domingo, 12 de fevereiro de 2023

O Combatente em Apuros

EU não Fui por aí! Tal como o José Régio…


A minha incorporação no Serviço Militar obrigatório, em 1960, causou-me diversas perturbações na vida profissional, mas nunca imaginei as atribulações que estavam para acontecer com o início da guerra em Angola e as contingências com as dificuldades que tive de ultrapassar e que me fortaleceram a “coragem de vencer”.

A passagem da Força Aérea para as Tropas Pára-quedistas teve um efeito semelhante a um renascer para a vida activa: ao integrar uma unidade militar de alta performance especializada na preparação de homens para combate e apurados valores humanísticos e patrióticos, com a disciplina bem aprumada e o aperfeiçoamento dos saberes para decisões mais acertadas, melhorei mais a auto-estima; uma grande quantidade de aparelhos e formas de preparação física bem equilibrada para resistir ao esforço e vencer as caminhadas, com mais sentido de ajuda e camaradagem no entendimento dos interesses de grupos antagónicos ajuda na percepção das contradições dos incompetentes e contribui para melhorar a percepção da democracia dentro da comunidade castrense.

Tive a sorte de encontrar um oficial conhecido do tempo no Colégio João de Deus, que me induziu a escolher a nobre especialidade de Pára-quedista militar, em vez da desertar para França (por estar mobilizado para Angola sem a necessária preparação para a guerra), dei o passo mais importante da minha vida no sentido da afirmação que o meu avô materno me incutiu entre os oito e doze anos de idade, fazendo jus à sua ponderação e sabedoria – “a cidadania plena está no saber enfrentar as realidades com sentido de responsabilidade e seguir o rumo sem arrependimentos; olhar demasiado tempo para trás só nos atrapalha a visão do futuro”. 


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Tenho que pedir desculpa aos meus Instrutores e mestres, que se esmeraram na preparação de homens para avançarem com determinação contra as hostes inimigas e cumprirem as regras da disciplina sem vacilarem; porquanto, nem sempre aceitei a imposição de princípios arcaicos de alguns chefes bacocos e, às vezes, recusei andar ao toque do clarim.

 Por essas e por outras, sofri as consequências nefastas do confronto de ideias e represálias disciplinares, incluindo quando recusei mudar de curso na Academia Militar, o que levou o Director do serviço do Estado-Maior da Força Aérea a determinar a minha ida para Moçambique, por imposição! E, já em Moçambique, fui incomodado pelos tenentes Castro Gonçalves e Ramos Lousada, por desentendimentos na conduta operacional e conceito da disciplina militar.

As aparentes condições desfavoráveis da minha vida militar, em Moçambique, tiveram algum efeito positivo na articulação com os demais companheiros de jornada, onde dei mais importância à correcção das debilidades e ao incutir sabedoria aos soldados, contrariando as tendências da bajulação aos oficiais que me presentearam com processos disciplinares sem fundamento.

Ora, por ter contrariado as ordens do comandante de grupo, quando estávamos debaixo de fogo inimigo numa emboscada complicada, e ter assumido o comando e impedido o oficial de qualquer poder, meses mais tarde sofri represálias e fui detido. Escrevi ao Chefe do Estado-Maior da Força Aérea pedindo um “Inquérito”, que foi deferido e, ao fim de oito meses fui ilibou de culpas num processo disciplinar absurdo, onde me acusaram de contribuir para o fracasso do assalto a um acampamento inimigo, por ter contrariado as ordens de “abater tudo que mexer”, incluindo crianças.

Na sequência do dito “Inquérito” disciplinar, o comandante Argentino Seixas tomou a absurda decisão de  me proibir de usar armas militares por um longo período (andei pelo mato na missão de vague-mestre, fornecendo a melhor alimentação possível), enquanto continuei chefe do armamento do batalhão!!! Para afrontar o “sistema”, requeri à PSP autorização para comprar uma pistola civil (tendo o comandante do batalhão assinado a certidão de aptidão, necessária), a qual usei no cinturão durante seis meses!!!

Clik na Imagem:

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Por estas e por outras! Eu não fui por ali.

Com base nos conhecimentos recolhidos através das notícias transmitidas para os “telex” nas redacções dos Jornais onde escrevia, tinha um entendimento mais abrangente dos contornos internacionais das guerras ultramarinas, como demonstro nos textos publicados e a publicar em Blogs e Livros.

Antes de mais, junto dos soldados que me acompanharam, sempre salientei três premissas fulcrais para vencer: seguir para o objectivo com todas as cautelas, aplicando os ensinamentos recebidos; atacar com precisão e regressar sem baixas; perceber se houve fuga de inimigos, regressando por caminhos dispersos para evitar emboscadas: “Em qualquer operação, se tivermos baixas, por mais quantidade de armas apreendidas ou inimigos abatidos, saímos sempre diminuídos e frustrados”.

Desta forma, fui ultrapassando barreiras inconcebíveis, amenizava os confrontos e continuava o meu caminho.

Nem a censura, nem os bajuladores me travaram a caminhada que prossegui com determinação, de quando em vez, torpedeado cobardemente, como a tentativa de me humilharem com a “curta” detenção no fortim da ilha do Ivo (a mais de 1.500 km do quartel!)

Se tivesse ido por onde queriam que fosse, não teria chegado aqui, teria sucumbido à trama dos maldosos e dos bajuladores incompetentes!

Desculpem o desabafo; mas, há situações que jamais esqueceremos, tal foi o impacto do tormento de ser detido e levado “secretamente” para bem longe dos meus camaradas de armas.

NOTA: Para compensar os que me perdoarem… público uma receita de vitalidade no final do livro, que devem ter em conta para melhorar a saúde.

Publicado in: “Coragem de Vencer”, pelas Edições Sentinela-MAC


Clik no Link para VER:  


https://vaidinamite.blogspot.com/2023/01/atribulacoes-do-combatente.html


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   VIVER COM SAÚDE



 


Nascemos da Natureza, pelo que devemos viver o mais perto da sua essência. Os cuidados com a alimentação são fundamentais para vivermos mais e melhor.

Aos Amigos e Amigas deixo SUGESTÕES capazes de melhorar:


1 – A vitalidade física e mental;


2 – O estado imunitário, prevenindo as doenças mais comuns;


3 – O metabolismo celular, Sistema Linfático e funcionamento do organismo.


MISTURA REVITALIZANTE – Normal


Para pessoas com baixa vitalidade e dificuldade em dormir.


O consumo de bebidas alcoólicas deve ser moderado.


- Comprar um frasco de Mokambo, TOFINA ou BRASA (misturas com café).


Retira 3/4 para outro frasco de reserva e guarda bem fechado.


No restante 1/4 junta


- 140gr de Linhaça moída


- 80gr de Aveia integral


- 20gr de Sésamo, em grãozinhos


- 30gr de Canela moída, em pó


- 3 colheres de sopa cheias de Cacau. Para DIABÉTICOS, só uma colher.


O frasco não deve ficar cheio, para poder misturar muito bem.


A linhaça e os outros produtos vendem-se em lojas tipo biológicas.


Misturar 1 colher de sopa no leite, chã ou cevada quente, juntando 2 colheres de chã cheias de mel para pequeno-almoço.


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Cuidados com a ALIMENTAÇÃO, tal como consta nos ANEXOS:


- ALIMENTOS Saudáveis;  FRUTAS e Legumes; DIETA – DIABÉTICOS


ATENÇÃO AO COLESTEROL:


- O LDL-C desejável é de até 130 mg/dl. Os pacientes nesse grupo devem receber informação geral sobre dieta e factores de risco, e os níveis de colesterol total e de HDL-C devem ser reavaliados em 2 anos. O limite de alto risco do LDL-C é de 130 a 150 mg/dl. A presença de factores de risco determina o tratamento.


Alimentos sem restrições: Cereais, legumes e verduras, frutas, iogurte desnatado, aveia, gelatina, pão integral, queijo branco, mel.


Alimentos com moderação: Sementes oleaginosas (nozes e amendoim), óleos (soja, milho, girassol), farinhas em geral, ovos, carne de porco fresca.


Alimentos com alto risco: Carnes gordas, pele de frango, camarão, lagosta, miúdos embutidos, chocolate, leite integral, creme de leite, bacon, empanados, frituras, presunto, mortadela, salame, queijos amarelos, margarina.


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MELHORAR  A VITALIDADE,


Compromissos a adoptar na alimentação saudável:
1. Tomar o pequeno-almoço todos os dias;
2. Comer 4 porções de fruta ou legumes por dia;
3. Não estar mais de 4h00 sem comer;
4. Fazer exercício físico três vezes por semana;
5. Manter o organismo hidratado, bebendo água e moderar bebidas alcoólicas;
6. Confeccionar alimentos com menos sal, gordura e açúcar;



  1. Na toma de comprimidos, espaçar pelo menos 30 minutos entre cada um.

  2. Não tomar analgésicos ou antipiréticos com estômago vazio.


Para manter o organismo mais protegido contra a doença, melhorando o Sistema Imunitário, especialmente nos 20 dias antes de intervenções cirúrgicas severas, tratamentos com quimioterapia e fisioterapia, gripes ou pneumonias, tomar:


- BECOZYM C plus – em dias alternados com o Viterra Classic, dia sim dia não.


- Para boa circulação sanguínea e imunidade, tomar, duas vezes por semana, Fisiogen ferro, Stugeron, Magnésium OK, Vitamina C e Vitamina D3; para o cérebro, tomar Fosfoglutina B6.


- ALKA-SELTZER, efervescente, 1 comp. 2 horas antes de dormir.


NOTA: O Alka-Seltzer pode ser tomado de 2 em 2 dias como meio de desintoxicação do organismo, ajuda a melhorar o sistema cardiovascular e melhora disposição. Pode ser substituído por 1 colher de chã de ENO azul.


EXERCÍCIOS FÍSICOS Simples:


- Com os braços distendidos para a frente, fazer a tesoura cruzando os braços e abrindo para os lados do tronco com energia, em 2 insistências - até 10 repetições;


- Com os braços distendidos para a frente, em paralelo, levantar acima da cabeça


e baixar forçando para trás, em duas insistências cada – até 10 repetições;


- Deitado na cama, de costas, braços distendidos ao longo da cabeça, levantar as pernas e pedalar como se fosse em bicicleta - até 20 repetições.


Fazendo estes exercícios todos os dias, melhora o equilíbrio, a oxigenação do corpo e a circulação sanguínea.


NOTAS IMPORTANTES: ÁGUA – como a água é ligeiramente ácida, deve adicionar 1 colher de chã de sal marinho em cada garrafa de 1,5lt, para alcalinizar e proteger contra tumores cancerígenos. Aplicando os cuidados e sugestões acima referidas, é possível melhorar a vitalidade do corpo em cerca de 20 a 30%. Temos sugestões para prevenção e vitalidade.


- Vivamos com saúde, desfrutando cada momento da Vida com alegria e fulgor.


Alimentos Saudáveis: Alho, abacate, ameixas, abacaxi, azeite, salmão, atum, sardinha,


brócolos, frutos vermelhos, vegetais de folha verde, tomate, beterraba, beringela, repolho roxo, couve-flor, banana, papaia, iogurte, frutos secos, chá verde, uva, vinho tinto. Usar chãs de Alecrim, Hortelã, Salsa, Cidreira, casca de Laranja e chã Verde.


Composto por Joaquim Coelho – bioquímica aplicada     - e-mail: jotasousa39@gmail.com

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Preparar os Caminhos

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Porque Auto-estima é muito importante para nos mantermos firmes e lúcidos, transcrevo as seguintes afirmações da Psicóloga Joana Gentil Martins:

A autoestima é hereditária?

A autoestima não é hereditária, mas sim aprendida, o que significa que as interações são muito importantes e podem moldar a nossa percepção sobre nós mesmas! A ligação do bebé com a mãe ou com os cuidadores, as primeiras interações com a família, com a escola, com os colegas e professores, experiências que vamos tendo ao longo da vida, a própria sociedade e época em que vivemos têm impacto no desenvolvimento da nossa autoestima. Se tivermos tido experiências negativas ao longo da nossa vida, como por exemplo sofrer de bullying na escola ou no trabalho, ter tido uma educação rígida e fria, ter pais muito autocríticos e que não elogiam, recebermos constantes críticas destrutivas, educação ou trabalhos muito exigentes, relações disfuncionais, traições, traumas, abusos sexuais e/ou emocionais, temos uma maior probabilidade de ter desenvolvido até agora uma autoestima baixa e de ter desenvolvido crenças negativas sobre nós mesmas, sobre os outros e sobre o mundo. Todos estes são fatores comuns em pessoas com baixa auto-estima.


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Penso que as pessoas devem parar e refletir sobre si mesmas. Trabalharem, o que nós chamamos de autoconhecimento. Questionarem-se sobre como se sentem em relação a si mesmas, como é o seu diálogo interno, se tem ajudado ou se prejudicado, como são os comportamentos que têm tido, têm ajudado a viver uma vida com qualidade ou por outro lado uma vida mais angustiada? Começar pelo autoconhecimento é fundamental. E para isso, no meu livro, Torna-te o Amor da tua Vida, têm vários exercícios que são um bom ponto de partida.


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É importante termos o nosso momento de auto-reflexão e avaliarmo-nos a nós próprios, conhecendo-nos primeiro. Porque o que os outros dizem sobre nós é com base nas suas lentes, nas suas experiências e crenças. Gosto muito de uma frase, que até cito no livro que diz "é muito mais importante o que pensamos de nós próprios do que aquilo que opinam sobre nós"(Séneca). Quanto às redes sociais é importante que tenhamos um olhar mais atento e saibamos que nem tudo o que está nas redes sociais é exatamente assim ou, pelo menos, que não representa a realidade total das pessoas. Temos a tendência de publicar a melhor foto, a melhor edição e está tudo bem nesse aspeto, devemos mostrar o que nos sentimos confortáveis de mostrar. No entanto, para quem consome, deve lembrar-se que há uma seleção do que é posto online, que não é a realidade completa. Para além disso é importante que se entenda que o número de gostos e seguidores não define o valor de cada pessoa.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Procurando o Relacionamento Ideal

NOTA PRÉVIA:


   Todos nós esperamos encontrar a felicidade para termos uma vida calma e de sucesso. Embora a felicidade e o sucesso estejam à nossa espera no caminho da vida que trilhamos, nem sempre as contingências da jornada nos são favoráveis, pelo que devemos acumular energias para lutar contra as adversidades. Ora, o designo da vida tem encantos e frustrações que nos tornam mais ou menos felizes. Mas não devemos desistir dos nossos propósitos.


RELACIONAMENTOS


“Ninguém consegue ser feliz sozinho…”


Para os leitores que gostam de partilhar a vida com sabedoria e satisfação, deixo um texto bastante explicativo! 

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Como o ritual para procurar o “par perfeito” chegou ao que é hoje?

D.R.

O Tinder (site de namoros e encontros) grita-nos “match!” E os reality shows andam obcecados por aquele momento em que as borboletas no estômago indicam a presença de uma “alma gémea”. Como chegámos aqui?

“Rapaz sério, com vida estável, procura rapariga meiga, séria, com boa apresentação, idade entre 20 e 39 anos, para amizade ou futuro compromisso. 96…….” O anúncio apareceu recentemente numa série de árvores na Avenida Almirante Reis, despertando a curiosidade de quem passava. O que teria levado um homem a espalhar o seu número de telemóvel numa rua de Lisboa? Seria um romântico inveterado, ingénuo ao ponto de se pôr a jeito para ser gozado com mensagens e chamadas de falsas pretendentes? Já lhe teria respondido, entretanto, alguma rapariga interessada em ser sua amiga ou mesmo algo mais?

Quando Luís Miguel atende o telefone e ouve ao que vamos, sai-lhe um daqueles suspiros profundos de quem se vai prestar a custo para responder. “Eu explico, quero explicar”, começa por dizer, na sua voz triste mas decidida. Não viu os papéis que imaginámos amorosamente colados, um a um. Mora a uma hora de carro da capital, no distrito de Santarém, que fique claro que não se prestou àquilo, nem nunca irá à procura das tais árvores, embora se reveja na frase “rapaz sério procura rapariga meiga…”. Afinal, foi ele quem a escreveu.

Três semanas antes de lhe telefonarmos, colocara um anúncio num jornal diário, crente de que seria uma boa saída para a sua solidão. Aos 40 anos, via-se quase sempre num dia a dia casa-trabalho-casa, com raras oportunidades para socializar. É dono de uma pequena empresa onde não trabalham mulheres, os amigos já estão todos casados. “Chega ao final do dia ou ao fim de semana e lá vão à vida deles”, acha natural.

Ele próprio casou-se uma vez, “demasiado cedo” e com uma pessoa “má de mais”, diz hoje. Aos 23, estava divorciado e nos anos seguintes nunca acertaria no jackpot. “Saía com malta amiga, às vezes achava que me tinha apaixonado, mas parece que queria uma mulher especial.” Nos últimos tempos, nem as redes sociais o ajudaram. “No Facebook as pessoas mentem muito, não é? Dizem que são uma coisa e afinal são outra, é que nem as fotografias são verdadeiras.” Uma perda de tempo, concluiu.

O anúncio num jornal seria a sua melhor aposta, mas calhou um trio de homens (nunca soube se em conluio) decididos divertirem-se à sua custa. Foram incontáveis as SMS de puro gozo, as mais assanhadas vindas de uma Ana de mentirinha, num assédio tal que o deixou desencantado com o ser humano. Um encontro combinado com uma rapariga que lhe telefonou de viva voz – marcou hora para tomarem café num centro comercial em Lisboa e acabou por nunca aparecer – seria a estocada final. Agora que o seu anúncio apareceu replicado e pespegado em troncos de árvores, Luís Miguel está em pousio, cético quanto à hipótese de encontrar um match perfeito.

“Parece que nunca soube escolher”, diz ele e ouvimos dizer também aos candidatos do programa de televisão Casados à Primeira Vista, da SIC e apresentado por Diana Chaves como “uma nova maneira de encontrar o amor”. Neste formato que tem causado polémica em todo o mundo, um neuropsicólogo, um psicólogo e dois coaches juntam os pares que só se conhecem no dia do casamento. Depois da lua de mel, os casais são acompanhados ao longo de oito semanas pela equipa de especialistas que os ajudará a limar as arestas das relações, com melhor ou pior resultado. “Quem me dera tê-los sempre comigo em casa, a dizerem-me ‘Não é assim que se fala’”, confessou a apresentadora no lançamento do programa.


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Perseguir um ideal

Ana Carvalheira, professora e investigadora do ISPA – Instituto Universitário, em Lisboa, acredita que o Casados… vai ser um êxito. “O formato favorece o romantismo, e as mulheres e alguns homens estão cheios de ideais românticos (que por acaso lhes atrapalham a vida)”, nota. A psicóloga só não está convencida de que os especialistas sejam capazes de fazer o match com entrevistas e testes de personalidade. “Vão descartar as incompatibilidades, o que já não é mau – por exemplo, não se junta uma pessoa obsessiva com uma flexível ou uma dependente com uma autónoma, mas há outras variáveis na equação, a atração sobretudo.”

O facto de durante o processo haver uma idealização do outro pode jogar a favor do programa, ressalva a mesma psicóloga. “Os concorrentes pensam: ‘Uns senhores muito bons vão encontrar a pessoa ideal para mim, só pode correr bem’. Ou seja, estão predispostos a apaixonar-se. Parecem os casamentos arranjados, mas com uma produção muito melhor, fica tudo com um carácter um bocado mágico, o que facilita imenso.”

Não passa, afinal, de uma ideia “ilusória” de correspondência, de almas gémeas, defende Jorge Gravanito, presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica. “A vida não é nada disso”, insurge-se. “Nós acabamos por nos relacionar no conflito, e é esse desencontro que promove o encontro. Quando andamos só à procura do ideal, só encontramos desilusões, é o horror do espelho. Mas as pessoas procuram soluções mágicas, fogem daquilo que dá trabalho, e não há nada que dê mais trabalho do que o relacionamento amoroso, porque é o menos óbvio. O amor não pode vir pela facilidade nem pela fama. É por isso que sou contra este tipo de programas. São tóxicos, não fazem bem nem a quem vê. Não vamos diabolizar, são uma expressão do estado das coisas, mas levam à vulgarização, à destruição simbólica do casamento.”

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A tecnologia cansa

Para Ana Carvalheira, que anda há anos a estudar as relações interpessoais na internet, é sobretudo o imediatismo que ajuda a explicar o atual estado das coisas. “As pessoas querem tudo para agora”, lembra. Mais: são consumistas ao nível das relações amorosas, querem experimentar um amor atrás do outro. “Todas estas apps vieram favorecer a experiência. É logo ‘Venha outro!’”
Quanto à correspondência perfeita, a psicóloga não tem ilusões: “O match só existe no Tinder, só dá tendinites nos dedos, mais nada. Na vida real, há investimento. Tem de haver atração, claro, e se houver um estado de paixão, melhor ainda. Mas não existe um match. É preciso as pessoas investirem e não ficarem num processo de individualização que as retira da relação. ‘O outro é para encaixar em mim, tem de gostar de literatura americana, etc.’. Ora isto não é a chave e a fechadura.”

Há, porém, quem ainda acredite que sim, sabe Liliana Paiva, coordenadora-geral da agência matrimonial Amore Nostrum. “As pessoas pagam para terem uma pessoa feita à medida, mas no primeiro contacto percebem que isso não existe. Faz parte do nosso trabalho, enquanto psicólogos, adaptar as expectativas à realidade.” A Amore Nostrum nasceu há 15 anos, no Porto, pela mão de um estudante de Psicologia que um dia olhou para uma página de anúncios e deu por si a encontrar afinidades. Hoje, através dos seus escritórios em sete cidades, a agência tem mais de 20 mil pessoas na sua base de dados, livres e à procura de relacionamentos sérios.

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Maria (nome fictício), 42 anos, solteira e motivada para conhecer pessoas fora do seu meio profissional, reconhece gostar de passar logo ao encontro. “É difícil ser original em sites de engate; as perguntas e respostas não variam e depressa se passa do que parece interessante para o descartável.” Cansa-a isso e “o facto de ser um meio defensivo, cada um em sua casa, ligado, a brincar aos sentimentos, sem saber o que quer”.

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Está nas estatísticas: “O cansaço acontece ao fim de três meses”, concluiu a investigadora americana Clarissa Silva, especialista em comportamento e autora do blogue You’re Just A Dumbass (“você é só um parvo”), ao inquirir 500 utilizadores de apps de encontros, entre os 25 e os 40 anos. “Ao fim de nove meses, 65% disseram que parecia um trabalho a tempo inteiro.”

Com sorte, as pessoas estão rapi-damente a sugerir encontrarem-se IRL (in real life) – na vida real, traduza-se para quem nunca andou à procura do match perfeito no mundo virtual. Ou então, a cair no extremo oposto, deixando o destino amoroso nas mãos dos especialistas, como antigamente se deixava nas mãos dos pais e das conveniências. O que quer que resulte…

* Clara Soares

Clik na imagem para ver:

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terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Recordações do Natal e o Pai

Neste Natal, Recordo o meu Querido Pai com Saudade

Porque o meu Pai faria 105 anos no dia de Natal, recordo alguns episódios marcantes da nossa vida em comum.

Nasci em terras de Termas de S. Vicente, precisamente quando as tropas alemãs se preparavam para invadir a Polónia, o que aconteceu em 1 de Setembro de 1939, dando início à Segunda guerra Mundial.

Em muitas fases da minha vida, perante situações mais complicadas, recordo sempre a força e determinação do meu Pai. Era um homem modesto, dedicado ao trabalho, muito apegado à vida, resiliente, criativo, artista no canto e na representação teatral, habilidoso na reparação de relógios e armas (que veio a especializar-se na Relojoaria Andrade Melo, no Porto).

Como mais velho de uma prole de dez filhos, estive sempre próximo do meu pai durante os primeiros aos de vida. Recordo as dificuldades que ia ultrapassando com empenho e mestria para tirar da terra o sustento para as necessidades da família que crescia de ano para ano, residindo numa casa de granito com bastante espaço, quinteiro, quintal com fruteiras e cortes do gado.

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Os tempos de guerra agravaram a miséria que se vivia, pelo que o meu Pai fez planos para conseguir alimentar a família, procurando trabalhar na Carris do Porto ou nos Serviços Municipalizados, mas precisou do apoio do tio e padrinho - Joaquim Pereira Cavadas, então regedor na freguesia de S. Vicente do Pinheiro, o que não conseguiu. Tendo comprado três terrenos de lavoura, tomou de arrendamento mais cinco do senhor Pinto Lopes (proprietário de quase metade da freguesia de Valpedre), de maneira a rentabilizar esses terrenos agrícolas de forma vantajosa. Para tal, comprou uma junta de bois, algumas ovelhas, a que juntou mais uma vaca e dois porcos.

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Para ter mais garantias de realizar dinheiro, vendia o leite da vaca à fábrica de Lacticínios que ficava a cem metros da nossa casa, na condição de receber semanalmente uns tantos pacotes de manteiga para a família barrar a broa e regueifa aos fins de semana, recebendo o resto em dinheiro; realizava mais dinheiro com a venda de um dos porcos mais gordinho e venda das ovelhas que iam sendo criadas, além do lucro pela troca da junta de bois anualmente, o que permitia viver razoavelmente bem, além de ajudar a minorar a fome de alguns vizinhos que não tinham terras de cultivo. Com o aumento de trabalho, contratou dois moços com idade entre os desoito e vinte anos.

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Assim geria o tempo na labuta da preparação das terras para a sementeira, convocava os amigos para ajuda nas colheitas dos cereais, do vinho, da apanha da azeitona, das "malhadas" do milho e do linho; ainda tinha tempo para reparar relógios e armas dos amigos, além de se divertir nas festas e romarias, dançando com a minha mãe e cantando ao desafio; de tempos a tempos participava na época de apresentação de peças teatrais no Salão Paroquial de Valpedre, perante os senhores da terra, o Padre e professores, sempre em papeis de destaque; ficou célebre pela interpretação da canção “Rancho Grande”, em voga nos filmes de Pedro Infante.

Homem resistente e forte, nutria especial carinho pela família, correndo riscos de ser preso quando se deslocava, de noite, ao encontro dos contrabandistas na tentativa de comprar açúcar, arroz e outros bens alimentícios que o sistema de racionamento por “senhas” não satisfazia as necessidades da família. Estávamos em tempo de guerra e as restrições eram muitas! Mas o meu Pai sempre conseguia manter a prole bem alimentada e com algumas guloseimas pelas festas de ano, como o Natal, Ano Novo, Páscoa e festas da freguesia.

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Perante uma tremenda baixa de rendimentos devido ao incêndio que matou a junta de bois e destruiu parte da casa, sem possibilidades financeiras para comprar outra junta de bois para trabalhar a terra, não esmoreceu. Obteve o apoio do grande proprietário das Quintas de Santa Maria, Pinto Lopes. Este comprou nova junta de bois, na condição de dividirem o lucro da venda anual (como era habitual nas feiras de gado). Sentindo os rendimentos depauperados com tal situação, incumbiu a minha mãe de assumir a gestão dos trabalhos agrícolas e foi empregar-se nas minas de carvão de São Pedro da Cova, onde trabalhou dois anos. Vinha a casa nos fins de semana. Fazia a viagem de regresso às minas, juntamente com outros conterrâneos, pelo percurso de Valpedre, atravessando os montes por Ordins, Sobreira e São Pedro da Cova. Tinha o cuidado de comprar e levar para casa uns quilos de broa de boa qualidade e mais barata nas minas.

Sempre fui curioso e mexilhão, embora levasse as reprimendas da ordem, mas tinha o perdão pelos estragos que fazia, especialmente quando mexia nas peças dos relógios que estavam em reparação. Desde os quatro anos que acompanhava o meu pai nas visitas que fazia aos amigos ou para ver relógios e armas para reparação.

Apesar da sua ocupação diária, a partir dos meus cinco anos, o meu Pai ensinou-me a escrever e a fazer contas. Tentou entusiasmar-me para a sua arte dos relógios e armas, mas era coisa que não me interessava. Muitos anos mais tarde, lamentava-se por não ter nenhum dos filhos a prosseguir naquela arte das máquinas do tempo!

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Recordo a paciência do meu Pai no apaziguamento de conflitos nas romarias, que se impunha acompanhado por um vistoso pau de marmeleiro. O senhor Américo era admirado e respeitado em todo o conselho de Penafiel e entre os relojoeiros do Porto, onde tinha bons amigos. Até porque, com um amigo da arte de relojoaria da Calçada, Oldrões, com pequenas maquinetas construídas por eles, faziam minúsculas peças para reparar os relógios.

Nas suas participações políticas, azedou-se com o Regedor de Valpedre por não o ter avisado das pretensões da Guarda Republicana em “roubar” os cereais dos agricultores: apareceram lá em casa com vários Jeeps, iam às caixas de cereais, enchiam os sacos e levavam, deixando a minha mãe a chorar; no segundo ano que isso aconteceu, vi a minha Mãe ajoelhada à frente do Regedor rogando que deixassem o suficiente para fazermos o pão que precisávamos, porque tínhamos passado fome durante o ano. O Regedor, que era seu tio, apenas lhe pôs uma mão sobre a cabeça e disse: minha filha, são ordens de Lisboa, não posso fazer nada! Perante aquela cena, agarrei-me à perna de um guarda que ia descer as escadas com um saco às costas e levei um biqueiro que me enraiveceu tanto que nem chorei.

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Ora, confraternizando com amigos do reviralho, acabou por aderir ao “movimento” da campanha presidencial do Humberto Delgado. Em diversos encontros com gente do Porto, participou na campanha orientada pelos Advogados Montalvão Machado e Eduardo Santos Silva. As reuniões realizavam-se no Café da Brasileira e no escritório da Rua de Santo António. Como o meu pai era amigo do Dr. Urgel Horta (União Nacional), chegou a ser admoestado para não se meter em sarilhos que o podiam prejudicar.

 No dia das eleições, fui com o meu Pai para a porta da escola de S. Vicente distribuir boletins de voto do Humberto Delgado. Ora, logo fomos incomodados pelo Regedor Joaquim Pereira Cavadas (nosso padrinho e tio do meu Pai). Não houve consequências, mas pioraram as nossas relações familiares. O meu Pai ficou órfão de mãe por esta ter morrido após o parto, e o seu pai foi para o Brasil com a filha mais velha, deixando o filho sob tutela e educação do tio e padrinho Cavadas, onde esteve até ao casamento com a minha Mãe. Por estas e por outras, embora sendo o herdeiro directo, por se ter afastado, nada recebeu da quinta, após a morte do tio e padrinho.

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Recordo a determinação do meu pai, quando foi à escola primária pagar os vidros das janelas que parti à pedrada, depois de ter levado meia dúzia de “bolos” de palmatória, injustamente, porque um aluno havia mijado na entrada da Escola; parece que ainda o estou a ver a pegar numa corda e zupar-me nas costas, por ter levado os vizinhos para o quintal para comerem frutas (tinham partido vários ramos das fruteiras); parece que o estou a ver tentando entrar na cozinha do Dr. Campos, onde eu estava sob o cuidado das empregadas que me tinham acabado de curar o pé furado com um tiro acidental de caçadeira; parece que o estou a ver subindo as escadas de casa, depois de ouvir os gritos da minha irmã Conceição, por lhe ter dado um murro na cabeça e terem ficado dois ou três pregos lá espetados; a pancada que levei deixou-me dorido e acamado, até que recebi a visita da minha tia Maria que me levou para a quinta da Vila e deu novo alento no estudo e melhorou o rumo da minha vida.

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Enfim, parece que estou a ver o meu Pai muito feliz, ao ouvir os comentários dos Amigos próximos, depois do meu sucesso no exame de admissão aos liceus: “senhor Américo, o rapaz pode ir longe, meta-o num colégio do Porto”; e assim foi. Gerente da Garagem dos Transporte Grijo, sendo amigo e vizinho do director do Grande Hotel do Porto, senhor Álvaro Machado, cuja filha era professora no Colégio João de Deus, conseguiu um contrato de internamento como trabalhador-estudante naquele Colégio, onde estudava, tocava o órgão na capela e trabalhava três horas diárias a fazer sandes para o lanche dos alunos.

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O meu Pai sempre foi especialmente cuidadoso nas iguarias para as festas anuais (Natal, Ano Novo e Páscoa), onde não faltava o bom bacalhau, vinho do Porto e doçaria.  

Finalmente, o meu Pai teve um fim lamentável e misterioso, tendo “aparecido” morto num café onde era habitual encontrar-se com clientes em negócios de relógios e armas de colecção. A autópsia foi inconcludente, o que nos deixou dúvidas sobre a causa da morte; porque o Procurador da República que liderou o processo era um dos colecionadores de relógios e tinha outros amigos com os mesmos interesses, os quais açambarcaram mais de oitocentos valiosos relógios de colecção durante os “trinta dias obrigatórios de publicação nos jornais”, avisando presumíveis clientes que tivessem entregue relógios para reparação. Ora, dois meses depois, viemos a perceber que nos tinham "roubado", sem dó nem respeito pelo triste acontecimento mortal, ao verificarmos, nas agendas guardadas no local da relojoaria, que apenas uns vinte e poucos relógios e armas pertenciam a clientes devidamente identificados nesses livros! Furiosos com a "fraude", fomos três irmãos tirar conclusões com o Procurador da República em Penafiel, dando-lhe um "amistoso abraço".

Bem, o nosso Pai sempre teve uma vida diversificada e modesta, sem grandes ambições materiais; viajava com frequência e ainda o acompanhei em algumas excursões pelo país. Saudoso Pai, descansa na paz do deuses, mas estás na nossa memória.

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Em todas as grandes encruzilhadas da minha vida, tive sempre o meu saudoso Pai no horizonte, porque foi corajoso, audaz, persistente e vencedor - apesar de ser benevolente e prestativo perante a sociedade que o atraiçoou.  

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Tempos de viajar com a Família e Amigos

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sábado, 24 de dezembro de 2022

O Natal em Tempos de Guerra

A Festa da Família, longe da Famíla

Nesta dia de consoada, que se pretende festejar com a Família, recordo outros tempos em que passamos o Natal bem longe dos nossos ente queridos. Por isso, jamais vamos esquecer aqueles que viveram esses dias de saudade entre matas e capinzais, em doloroso sofrimento e imprevistas atribulações.

No meu caso, passei os dias de Consoada em S. Salvador do Congo-Angola (1961), Luanda (1962), Nacala-Moçambique (1966) e Beira (1967).

Recordo todos aqueles que estiveram nas mesmas circunstâncias e desejo Boas Festas aos que ainda resistem ao desgaste do tempo, porque a caminhada da vida deve satisfazer os nossos desejos na partilha das boas recordações. Aos que partiram para o além, desejo que estejam na paz dos deuses.

Em Nacala, tivemos a sorte de terem chegado 12 helicopteros novos. Como voavam todos os dias para fazerem a "rodagem", o Capitão Piloto Campos cedeu um Alouette III para fazermos uma caçada antes do Natal. Caçamos uma impala, cuja carne tenra nos deliciou numa caldeirada na noite de consoada.

Clik nas Imagens abaixo para VER mais:


Sentinela Alerta


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Tempo de Festas e Alegria

Resistir é a razão que nos anima a Vida

Partilhar as emoções da vida é como arquivar momentos felizes nas memórias que nos confortam as gratas amizades.

Mesmo que as visões de tempos conturbados nos causem incómodos, devemos continuar a caminhada com afinco e alento para atingir os objectivos da nossa existência.

O respeito pela igualdade é perceber que todos os cidadãos são seres humanos imperfeitos, tão cheios de defeitos, que não devem exercer sobre os outros um poder que não lhes pertence. Eu não quero faltar ao respeito de quem mais gosto, porque seria o contra-senso da amizade. Por isso, é minha condição de vida continuar a fomentar a crença nos valores da vida para nunca perder a esperança de voar até ao infinito. 

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Memórias da Portugalidade no Mundo

    Dia de Timor-Leste

1 - O Dia de Timor-Leste celebra-se a 7 de dezembro.

Em Timor-Leste o dia 7 de dezembro é feriado e chama-se Dia dos Heróis Nacionais.

Foi a 7 de dezembro de 1975 que ocorreu a invasão e ocupação indonésia de Timor, com a operação “Komodo”. Portugal denunciou a invasão e cortou relações diplomáticas com a Indonésia no mesmo dia, abandonando a administração portuguesa o território a 8 de dezembro de 1975.

Timor-Leste, oficialmente República Democrática de Timor-Leste, conseguiu a sua independência de Portugal a 28 de novembro de 1975 e o fim da ocupação da Indonésia a 20 de maio de 2002.

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2 - Em Setembro de 1964, havia informações no Estado-Maior do Exército sobre perturbações rebeldes em Timor-Leste, para onde partiu um pequeno destacamento de tropas Paraquedistas (cerca de 40 elementos, com dois oficiais e cinco sargentos). Depois de viajarem de avião para Sydney (Austrália), seguiram de barco australiano até Dili. No segundo dia, após a chegada, por falta de condições de segurança e graves tumultos locais, captaram um barco pesqueiro e retiraram para a ilha de Ataúro. Sem quaisquer comunicações com as autoridades portuguesas e sem recursos logísticos para continuar a missão, o oficial e sargentos decidiram aproveitar um cargueiro de bandeira australiana para voltarem a Sydney e viajar para Portugal. Foi uma missão considerada secreta e sem utilidade, a qual nos deixou algumas dúvidas sobre quem a determinou. Talvez por ter questionado a hierarquia militar, o tenente Paraquedista Freitas de Oliveira foi mandado regressar à arma de origem.

3 - Em Abril de 1975, depois de confrontos entre tropas do Exército e elementos da Fretilin, por causa de divergências com representantes do MFA para a independência de Timor-Leste, foi enviado para Dili o Destacamento de Caçadores Paraquedistas N.º 1 , que ajudou a repor a ordem pública e acabou por se deslocar para a ilha de Ataúro, de onde regressou a Portugal em Dezembro de 1975.

Entretanto, tropas da Indonésia invadiram as principais localidades de Timor-Leste, com as quais a guerrilha da FRETILIN se bateu até à independência, mesmo tendo enfrentado dois movimentos hostis (Apodeti-pró-indonésio e UDT-União Democrática Timorense) que desencadearam a guerra civil.

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4 - Após 14 anos de conflitos, tendo passado pelo Massacre de Santa Cruz em Timor-Leste, com um tiroteio sobre manifestantes pró-independência no cemitério de Santa Cruz em Díli, a 12 de novembro de 1991, demoradas negociações e intervenção de tropas ao serviço da ONU, chegaram à independência em Maio de 2002.

O Contingente das tropas da ONU contou com duas companhias de Paraquedistas.

Fevereiro de 2000 - O Contingente Nacional para Timor integrou militares dos três ramos das Forças Armadas e começou a ser deslocado para Timor-Leste em meios aéreos fretados pelas Nações Unidas e por Portugal, em vagas sucessivas, desde 30 de Janeiro.

O CNT foi constituído por:


  • Comando do Sector Central – (Exército-Marinha-Força Aérea).

  • 1.° Batalhão de Infantaria Páraquedista – (Exército-Marinha).

  • Destacamento de Helicópteros Allouette III – (Força Aérea).

  • Destacamento de C-130, em Darwin – (Força Aérea).

  • Fragata ” Hermenegildo Capelo” – (Marinha).

Compõem-no 971 militares, sendo 579 do Exército, 340 da Marinha e 52 da Força Aérea. Com diversas secções de logística, transmissões, viaturas, tropas operacionais Paraquedistas e Fuzileiros, pilotos aviadores e operadores especialistas.

O Quartel-General português foi instalado em Díli e assumiu o seu comando o Coronel paraquedista Eduardo Lima Pinto, às ordens do qual serveiramm 12 militares do Exército, 5 da Marinha e 5 da Força Aérea.

5 - 03 Outubro 2000 - Dois militares portugueses morreram na queda de um helicóptero, junto da localidade de Same, em Timor Leste. O aparelho despenhou-se quando se preparava para aterrar.

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