruição do homem solidário
onde o crime sai triunfante
na criação de mais indigentes.
O culto da santa ignorância
só interessa aos governantes
pois sabem que os estúpidos
são facilmente enganados
e muito pouco reclamantes.
.
Quando a Democracia definha a olhos vistos,
quando os políticos fazem da governação a sua quinta,
apoderando-se dos bens da Nação,
e maltratam o povo que trabalha e sofre,
só há um caminho:
RETOMAR A REVOLUÇÃO.
.
MISSÃO FINAL
Tenho que libertar esta força
que trago dentro do peito
combater os escabrosos inimigos
ladinos como uma corça
na guerra do preconceito.
Sei que corremos sérios perigos
neste mundo de farsantes…
no justo caminho sem peias
vamos alertar os ignorantes
antes que lhes moldem as ideias
e os tramem nas maquiavélicas ciladas
dos criminosos trapaceiros
vestidos como ociosos cordeiros
no tenebroso consumismo da fantasia
onde manipulam as vidas e os valores
com o veneno da total paralisia
causa de amargura e negras dores.
Não posso guardar dentro de mim
a vontade de iluminar os descrentes!
esta força não vem por acidente
porque sinto o mundo ruim
e a injustiça tem várias frentes
atingindo cada vez mais gente.
Sei que em qualquer lugar do mundo
há espaço para o protesto,
mas sinto um sentimento profundo
contra esta apatia que detesto.
Saudações aos bons portugueses.
Os desmandos que referimos nos posts:
- Um País para rir - Março de 2008
- Alerta aos patriotas - Fevereiro de 2008
previam a escandaleira a que hoje assistimos.
Por muito que nos esforcemos por entender a CRISE, não conseguimos sair do cíclo vicioso da "má gestão", "gestão danosa" e da "gestão fraudulenta".
E quem são os gestores? Ora aí estão: antigos ministros, secretários de estado, acessores dos governos, mandatários dos partidos que dividem o governo, agentes da Opus-Dei e da Maçonaria e seus correligionários.
Desviaram muitos milhões para benefício próprio e dos amigos.
Quantos vão responder pelos danos causados à sociedade e aos portugueses?
Que fazem os governantes, seus apaniguados? Desviam o dinheiro dos fundos sociais, que tanta falta faz aos carenciados, e injectam-no nos bancos e empresas para tapar os "buracos" financeiros.
Por ser oportuno, não posso deixar de transcrever parte dum artigo do zeloso advogado António Vilar, publicado na "Vida Económica":
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"A CRISE NÃO PODE EXPLICAR TUDO
.
Portugal está invadido pela corrupção.
Corrupção económica e financeira, mas, sobretudo, grave corrupção de carácter dos portugueses que têm algum poder sobre o nosso destino colectivo.
A crise financeira, económica e social que se entranhou no nosso quotidiano, ainda que com a amplitude universal, tem sido, também, um maná caído dos céus para ajudar à sobrevivência de muitos inúteis tanto quanto, também, à gananciosa reprodução de riqueza de alguns oportunistas sem escrúpulos neste nosso país desajeitado, sem lei nem rei.
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A crise parace, de facto, servir para explicar tudo e tudo justificar.
Explica a pesporrência e a bazófia de muitos detentores do poder, no Governo, nas autarquias e na administração pública em geral, que através da crise disfarçam a sua ignorância e a sua falta de alma de estadistas, senão o seu carácter corrupto.
Explica o egoísmo de muitos empresários que, sem sensibilidade social, varrem, hoje, as empresas de todos os empregados que não deixem lá ficar, com a sua prestação laboral, o seu sangue, suor e lágrimas em benefício exclusivo de lucros exorbitantes para as empresas e salários de luxo para eles, escondidos, muitas vezes, nas famigeradas "off-shore".
Mas a crise não pode explicar tudo e, sobretudo, não deveria premiar actos ilícitos passados, tanto quanto crimes ainda actuais, nomeadmente no domínio das finanças e da economia. E tal está a acontecer!
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Investigar é um perigo e castigar seria uma proeza a que poucos estão dispostos.
Quem não está preso pela necessidade está acorrentado pelo medo.
Esta é a nossa triste sina... e os outros que paguem a crise.
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