quinta-feira, 3 de julho de 2008

Tratados de Roma - desilusão

 


     TRATADOS DE ROMA


 


Nunca o imperador César Augusto


conseguiu dominar os lusitanos


nem a generosa protecção de Zeus


entusiasmou este povo da terra


que nos legou valiosos feitos


nos descobrimentos sem danos


ensinando o cultivo sem guerra.


 


Nem os eloquentes cânticos de Ovídio


conjugados nas prosas de Horácio


conseguiram enganar este povo


que acreditou em seres profanos


para caminhar sem as penosidades


dos males das estranhas divindades


prometidas pelos invasores romanos.


 


Este povo nobre e crente no eterno


nunca pensou encontrar o inferno


onde cantam as politiqueiras araras


com subsídios distribuídos com usura


para desmantelarem hortas e searas


deixando campos à míngua de verdura.


 


São carradas de milhões em papel


que o erário distribui a granel…


os barcos de pesca são abatidos


as fábricas deixam de produzir


e os patrões-subsídio divertidos


arruínam as empresas até falir.


 


Perdido o esplendor do sonho meu


ficamos à mercê do mecenas europeu


que aniquila as últimas sementeiras


e traça as incertezas p’ro futuro


deste povo penhorado e sem jeiras


assombrado no perjúrio do escuro.


                   Ermesinde, Março de 1993


 Joaquim Coelho


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