TRATADOS DE ROMA
Nunca o imperador César Augusto
conseguiu dominar os lusitanos
nem a generosa protecção de Zeus
entusiasmou este povo da terra
que nos legou valiosos feitos
nos descobrimentos sem danos
ensinando o cultivo sem guerra.
Nem os eloquentes cânticos de Ovídio
conjugados nas prosas de Horácio
conseguiram enganar este povo
que acreditou em seres profanos
para caminhar sem as penosidades
dos males das estranhas divindades
prometidas pelos invasores romanos.
Este povo nobre e crente no eterno
nunca pensou encontrar o inferno
onde cantam as politiqueiras araras
com subsídios distribuídos com usura
para desmantelarem hortas e searas
deixando campos à míngua de verdura.
São carradas de milhões em papel
que o erário distribui a granel…
os barcos de pesca são abatidos
as fábricas deixam de produzir
e os patrões-subsídio divertidos
arruínam as empresas até falir.
Perdido o esplendor do sonho meu
ficamos à mercê do mecenas europeu
que aniquila as últimas sementeiras
e traça as incertezas p’ro futuro
deste povo penhorado e sem jeiras
assombrado no perjúrio do escuro.
Ermesinde, Março de 1993
Joaquim Coelho


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